quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Opções políticas

Já não encontro mais desculpas para justificar comentários políticos aqui no blog. Então, vamos lá.

As eleições se aproximam. Desta vez, não condicionarei meus votos à filiação partidária dos candidatos. Antes da minha desilusão com um certo senhor e seu partido, acreditava na necessidade de criar uma cultura política que valorizasse os partidos, que primasse pela fidelidade partidária, que concorresse para a conquista da coerência das condutas ligadas à administração da coisa pública.

Era mais ou menos isso que norteava minha concepção política. Muitas vezes deixei de votar em um candidato que acreditava ser sério e competente apenas porque ele não estava filiado a um partido que correspondesse, ao menos em tese, àquilo que reputava relevante em matéria política. Cheguei a votar em partidos, e não em candidatos. Entendia a lição de Gramsci – segundo a qual o partido político moderno é a expressão fiel do príncipe descrito por Maquiavel – como uma máxima que deveria ser seguida.

Se havia um político num partido liberal, ainda que tivesse grandes virtudes pessoais, meu voto não era dele. Se tivesse, igualmente, enormes virtudes políticas, tanto fazia: não votava nele. A legenda, a ideologia partidária e a trajetória daquele partido no Brasil me impediam de fazê-lo.

Embora nunca tenha me filiado a ele, tinha em alta conta aquele partido que, a despeito de todas as suas deficiências, não aceitava políticos que pudessem incorrer em condutas moralmente questionáveis ou ilícitas. Nele, dissessem o que quisessem, não havia nenhum político envolvido com escândalos, com fraudes ou bandalheiras. Dizia-se, com frequência, que em seus quadros reinava a decência, a lisura, a honestidade, e outros tantos adjetivos tão importantes ao padrão médio da moralidade "pequeno burguesa".

Foi esse mesmo partido que, após algumas desventuras na esfera ética, fez-me mudar, radicalmente, a maneira pela qual deveria vislumbrar a política. Hoje, pouco se me dá se o partido do meu candidato tem um pé na social-democracia ou mesmo na liberal-democracia. Isso já não constitui razão bastante para eliminar um determinado candidato de minhas opções.

Entendo que todos os partidos estão sujeitos a acolherem políticos de variada estirpe. Todos, sem exceção, devem abrigar homens que não vivem para a política, mas que vivem da política como um meio de auto promoção material e social. Não creio ser tarefa fácil enumerar os políticos com vocação, alheios a interesses pessoais, dispostos a lutar pelo bem comum, como seria de se supor relativamente à atividade política.

Pode até parecer que esteja reproduzindo o velho jargão de que "todo político é igual, que todos os partidos são iguais". Será que não são? Não, é claro que não são todos iguais. São "quase" iguais. A linha de ruptura, de separação entre eles, é fina, tênue, muito lábil....

Demorou bastante para que eu, ingênuo, constatasse essa infame realidade. E o que me causa mais perplexidade é que a opinião pública e o senso comum "quase" estavam com a razão: são todos iguais. É uma pena....

Um comentário:

José Pedro Renzi disse...

PITO...
ASSISTIMOS UMA MONTAGEM EM CIMA DO APARELHO DO ESTADO...
DIREITO? DEMOCRACIA? E O NOSSO PRESIDENTE DA REP. FEDERATIVA DO BRASIL...
vou protesta com MARINA SILVA-partido verde...!