quinta-feira, 26 de julho de 2007

Sem compromisso: a razão desse Blog

Sem compromisso: a razão desse Blog

Tenho a impressão de que muita gente não escreve por excessivo zelo da linguagem. Incapazes de publicar algo descompromissado, alguns preferem simplesmente renunciar ao ato da escrita. São indivíduos que temem a tela branca, a escassez de idéias e ficam receosos de tudo, de toda crítica que lhes possa atingir. Por não abrir mão do perfeccionismo, optam pela resignação, pela voz calada, surda e anódina. Besteira? Quem sabe?

Já escrevi várias vezes a mensagem de abertura desse Blog que, aliás, era outro. Chamava-se Literocinemusical. Um vexame de título! Faltoso de criatividade e tudo o mais. Transfiro para cá, após anos, algumas das anotações de lá... Espero, contudo, que dessa vez a iniciativa tenha vida longa.

Jamais fico satisfeito com a minha escrita. Se pudesse, retocaria tudo, burilaria reiteradamente o texto até encontrar a forma ideal, aquela capaz de me satisfazer. Como ela nunca existirá, resolvi desistir... Desisti de buscar a forma ideal, bem entendido. E, por isso, arrisco-me a falar de tantas coisas quantas me parecerem interessantes. Sem rigor, sem compromisso...

É essa a razão do Blog: escrever sem compromisso!

Lembrei-me de um belíssimo trecho d' Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe, no qual é possível notar a insatisfação de quem trabalha com a escrita e se vê na obrigação de cumprir determinadas normas que se revelam inúteis e, na maioria das vezes, pouco práticas. Vale a pena lê-lo! Ei-lo:

"O embaixador causa-me muitos dissabores, eu já o previra. É o tolo mais metódico que se pode imaginar; quer tudo passo a passo e é minucioso como uma comadre. É um homem que nunca está contente consigo mesmo e do qual ninguém é capaz de colher palavras de gratidão. Trabalho sempre apressado e não gosto de retocar as coisas, e isso lhe dá ocasião para devolver-me qualquer escrito e dizer: ' Não está mal, mas reveja-o, encontra-se sempre um termo melhor, uma partícula mais castiça'. Nesses momentos, de bom grado mandaria tudo ao diabo. Nem um 'e', nem a mínima conjunçãozinha pode ser omitida, e é inimigo mortal de toda ordem inversa, que às vezes me escapa. Se um período não for construído segundo a velha musiquinha de costume, ele não entende e não aceita nada. É um martírio ter de trabalhar com um homem assim".

(GOETHE, J. W. Os sofrimentos do jovem Werther. Tradução, organização, prefácio, comentários e notas de Marcelo Backes. Porto Alegre: L&PM Editores, 2001).

Por fim, o comentário derradeiro: o título Lápis impreciso foi tirado da letra de Tempo e Artista, do meu autor soberano, Chico Buarque.

É só... Por ora é só...



2 comentários:

Mara disse...

Alvíssaras Caríssimo!
Evoé!
Escreva o que lhe der na telha, de minha parte estou achando ótimo. Sempre que puder darei uma passada por aqui.
Visite o meu também, você é sempre bem vindo!

Anônimo disse...

Sim, provavelmente por isso e