sábado, 8 de janeiro de 2011

Luiz Inácio, privilégios e regalias

Houve uma época em que cheguei a acreditar que o sr. Luiz Inácio primava pela absoluta exclusão de privilégios pessoais e interesses particulares no Brasil. Segundo entendia, ele e seu partido lutavam contra toda forma de benefício de uns em detrimento de outros. Toda e qualquer prerrogativa individual não poderia ser aceita, sob pena de macular o processo de construção de um país ético e democrático. Regalias, portanto, nem pensar.

Era isso mesmo ou estou enganado?

Não era o ex-presidente sem anel de Doutor quem lutava pelo fim das políticas clientelistas e do fisiologismo? Não era ele que entendia ser necessária a igualdade de oportunidades para todos os brasileiros? Não era ele que criticava a postura das nossas elites atrasadas, marcadas por laços de caudilho?

Recentemente, ao ler a Folha de S. Paulo fui surpreendido pela notícia de que, dois dias antes de terminar seu mandato, pediu a renovação dos passaportes diplomáticos de seus filhos. Essa renovação é válida por mais 4 anos. Ou seja, enquanto a Sra. Dilma governar o país, os filhos de Lula, sem que tenham qualquer ligação com o governo e com a esfera da administração pública, poderão gozar das benesses que o tal passaporte lhes dá, entre elas a de não precisarem de visto para ir para China e para a Índia.

Mas não é só! Os garotos não precisarão enfrentar filas na alfândega! E isso, provavelmente, no entender do guru sem o anel de Doutor, não é nenhuma regalia.

Sabem a história daqueles que não enfrentam fila? Daqueles que sempre dizem o “sabe com quem está falando”? Sim, aqueles que têm e/ou tiveram os privilégios sempre combatidos por Lula e seu partido? Naturalmente, eles nenhuma relação terão com os filhos do nosso emotivo ex-presidente.

Não bastasse a bizarrice dessa concessão, chamou-me a atenção a forma como se pretendeu justificá-la. Embora já tenham excedido a idade necessária para obtenção do especialíssimo documento (24 anos), aos filhos de Luiz Inácio a renovação se deu sob o pretexto de que existe o “interesse do país”. Esse foi o argumento utilizado pelo Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Como o “interesse do país” é critério eivado de grande subjetividade, não há que se questionar como poderão os filhos da família Silva agir em prol do nosso país.

Ontem, o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, meteu o bedelho na discussão e disse que o assunto é de uma “irrelevância absoluta”. Vejam só! Aquilo que era relevantíssimo no passado, uma das pedras angulares do discurso petista, passa atualmente, num passe de mágica, a ser considerado irrelevante. Como não há maneira de justificar o injustificável, Marco Aurélio atribui as críticas feitas à concessão aos “3 ou 4% que consideram o governo Lula péssimo” (Cf. Filhos de Lula renovam passaporte diplomático e causam polêmica. O globo. 07/01/2011). O argumento, por absoluta falta de criatividade do autor, é, no mínimo, patético. Basta notar que, mesmo entre os adoradores do nosso líder barbudo e de seu governo, há aqueles que repudiam regalias como a que aqui se discute.

Ah sim.... já ia me esquecendo: também deu na Folha de S. Paulo que o neto de Lula, de 14 anos, igualmente contrariando norma interna do Itamaraty, ganhou o passaporte dois dias antes do término do mandato do avô. Menino importante, hein?!!!!

Um comentário:

José Pedro Renzi disse...

PITO:
ESTAMOS DIANTE DE UMA CRAPULA VESTIDO DE SANTO!!!!!!!!!!!!!!!!!!
determinista...inteligente...sagaz...e principalmente CARISMÁTICO...
lembra-se lideres burocraticos..ou carismáticos...
um "ditadorzinho" falsamente de esquerda e assumidamente da direita da SOCIAL-DEMOCRACIA ou segunda |Internacional com ALEMANHA ESPANHA ITALIA..E PORTUGAL...
e o BRAZIL?????????????!!