<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853</id><updated>2012-02-11T21:41:52.229-02:00</updated><category term='Língua brasileira'/><category term='Contos'/><category term='Outras ficções'/><category term='Política'/><category term='Cenas da literatura'/><category term='Meu novo livro'/><title type='text'>Lápis Impreciso</title><subtitle type='html'>"Modelando o artista ao seu feitio/
O tempo, com seu lápis impreciso/
Põe-lhe rugas ao redor da boca/
Como contrapesos de um sorriso.

"Tempo e artista" - Chico Buarque/1993</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>170</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-2615168413990877621</id><published>2012-02-10T22:54:00.002-02:00</published><updated>2012-02-11T00:35:11.841-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Tio Harlan 7</title><content type='html'>Tio Harlan 7 - Roberto Barbato Jr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tio Harlan não se emenda mesmo.... A última façanha dele foi querer me convencer de que era um talento promissor da Música Popular Brasileira nos anos sessenta. É claro que o mundo da música conspirou contra sua genialidade e ele, sem nenhuma alternativa, acabou se resignando com o trágico destino de seu sucesso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele me contou como se deram os fatos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começou em 1966 quando o Chico Buarque venceu o II Festival Popular de Música Brasileira com “A banda”. Nesse festival, o Geraldo Vandré e o Théo de Barros ficaram em segundo lugar com “Disparada”. O vencedor deveria ter sido ele, o próprio tio Harlan, com a fantástica canção “Correria”. Contudo, cancelaram a inscrição da música no festival porque entenderam que ela era um quase plágio de “Disparada”. A letra começava assim: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ajeite seu coração&lt;br /&gt;Pras notícias que eu quero te dar&lt;br /&gt;Eu venho de perto do mar&lt;br /&gt;E muito te posso magoar”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tio Harlan jura que na noite em que estava compondo a gloriosa canção num barzinho próximo da Record, o Vandré ouviu furtivamente a música, registrou-a na cabeça e pediu para o Théo de Barros fazer uma letra parecida. Em suma, “Disparada” nada mais era do que um rotundo plágio. Se “Correria” tivesse participado do festival, ganharia até d’ “A banda”, do Chico. “Disparada” nem seria classificada....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A despeito do golpe que a vida lhe dera – ou melhor, que o Vandré lhe impingira –, tio Harlan não desistiu de prosseguir na carreira musical. Em 1968, compôs sua obra prima: “Boi Vatá”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A letra dizia o seguinte: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vou pra lá&lt;br /&gt;Eu ainda vou pra lá&lt;br /&gt;Mas depois eu vou voltar&lt;br /&gt;Pra ver o Boi Vatá &lt;br /&gt;Pra ver o Boi Vatá”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que quando o Chico e o Tom Jobim inscreveram “Sabiá”, acabaram com as expectativas do tio Harlan. Afinal, a letra e a melodia eram.... muito semelhantes (Vou voltar/Sei que ainda vou voltar/Para o meu lugar/Foi lá e é ainda lá/Que eu hei de ouvir cantar/Uma sabiá)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pô, aquilo foi um balde de água fria. Mais uma vez, o gênio promissor da MPB teria levado uma rasteira. Ele atribuiu ao Tom o furto da melodia e ao Chico, a ideia da letra. A sacanagem – expressão textual dele – teria acontecido no antigo bar Veloso, numa noite em que o Tom, o Chico e o Edu Lobo bebericavam por ali. Foi naquela ocasião que o Tio Harlan tocou pela primeira vez o “Boi Vatá”. Sentou ao piano e estraçalhou: o bar inteiro o ovacionou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a música chegou ao conhecimento da comissão julgadora do festival, teve logo sua inscrição indeferida. Entenderam que o meu tio era um falsário de longa data. Como o Tom Jobim já era o Tom Jobim e o Chico já era o Chico, ninguém daria bola para o Tio Harlan, é claro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se eu tivesse participado, levaria o prêmio. O Chico e o Tom que se cuidassem – disse-me com muito ressentimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final de toda história, balancei a cabeça para confortá-lo. Não acreditei em uma só palavra do tio Harlan. Mas como ele estava emocionado, achei que devia dar aquela forcinha pra ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tio Harlan, você me mata de orgulho....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-2615168413990877621?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/2615168413990877621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=2615168413990877621' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2615168413990877621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2615168413990877621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2012/02/tio-harlan-7.html' title='Tio Harlan 7'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-5640459609236092487</id><published>2012-02-06T00:29:00.001-02:00</published><updated>2012-02-06T09:45:43.802-02:00</updated><title type='text'>Cream Craker e Água &amp; Sal</title><content type='html'>Um dia, um amigo meu chegou em casa louco para comer uma bolacha de &lt;i&gt;Cream Craker&lt;/i&gt;. Quando abriu o armário, pimba: percebeu que havia se enganado. Em vez de &lt;i&gt;Cream Craker&lt;/i&gt; comprou um pacote de Água e Sal. Ficou decepcionado, mas, como a fome era grande, resolveu encarar o desafio de comer uma bolacha que não lhe apetecia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que não foi necessário o consumo de mais de uma bolacha para que ele percebesse a semelhança no gosto entre os dois produtos. Ficou intrigado. Na vez subsequente que foi ao supermercado, comprou um pacote de cada produto, ou seja, um de &lt;i&gt;Cream Craker&lt;/i&gt; e outro de Água e Sal. Chegando em casa, comparou a composição de ambos. Ligou para mim e, inconformado, me contou a descoberta. Não acreditei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi mandar um e-mail para a empresa produtora das bolachas para confirmar a informação e indagar se, porventura, teria havido algum equívoco no momento de imprimir os ingredientes das bolachas em suas embalagens (esclareço que naquela época, iniciaram-se os atendimentos ao consumidor por intermédio de e-mails. A internet estava se popularizando). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, a resposta que recebi da empresa foi a seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os biscoitos &lt;i&gt;Cream Cracker&lt;/i&gt; e Água e Sal realmente não apresentam diferenças. Mantemos as duas versões no mercado para atender os consumidores que se acostumaram com um ou outro produto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não preciso fazer comentários, preciso?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-5640459609236092487?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/5640459609236092487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=5640459609236092487' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5640459609236092487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5640459609236092487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2012/02/cream-craker-e-agua-sal.html' title='Cream Craker e Água &amp; Sal'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-7139987935224884856</id><published>2012-01-28T00:29:00.004-02:00</published><updated>2012-02-11T00:34:53.095-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Tio Harlan 6</title><content type='html'>Tio Harlan 6 - Roberto Barbato Jr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o tio Harlan assistiu “A Dama das Camélias”, ficou extasiado. Ele ainda era criança, mas sua sexualidade já despertava. Nem bem terminou o filme – cuja versão era a antiga, com a Greta Garbo – queria saber exatamente o que fazia a protagonista do filme. Minha avó, com muito jeito, teve de lhe explicar que se tratava de uma cortesã. Desde então, o tio Harlan passou a sonhar que sua primeira vez fosse com uma cortesã, à moda dos romances do Oitocentos. Era uma tara que ele tinha. Imaginava que somente uma cortesã poderia iniciá-lo no mundo do sexo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como cortesãs no Brasil do século XX não existiam, o tio Harlan, com todo seu despojamento, ajustou sua fantasia para os tempos hodiernos. Passou a imaginar que sua iniciação sexual se daria com a governanta da família, a quem todos atribuíam injustamente algum &lt;i&gt;affaire&lt;/i&gt; com meu avô. A mulher era uma quase cinquentona, bem conservada e gostosona. Na cabeça do meu tio, os dois iriam copular na suíte paterna, na cama do vovô, com direito a uma champanhe e tudo o mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sonhos do tio Harlan até que se realizaram, mas de uma maneira oblíqua.... Não houve suíte, champanhe, nem nada. Tudo aconteceu na sala de jantar da casa do vovô. E também não foi com a governanta. Foi com sua filha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina, vez por outra, aparecia lá na casa dele com o pretexto de pedir dinheiro para a mãe. Um dia, o viu estudando matemática de cara amarrada e sacou a oportunidade: a fim de incentivá-lo, disse que poderia estudar com ele. Argumentou que era uma sumidade em ciências exatas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que meu tio desconfiou que pudesse ser vítima de um golpe. De todo modo, topou a parada. Estudos iniciados, a menina não tardou a se insinuar. Tio Harlan, excitadão, se fazia de desentendido. A menina, abusada, tirava os sapatos e, embaixo da mesa, sem que ninguém pudesse sequer suspeitar, passava os pés nas pernas dele. Na segunda tarde de estudos, avançou o sinal: chegou com os pés perto do pau dele. Na terceira tarde, a coisa descambou. Percebendo que o rapaz tinha uma conduta hesitante, sentou-se em seu colo e o beijou desesperadamente.  O tio Harlan foi roçado, lambido, chupado e, segundo ele conta, foi violentado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois daquela tarde, já sabedor do prazer carnal, queria comer a menina todos os dias. O estudo da matemática era o pretexto ideal para consumar seus desejos sexuais. Por longo tempo, se passou por um menino estudioso e meu avô chegou a achar que se ele continuasse naquela toada, seria um grande matemático, um engenheiro ou um físico de renome. Só tomou conhecimento de sua ignorância quando viu no boletim a nota bimestral de matemática: dois e meio. O gênio tirou dois e meio. Sem a ajuda da menina, é óbvio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temeroso com o futuro do filho, meu avô cortou os "estudos" de matemática. Que o menino se arrumasse com a punheta! Aí, sem opção nenhuma, o Tio Harlan virou punheteiro. E ainda teve de recuperar a nota bimestral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, recebi um e-mail dele, dizendo que assistiu a versão d’ “A Dama das Camélias” com a Greta Scacchi e ficou fascinado. Com alguma reserva, me confidenciou que ainda sonha com uma cortesã. Grande tio Harlan....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-7139987935224884856?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/7139987935224884856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=7139987935224884856' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/7139987935224884856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/7139987935224884856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2012/01/tio-harlan-6.html' title='Tio Harlan 6'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-2693352907212859127</id><published>2012-01-21T00:26:00.003-02:00</published><updated>2012-01-21T00:29:41.528-02:00</updated><title type='text'>Entre a rotina e o ócio</title><content type='html'>A editora Cosac &amp; Naify lançou recentemente, em edição primorosa, uma obra de prosa do poeta Drummond: &lt;i&gt;Passeios na ilha&lt;/i&gt;. Nela, há uma interessantíssima crônica sobre o ofício de escrever ou, melhor ainda, sobre o vício de escrever. Em “A rotina e a quimera”, o poeta nos fala da compulsão dos escritores que não deixam de criar nem mesmo enquanto estão em plena atividade profissional. Ele se refere aos funcionários públicos ou burocratas que, diante de suas incontáveis atribuições, não se furtam a escrever, nem que seja apenas em pensamento. O trecho é belíssimo e vale citá-lo, ainda que seja com base na edição velha, velhíssima (1952). Vejamos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sempre se falou mal de funcionários públicos, inclusive dos que passam a hora do expediente escrevinhando literatura. Não se esse tipo de burocrata-escritor existe ainda. A racionalização do serviço público, ou o esforço por essa reacionalização trouxe modificações sensíveis ao ambiente de nossas repartições, e é de crer que as vocações literárias manifestadas à sombra de processos se hajam ressentido desses novos métodos de trabalho. Sem embargo, não se terão estiolado de todo, tão forte é, no escritor a necessidade de exprimir-se dentro ou fora da rotina que lhe é imposta. Se não escrever no espaço de tempo destinado à produção de ofícios, escreverá na hora do sono ou da comida, escreverá debaixo do chuveiro, na fila, ao sol, escreverá até sem papel – no interior do próprio cérebro, como os poetas prisioneiros da última guerra, que voltaram ao soneto como a uma forma que por si mesma se grava na memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que se maldizia tanto o literato-funcionário? Porque desperdiçava os minutos do seu dia, reservado aos interesses da nação, no trato de quimeras pessoais. A nação pagava-lhe para estudar papéis obscuros e emaranhados, ordenar casos difíceis, promover medidas úteis, ouvir com benignidade ‘as partes’. Em vez disso, nosso poeta afinava a lira, nosso romancista convocava suas personagens, e toca a povoar o papel da repartição com palavras, figuras e abstrações que em nada adiantavam à sorte do público. (....)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retire-se tal rotina ao temperamento literário a que me reporto, e cessará sua veia criadora. Instalado confortavelmente num escritório de capitão de indústria, já não se produzirá essa inconformidade entre o real e o individual, que tantas vezes gera a obra de arte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(....)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observe-se que quase toda literatura brasileira, no passado como no presente, é uma literatura de funcionários públicos” (Conferir ANDRADE, Carlos Drummond de. “A rotina e a quimera”. In: Passeios na ilha: divagações sobre a vida literária e outras matérias. Rio de Janeiro: Organização Simões, 1952, p. 111-113)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As reflexões de Drummond são extremamente profícuas para lidar com a relação entre os intelectuais e o projeto de construção nacional tão em voga no início do século XX e, de forma ainda mais ampla, para criar liames entre a literatura e a política. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além dessas reflexões, é interessante notar que o poeta aponta para o imperativo de existir uma “rotina” para produzir literatura. Ideia curiosa. Afinal, não sonham os escritores com o ócio para poderem produzir sua literatura de maneira remansosa? Não é a tranquilidade que tanto almejam para os esforços literários? Não é óbvia a tensão constante entre o fardo do trabalho e o prazer da escrita? Sabe-se que muitos escritores – homens de letras, de maneira geral – se ressentem da necessidade de prover sua subsistência material muitas vezes em detrimento de sua produção individual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Drummond reputava essencial a existência da rotina para se manter a “veia criadora”, Mário de Andrade partia de premissa diametralmente oposta. Para ele, as possibilidades de criação artística estavam associadas ao “ócio criativo” (vejam bem: estou falando de Mário de Andrade e não de Domenico de Masi). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um artigo de 1918, intitulado “A divina preguiça” Mário teria dito que “a arte nasceu porventura dum bocejo sublime, assim como o sentimento do belo deve ter surgido duma contemplação da natureza”. Ou seja, a rotina das instituições públicas (que Mário conheceu tão bem quanto Drummond) não lhe seria combustível para criação alguma.... A esse respeito, aliás, é sabido que, durante o tempo em que estivera à frente da Diretoria do Departamento de Cultura de São Paulo (1935-1938), Mário se queixava frequentemente da burocracia e a responsabilizava pela quase impossibilidade de criação literária e pelo abandono de seus projetos pessoais.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final das contas, não sei o que pensar das posições dos dois Andrades. Quais seriam as condições ideais de criação: a rotina ou o ócio? Seja como for, tenho a convicção de que escrever sempre é prazeiroso, mesmo em se tratando de trabalho. Quando a escrita é descompromissada e atrevida, tal como faço aqui, é melhor ainda. Um verdadeiro gozo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-2693352907212859127?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/2693352907212859127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=2693352907212859127' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2693352907212859127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2693352907212859127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2012/01/entre-rotina-e-o-ocio.html' title='Entre a rotina e o ócio'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-5946587157323842879</id><published>2012-01-15T22:35:00.002-02:00</published><updated>2012-01-16T00:30:06.021-02:00</updated><title type='text'>UFC: esporte ou diversão selvagem?</title><content type='html'>Nunca li nada sobre as lutas do UFC, não sei suas regras e só vi uma única – repito: única - cena do esporte. Foi precisamente o momento em que Anderson Silva derrotou Yushim Okami, no Rio de Janeiro em 2011 (&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=tSOONSf2NVE"&gt;clique aqui para ver o vídeo&lt;/a&gt;). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por várias vezes ouvi comentários de que o MMA se tornaria – como de fato se tornou – um esporte de grande evidência, capaz de merecer significativa atenção por meio dos canais televisivos. Até pouco tempo atrás, se não me engano, a transmissão das lutas era exclusiva dos canais da TV a cabo. Recentemente, dado o grande sucesso que obtiveram, tais lutas foram alçadas à categoria de esporte popular e televisionadas pela TV aberta. Ok, um esporte que ascende de modo célere e conquista admiradores em todo país é merecedor de nota. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rede Globo transmitiu, na madrugada de hoje, alguns embates. Não tive interesse em assistir. Mas não fui dormir sem a inquietação que ocupa minha atenção desde que vi a vitória do Anderson: o MMA é mesmo um esporte ou se afigura uma prática selvagem de diversão? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se levarmos a definição de esporte ao pé da letra (vide Houaiss), não teremos dúvidas de que aquelas lutas não se diferem de muitas práticas esportivas, algumas aceitas até mesmo como olímpicas. Em suma, de um ponto de vista estrito, não há dúvidas de que esses embates corporais sejam um esporte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conviria, contudo, indagar se esse “esporte” não está sobremaneira amparado no espetáculo sádico que proporciona aos seus fãs. Tomemos como exemplo a circunstância sumariamente descrita no início desse texto. Depois de nocautear seu adversário, o simpático Anderson Silva, continuou a espancá-lo. Deu-lhe vários socos sucessivos na cabeça (na cabeça!) enquanto, prostrado, seu adversário tentava armar alguma proteção. Após o juiz ter decretado o fim da luta, o campeão, com justiça, comemorou: deu voltas pelo ringue (que hoje se chama octógono, segundo me informaram), subiu na rede de proteção que determina o limite territorial da luta, levantou os braços, bradou, gritou e os cambau. Vitória merecida. Anderson Silva certamente utilizou-se das regras do esporte para lograr seu objetivo. Nisso nada há a repudiar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me parece digna de alguma repulsa é, em si, a possibilidade de o embate continuar mesmo depois que um dos lutadores vai ao chão. Caramba! O sujeito cai, está lá praticamente indefeso e.... tome pancada! Uma vez abatida, a vítima ainda pode ser surrada. Tudo isso, é claro, deve estar previsto no regulamento do tal “esporte”. Trata-se de uma selvageria instituída formalmente e, ao que tudo indica, já consagrada pelo gosto popular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da covardia ínsita ao esporte, há também algo de sádico em suas regras. Sadismo que é, aliás, deliberadamente legitimado pelo regozijo da plateia, a exemplo do que ocorria com as antigas lutas do Coliseu. Não será exagero se alguém achar que, em matéria de esportes, a proximidade do UFC com os jogos do Império Romano não é pequena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-5946587157323842879?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/5946587157323842879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=5946587157323842879' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5946587157323842879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5946587157323842879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2012/01/ufc-esporte-ou-diversao-selvagem.html' title='UFC: esporte ou diversão selvagem?'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-2935829812529999658</id><published>2012-01-06T22:51:00.000-02:00</published><updated>2012-01-06T22:51:13.732-02:00</updated><title type='text'>Capitalismo: invertendo valores</title><content type='html'>Lembro-me de ter lido na &lt;i&gt;Folha de S. Paulo&lt;/i&gt;, não sei quando, um artigo de um cronista – ou colunista – cujo nome também não me recordo. Nele, o autor discorria sobre os dissabores de quem está de um lado específico da sociedade capitalista: o empresário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Argumentava que, a despeito de obter o lucro da produção ou comercialização, o empresário – ou burguês, para usarmos a terminologia marxista – trabalhava sobremaneira. Sua tarefa não consistia apenas em auferir os lucros derivados da exploração da força de trabalho alheia, mas estava baseada na própria atividade laborativa. Em suma, o capitalista, para ser bem sucedido e manter seus negócios em atividade, tinha que trabalhar muito. Talvez até mais que o próprio operário. Não bastasse isso, levava para casa uma série de preocupações, como a necessidade de pagamento dos funcionários, de compra de matéria-prima, a possibilidade de atingir as metas traçadas, o fechamento do mês, enfim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o operário, embora trabalhasse arduamente durante todo o mês, não tinha inquietações como essas. Não carregava para o ambiente familiar os fantasmas das planilhas e os cálculos sempre atormentados. Bastava que pusesse em ação sua força de trabalho durante a jornada de trabalho e fosse para sua casa descansar entre um dia e outro (fácil, né?). Ao final da semana, teria seu sossego: não deixaria de dormir pensando em contas, na organização de sua empresa, no trato com os funcionários. Tomaria sua cervejinha e assistiria ao seu sagrado futebol. Também ao final do mês, fosse qual fosse o lucro gerado para seu patrão, teria seu salário pago. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não estender mais (ou talvez fantasiar, dado que as recordações sobre o texto vão me escapando), o autor mostrava que ser capitalista, hoje em dia, é quase tão penoso quanto ser operário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que ele não deixa de ter um pouco de razão sobre o dispêndio de esforços que o capitalista precisa empreender em seu negócio. É sabido que a administração dos negócios particulares demanda tempo, paciência e, sobretudo, muito equilíbrio. É preciso uma boa dose de organização e racionalidade para ser empresário. Tratar com clientes, fornecedores e prestadores de serviços não é tarefa fácil.... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirante essa pequena ressalva, a essência do artigo me sugeriu uma inequívoca piada de mal gosto. Não entremos aqui nos detalhes da exploração capitalista tão bem explicada pelo velho Marx. Não será preciso lembrar que, ao vender sua força de trabalho, o operário produz o necessário para o pagamento de seu salário (que deveria, em tese, prover sua subsistência de modo digno) e o desproporcional lucro capaz de manter toda a empresa em pé e, ainda, resultar num enorme quinhão financeiro para seu patrão. Também não será necessário recordar de que maneira a extração da mais-valia é feita no mundo moderno. Tampouco valerá a pena lembrar as condições de trabalho a que são submetidos os operários ainda hoje e todas as consequências da atividade alienante que desempenham em seu cotidiano, seja na indústria, no comércio, na área educacional.... Para o nobre articulista, o que realmente importava eram os esforços do capitalista, sua dedicação ingente, seu compromisso para com a saúde de sua empresa! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é a razão de escrever aqui algo sobre um artigo tão antigo quanto desconhecido? Outro dia, ouvi um patrão queixar-se a um de seus empregados da chateação é que ter de lidar com seus clientes, sempre ávidos por resultados exitosos. Atender ao celular para prestar algumas informações sobre o andamento do serviço contratado era uma tarefa assaz desagradável. Além disso, havia a desgastante tarefa de cobrar pelo serviço avençado, já que muitos de seus clientes estavam inadimplentes. Já o funcionário, não precisava fazer nada disso. A ele, bastava trabalhar! Simplesmente trabalhar....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali diante de seu patrão, o funcionário parecia um vilão, um monstro a arruinar a vida do empresário que lhe parecia, cada vez mais, um coitado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase chorei! Até hoje estou com pena daquele patrão....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-2935829812529999658?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/2935829812529999658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=2935829812529999658' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2935829812529999658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2935829812529999658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2012/01/capitalismo-invertendo-valores.html' title='Capitalismo: invertendo valores'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-7052204452890831510</id><published>2011-12-31T12:17:00.001-02:00</published><updated>2011-12-31T12:17:58.158-02:00</updated><title type='text'>Lamentos e torcida</title><content type='html'>No último dia do ano pipocam nos jornais, na internet e na TV um balanço do que se passou. Todo mundo se arrisca a avaliar experiências pessoais, procedimentos da equipe econômica da presidência da República, o comportamento do mercado de aplicações financeiras, o mercado imobiliário, o tempo e o vento, enfim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há exatos três anos, escrevi o &lt;i&gt;post&lt;/i&gt; “&lt;a href="http://lapisimpreciso.blogspot.com/2008/12/no-prometo.html"&gt;Não prometo&lt;/a&gt;”, enumerando coisas que não faria em 2009. Hoje, volto aqui para não prometer nada. Tampouco para fazer balanços. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho lamentar a morte do Dr. Socrátes, da Amy Whinehouse, do Steve Jobs e das crianças na escola do Realengo. Lamento também o câncer do Gianecchini, do Lula e da nossa vizinha Cristina Kirchner. Esqueci-me de outro lamento importante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que teria muitas coisas a comemorar. Mas, quanto a elas, torço para que continuem dando certo. Vamos em frente, com saúde, sempre! Feliz 2012!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-7052204452890831510?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/7052204452890831510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=7052204452890831510' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/7052204452890831510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/7052204452890831510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/12/lamentos-e-torcida.html' title='Lamentos e torcida'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-2277503641946171469</id><published>2011-12-29T01:23:00.000-02:00</published><updated>2011-12-29T01:23:10.962-02:00</updated><title type='text'>Meu carrinho de rolimã</title><content type='html'>Meu avô era médico, mas tinha alguma vocação para a engenharia. Provavelmente, só a descobriu tarde, quando, já formado e estabelecido em Rio Preto, montou uma oficina bem equipada em sua casa: havia torno, esmeril, máquina-de-não-sei-o-que-lá e uma infinidade de ferramentas. Depois de aposentado, com tempo totalmente livre, colocou-se a fazer todo tipo de engenhoca. Uma delas foi o meu carrinho de rolimã, produzido, salvo equívoco, no verão de 1978. Eu tinha 6 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carrinho era um arraso. Bem diferente dos tradicionais, ele tinha direção, breque de mão e lugar para apoiar os pés. Tinha também um banco – vejam só: banco! – com espaldar baixo. Além de tanto requinte, haveria de ter um pouco de conforto. Só não era uma máquina, porque não tinha motor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem já viu um carrinho de rolimã deve saber que sua direção está no próprio eixo dianteiro, onde se colocam os pés para determinar o sentido do trajeto a ser percorrido. São também os pés que servem de freio, bastando apertar a sola do tênis contra o asfalto. Banco? Imagine.... O tradicional carrinho de rolimã é uma tábua sobreposta em dois eixos e nada mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois o meu carrinho foi um sucesso quando chegou em São Carlos. A molecada do prédio não conseguia compreender como ele poderia ser tão ousado. Criou-se fila para dar uma volta, ou seja, para descer o quarteirão final da rua Manuel de Souza Lima. Todo mundo ficou impressionado com o veículo. Os meninos divertiram-se à farta, malgrado o ciúme que me despertaram naquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo depois, marcou-se uma corrida. Eu tinha confiança de que meu carrinho, com toda aquela estrutura, não me deixaria na mão. Certamente, seria o primeiro a chegar. Não era para menos: com tanta tecnologia envolvida em sua produção, o sucesso era certo. Eu o dava como favas contadas! O resultado, entretanto, foi catastrófico: fui o último a cruzar a linha de chegada. Como se explicava aquilo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente, meu avô fizera o veículo como um ornamento ou, quando muito, um brinquedo que pudesse me oferecer segurança. Não deve ter passado por sua cabeça que a competitividade seria grande, sobretudo quando vissem que aquele carrinho destoava dos demais e oferecia, ao menos em tese, uma ameaça às construções rudimentares que eram feitas pela meninada. Tivesse ponderado sobre o assunto, teria feito algo mais leve, realmente capaz de ganhar uma corrida. Enfim, o projeto não foi desenvolvido para competir, mas para passear ou brincar. Por melhor que fosse o condutor, o resultado das corridas seria sempre o mesmo: o último lugar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da frustração das corridas, havia um detalhe que me deixava desgostoso: as cores do meu possante. Quando meu avô estava prestes a pintá-lo, pedi que fossem branco e preto, em homenagem ao Corinthians. Ele, de pronto, rechaçou a ideia com alguma rabugice. Disse que o carro teria de ser preto e amarelo, a exemplo das máquinas da Copersucar. Eu nem sabia que raios eram a tal Copersucar. Sabia apenas que já era corintiano. Queria meu carrinho em preto e branco e alimentei a ilusão de que, quando me fosse entregue, estaria de acordo com a minha vontade. Infelizmente, meu avô não abriu mão da sua posição. E ainda tive que ouvir de meus amigos a pergunta fatal: por que amarelo e preto? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha intenção de colocar aqui no &lt;i&gt;blog &lt;/i&gt;as fotos da “máquina”. Sucedeu, todavia, que, estando na casa dos meus pais recentemente, obtive a informação de que o carrinho está guardado no cume de um armário. Na frente dele, há tantas outras coisas difíceis de remover. Tirá-lo dali, portanto, seria uma tarefa bastante árdua para um período de Natal. Eu até estava disposto. Contudo, minha mãe, impiedosa, me ameaçou: se o carrinho sair de lá, terá de levá-lo para sua casa. Como espaço por aqui é artigo raro, deixei a preciosa invenção do meu avô trancada às quatro chaves. Mas, juro que ela existe!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-2277503641946171469?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/2277503641946171469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=2277503641946171469' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2277503641946171469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2277503641946171469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/12/meu-carrinho-de-rolima.html' title='Meu carrinho de rolimã'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-5810514514029798500</id><published>2011-12-02T00:40:00.000-02:00</published><updated>2011-12-02T00:40:18.642-02:00</updated><title type='text'>A tal cultura popular....</title><content type='html'>Sempre fui um defensor inconteste da cultura popular. Minhas maiores referências culturais são de extração popular: Chico Buarque e Mário de Andrade. Também sou daqueles que acham que a cultura não tem gradações. Não existe uma cultura melhor do que outra. Tampouco existe cultura mais importante que as demais. Cultura é cultura e, por mais idiota que isso possa parecer, a maioria das pessoas não entende essa simples assertiva. Ok, não vamos falar nos frankfurtianos para não estender o assunto sem necessidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura popular, é fato, se assemelha a um quadro composto por um sem-número de matizes. Nela, de maneira bem pragmática, tudo aquilo que não for erudito, poderá ser considerado popular. Por aí se vê a vastidão de manifestações que, sem receio algum, podemos qualificar de populares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na música, por exemplo, a cultura popular é capaz de “acolher” desde Chico Buarque a Zeca Pagodinho, de Tom Jobim ao Bonde do Tigrão, de Noel Rosa a Lobão, de Cartola a Zezé de Camargo e Luciano, de Edu Lobo até Beto Barbosa, de Paralamas do Sucesso até a.... Banda Calypso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer que as culturas são diferentes e que não há, entre elas, nenhum tipo de hierarquia não é o mesmo que deixar de reconhecer que existe, do ponto de vista de sua composição, uma diferença significativa. É indiscutível que a elaboração de algumas obras populares demandem mais esforços de inteligência e talento do que outras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exemplificando, não dá para comparar a qualidade literarária de uma letra de música que diz “Ergueu no patamar quatro paredes sólidas, Tijolo com tijolo num desenho mágico, Seus olhos embotados de cimento e lágrima” (Chico Buarque) com outra que diz “Vem, vem, Tchutchuca, Vem aqui pro seu Tigrão, Vou te jogar na cama, E te dá muita pressão!” (Bonde do Tigrão). Em que pese a importância e o necessário respeito à música do Bonde do Tigrão, seus versos muito se distanciam (estou sendo eufêmico) do requinte da produção do Chico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diga-se o mesmo de uma melodia qualquer de Tom Jobim e de uma música de Rock ‘n Roll que, em tese, está respaldada numa estrutura de três minguados acordes. Ou, por fim, uma composição de Edu Lobo para teatro e algo da lavra de um Latino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, a cultura popular é como coração de mãe: nele cabem muitos filhos que merecem respeito. Mesmo assim, preconceitos à parte, confesso que às vezes é difícil suportar algumas composições. Recentemente, tive a infelicidade de ouvir um cantor chamado Miguel Teló cantando o seguinte: “Delícia, delícia, Assim você me mata, Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ai se eu te pego, ai, ai, se eu te pego”???? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, não dá! É de foder!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-5810514514029798500?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/5810514514029798500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=5810514514029798500' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5810514514029798500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5810514514029798500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/12/tal-cultura-popular.html' title='A tal cultura popular....'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-7260093236353006898</id><published>2011-11-14T01:51:00.000-02:00</published><updated>2011-11-14T01:51:02.352-02:00</updated><title type='text'>Rocinha dominada. Vidigal também!</title><content type='html'>A Rocinha está dominada. O Vidigal também. É o que dizem os meios de comunicação de massa sobre a ocupação dessas favelas pelas chamadas forças de pacificação policiais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, 13/11, quase um ano depois de haver a ocupação do Morro do Alemão e da Favela do Cruzeiro, as forças policiais subiram a Rocinha, o Vidigal e a Chácara do Céu sem nenhuma resistência. A operação parece ter sido bem organizada. Nenhum tiro, dizem, foi disparado. Tudo teria começado na madrugada do domingo quando, como se sabe, o fator surpresa poderia ser fundamental para o êxito do intento. Nesse caso, contudo, inexistiu surpresa. O Brasil foi informado, aos quatro ventos, que haveria a ocupação. E houve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como no ano passado, a mídia mostrou o amplo apoio da população favelada à empreitada policial. Moradores legitimaram a postura da polícia e a auxiliaram prestando informações sobre o paradeiro de eventuais traficantes, líderes do tráfico e comparsas de toda sorte. Certamente foi um dia histórico para o combate ao narcotráfico. Bandeiras do Brasil foram hasteadas no cume dos morros para mostrar a conquista do território. Nacionalismos à parte, é razoável contar com o impacto simbólico de determinadas conquistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A exemplo do que disse aqui em 16/04 (&lt;a href="http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/04/impressoes-tardias-sobre-guerra-no-rio.html"&gt;Impressões tardias sobre a guerra no Rio&lt;/a&gt;), assinalo que a mera organização e a vontade política dos governantes cariocas foram capazes de arrostar, com inconteste eficácia, a pujança do narcotráfico. Ao contrário do que muitos autores postularam em seus ensaios – entre os quais incluo meu &lt;i&gt;Direito Informal e Criminalidade &lt;/i&gt;– a legitimidade dos grandes traficantes está cedendo espaço para a legitimidade das ações policiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nos esqueçamos, todavia, de que a iniciativa do governo carioca contra o narcotráfico deverá ser permanentemente acompanhada, sob pena de possibilitar a retomada das antigas estruturas de poder que dominaram os morros. Ainda não estou disposto a acreditar que as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) terão sucesso se o Estado brasileiro continuar a se omitir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, passos importantes já foram dados. A caminhada ainda é longa. Vamos em frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-7260093236353006898?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/7260093236353006898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=7260093236353006898' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/7260093236353006898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/7260093236353006898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/11/rocinha-dominada-vidigal-tambem.html' title='Rocinha dominada. Vidigal também!'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-1361134343657835231</id><published>2011-11-08T00:14:00.001-02:00</published><updated>2011-11-08T00:15:49.096-02:00</updated><title type='text'>Me diz, me diz, me responde por favor....</title><content type='html'>Perdoem-me pela burrice. Já até pensei em contatar uma ambientalista amiga para esclarecer.... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há enorme receio da humanidade de que, em pouco tempo, o planeta Terra fique sem água. Não é de hoje que há uma grande campanha para reduzir seu consumo em nível global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, fala-se em reciclagem de materiais não orgânicos, ou seja, reciclar o lixo. Para isso, precisamos de água, certo? No meu prédio, há uma orientação de que, para reciclar embalagens plásticas, devemos lavá-las. A limpeza de cada embalagem exige uma determinada quantidade de água a ser gasta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como fica? Economizo a água ou colaboro para a reciclagem do lixo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diria o Chico: “me responde por favor, pra que tudo começou, quando tudo acaba” (Almanaque)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-1361134343657835231?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/1361134343657835231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=1361134343657835231' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1361134343657835231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1361134343657835231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/11/me-diz-me-diz-me-responde-por-favor.html' title='Me diz, me diz, me responde por favor....'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-74257121594058829</id><published>2011-10-15T16:41:00.000-03:00</published><updated>2011-10-15T16:41:59.033-03:00</updated><title type='text'>Mistério na zona sul no blog da Hedra</title><content type='html'>Eis aqui o link para o &lt;a href="http://hedraonline.posterous.com/alguns-lancamentos"&gt;Blog da Editora Hedra&lt;/a&gt; e os comentários sobre os lançamentos literários. "Mistério na zona sul" está lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-74257121594058829?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/74257121594058829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=74257121594058829' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/74257121594058829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/74257121594058829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/10/misterio-na-zona-sul-no-blog-da-hedra.html' title='Mistério na zona sul no blog da Hedra'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-2414162042013802445</id><published>2011-10-05T23:15:00.000-03:00</published><updated>2011-10-05T23:15:29.413-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meu novo livro'/><title type='text'>Mistério na zona sul já saiu!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Y5bqgapzv2s/To0OznBF3fI/AAAAAAAAACM/6_5Tg-0IqWg/s1600/MIST%25C3%2589RIONAZONASUL.JPG" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="234" src="http://3.bp.blogspot.com/-Y5bqgapzv2s/To0OznBF3fI/AAAAAAAAACM/6_5Tg-0IqWg/s320/MIST%25C3%2589RIONAZONASUL.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Mistério na zona sul&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; já está disponível para venda no site da &lt;a href="http://www.hedra.com.br"&gt;Editora Hedra &lt;/a&gt;, com frete grátis. Logo mais, chegará às mega stores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-2414162042013802445?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/2414162042013802445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=2414162042013802445' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2414162042013802445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2414162042013802445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/10/misterio-na-zona-sul-ja-saiu.html' title='Mistério na zona sul já saiu!'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Y5bqgapzv2s/To0OznBF3fI/AAAAAAAAACM/6_5Tg-0IqWg/s72-c/MIST%25C3%2589RIONAZONASUL.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-4087239031164594584</id><published>2011-09-23T00:46:00.003-03:00</published><updated>2011-09-23T01:29:01.956-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meu novo livro'/><title type='text'>Mistério na zona sul</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-nDP1MQQKKmE/TnwEBhVOrgI/AAAAAAAAACE/iimtDqjRdNw/s1600/MIST%25C3%2589RIONAZONASUL.JPG" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="234" src="http://3.bp.blogspot.com/-nDP1MQQKKmE/TnwEBhVOrgI/AAAAAAAAACE/iimtDqjRdNw/s320/MIST%25C3%2589RIONAZONASUL.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mistério na zona sul - Roberto Barbato Jr&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ilustrações de Otávio Zani&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.hedra.com.br/home/"&gt;Editora Hedra&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Um envelope é deixado no saguão do jornal “A gazeta”. Dentro dele, uma denúncia anônima refere-se a um orfanato do outro lado da cidade, a crianças e trabalho forçado. Plínio, Giulia e Tonico são três jovens jornalistas que se veem envolvidos na investigação de um crime contra crianças. Para obter informações, precisam assumir identidades falsas, se aventurar em locais pouco frequentados na cidade e recorrer a outros expedientes, como a pesquisa de arquivos e a colaboração de um delegado e até mesmo do garçom da padaria que frequentavam. Aos poucos os três descobrirão que aquilo que inicialmente parecia uma denúncia falsa escondia um crime escabroso. Já não dava mais para recuar. E os três amigos terão de enfrentar as consequências de sua bisbilhotice investigativa até que consigam desvendar o mistério que ronda a Paróquia Santa Isabel, ou se tornar parte dele..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois das dicas, a revelação. Essa aí em cima é a sinopse do meu novo livro, &lt;i&gt;Mistério na zona sul&lt;/i&gt;. É um romance infantojuvenil que, com seu suspense, espero agradar também aos adultos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo mais nas livrarias!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-4087239031164594584?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/4087239031164594584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=4087239031164594584' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4087239031164594584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4087239031164594584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/09/misterio-na-zona-sul.html' title='Mistério na zona sul'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-nDP1MQQKKmE/TnwEBhVOrgI/AAAAAAAAACE/iimtDqjRdNw/s72-c/MIST%25C3%2589RIONAZONASUL.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-7815335391823105219</id><published>2011-09-22T00:32:00.001-03:00</published><updated>2011-09-23T01:27:29.981-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meu novo livro'/><title type='text'>Meu novo livro: dica 06</title><content type='html'>Sim, a arte específica aludida no &lt;i&gt;post &lt;/i&gt;de ontem é, como muitos já deduziram, a literatura. Ok, é um texto literário. Mas, atenção: não é um livro de poemas, nem de trovas, nem de haicais, nem de minicontos, nem de contos. Preciso ser mais explícito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A respeito do público alvo, basta dizer que autores como Marcos Rey, Ana Maria Machado, João Carlos Marinho Silva, Edith Modesto, Índigo, Ivana Arruda Leite, Andréa Del Fuego e outros encantaram uma faixa etária específica. A ela é dirigido meu livro. Todavia, conforme já disse, isso não significa que os adultos não possam se interessar por ele. A narrativa e o tema, espero, serão capazes fisgá-los. Espero mesmo....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já está combinado: amanhã, farei a divulgação da capa, da sipnose, da editora, etc.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-7815335391823105219?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/7815335391823105219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=7815335391823105219' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/7815335391823105219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/7815335391823105219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/09/meu-novo-livro-dica-06.html' title='Meu novo livro: dica 06'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-3016779915768542895</id><published>2011-09-21T00:48:00.001-03:00</published><updated>2011-09-23T01:29:20.122-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meu novo livro'/><title type='text'>Meu novo livro: dica 05</title><content type='html'>Recapitulando dicas já dadas: o livro não é técnico, nem acadêmico, nem científico. Também não é uma biografia e tampouco uma autobiografia. Muito menos um livro de autoajuda. Trata-se de um material impresso e não digital (ao menos por enquanto). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dica de hoje é que o texto do livro pertence ao vastíssimo universo das artes. Isso não quer dizer que seja um livro sobre artes plásticas, música, cinema ou literatura. O texto é, em si mesmo, algo que poderíamos qualificar genericamente de "arte". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, essa arte é específica e poderá ser fruída sobretudo por uma determinada faixa etária, embora eu acredite que, pela trama e pelo tema, despertará também atenção de outras faixas etárias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã tem a última dica!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-3016779915768542895?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/3016779915768542895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=3016779915768542895' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3016779915768542895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3016779915768542895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/09/meu-novo-livro-dica-05.html' title='Meu novo livro: dica 05'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-6735866411634162404</id><published>2011-09-20T00:27:00.001-03:00</published><updated>2011-09-23T01:29:42.986-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meu novo livro'/><title type='text'>Meu novo livro: dica 04</title><content type='html'>É um livro impresso. No papel, claro. Isso não significa que ele não possa, futuramente, ser comercializado em formato digital. Aliás, existe até mesmo cláusula contratual para que isso seja feito, se conveniente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho nada contra livros digitais, mas considero o livro impresso insubstituível. Nada elimina o prazer de deitar na cama, abrir e ler o livro. Virar páginas, ler a orelha. Melhor ainda: procurar na livraria o título desejado, comprá-lo e iniciar a leitura antes mesmo de voltar para casa, de preferência tomando um café. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, os livros digitais poderão ser salvos nos &lt;i&gt;tablets &lt;/i&gt;e também poderão ser levados para a cama. Sim, eles brilham no escuro, são lúdicos e fascinam a molecada. Quantos argumentos mais seriam necessários para desqualificar o prazer de degustar o livro no papel? Sei lá.... De todo modo, sempre haverá a dependência do carregamento da bateria e aquele insuportável manuseio em &lt;i&gt;touch scree&lt;/i&gt;n. É possível que percamos mais tempo mexendo no gerenciador do &lt;i&gt;tablet &lt;/i&gt;do que apreciando a leitura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora meus livros estiveram no papel. Esse não será diferente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã, prometo, as dicas serão melhores....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-6735866411634162404?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/6735866411634162404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=6735866411634162404' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6735866411634162404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6735866411634162404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/09/meu-novo-livro-dica-04.html' title='Meu novo livro: dica 04'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-3171796144864029520</id><published>2011-09-19T00:50:00.003-03:00</published><updated>2011-09-23T01:29:58.404-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meu novo livro'/><title type='text'>Meu novo livro: dica 03</title><content type='html'>Tenham certeza: não é um livro de autoajuda. Como eu poderia escrever um livro para ajudar a alguém se, em relação a mim mesmo, quase não tenho êxito? Não sei se isso é condição para produzir algo no ramo. Lembro-me, todavia, que, numa antiga entrevista, Maria Gabriela perguntou a um desses autores famosos quantas vezes ele se casou. A resposta foi: quatro vezes. O livro que o sujeito acabava de lançar naquela época era sobre como manter um casamento feliz. A gargalhada da Gabi só não existiu porque ela é muito profissional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um dia fosse escrever um livro com essa intenção, plagiaria o título do personagem de Patrícia Melo em seu &lt;i&gt;Elogio da Mentira&lt;/i&gt;. José Guber deixou de escrever livros policiais para produzir algo no campo da autoajuda. Seu primeiro título foi: “Dê uma mão a si mesmo”. Fantástico, não? O título fala por si e garante o sucesso da obra, por mais imbecil que ela seja. Se não me engano, o protagonista de &lt;i&gt;Mário, que Mário?&lt;/i&gt;, de Nelito Fernandes, também se aventura, como autor desconhecido, no ramo da autoajuda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho certeza de que o mercado editorial da autoajuda é muito competitivo e promissor. Acredito, aliás, que já superou o mercado dos livros jurídicos e espíritas. Mesmo assim, eu, pelo menos por enquanto, estou fora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã tem mais!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-3171796144864029520?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/3171796144864029520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=3171796144864029520' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3171796144864029520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3171796144864029520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/09/meu-novo-livro-dica-03.html' title='Meu novo livro: dica 03'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-158899377764854793</id><published>2011-09-18T23:30:00.001-03:00</published><updated>2011-09-23T01:30:28.345-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meu novo livro'/><title type='text'>Meu novo livro: dica 02</title><content type='html'>Não, não é uma biografia. Mesmo que tivesse vontade, não teria disposição alguma para fazer pesquisa a ponto de escrever sobre a vida de alguém. Além do mais, acho que biografias são um pouco enfadonhas. Eu, por exemplo, só li a biografia do Tom Jobim, escrito por sua irmã, Helena. Depois, ganhei a biografia do Tom escrita pelo Sérgio Cabral, que me pareceu fabulosa. Mesmo essa, que cobicei durante longo tempo, não consegui terminar. A leitura não fluía.... Recentemente, ganhei um livro de uma grande amiga e, como já o tinha, resolvi trocar pela biografia do Lobão. O livro está na estante até hoje, não passei da página cinquenta.... Ok, imagino que as trabalhos biográficos do Ruy Castro sejam magníficos, mas....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tio Harlan bem que merecia uma biografia. Ele tem uma rica trajetória pessoal, ninguém duvide. É algo a se pensar para o futuro. Todavia, por ora, os interessados podem se contentar com os cinco contos que estão aí do lado, na seção “Contos e outras ficções”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometi apenas uma dica por dia. Como hoje estou generoso (ah, ah, ah!), darei uma segunda dica: também não é uma autobiografia (ohhhhhhhhhhhh!). É claro que não. O que um sujeito como eu teria para contar em menos de quarenta anos? Tudo bem: Noel Rosa, Joplin, Hendrix, Cazuza, Renato Russo e Cássia Eller morreram antes dos quarenta e tinham muito o que dividir com o mundo. Longe está de ser meu caso. A minha história, exceto por uma circunstância específica, seria incapaz de suscitar a curiosidade de alguém. Ou seja, eu não teria absolutamente nada interessante que pudesse vir a público em formato de livro. É bem verdade que todos nós, de uma forma ou de outra, sempre temos algo para relatar, muito embora concorde com a opinião do irascível Diogo Maynardi: a maioria das pessoas tem uma história de vida infame.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hoje chega. Amanhã tem mais....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-158899377764854793?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/158899377764854793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=158899377764854793' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/158899377764854793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/158899377764854793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/09/meu-novo-livro-dica-02.html' title='Meu novo livro: dica 02'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-4461492835789346538</id><published>2011-09-17T00:37:00.002-03:00</published><updated>2011-09-17T11:14:37.969-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meu novo livro'/><title type='text'>Meu novo livro: dica 01</title><content type='html'>Ontem avisei no &lt;i&gt;Facebook &lt;/i&gt;que meu novo livro está para sair. Alguns amigos ficaram indignados e chegaram a me xingar por saber da notícia em uma rede virtual. É claro que não pretendia causar nenhum mal-estar. Apenas não comentei nada porque publicações são mais ou menos como a história do tal São Tomé: é preciso ver pra crer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, todavia, com contrato  assinado, miolo e capa prontos achei que avisar sobre a existência da obra seria uma forma legal de não pegar ninguém de supetão, como fiz nos meus dois primeiros livros. Meu erro talvez tenha sido a falta de informação sobre a nova obra: não mencionei seu tema e tampouco seu nome. Em vista disso, recebi mensagens indagando a respeito deles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas mensagens me deixaram muito feliz e, não sei bem por que, acabaram por suscitar em mim aquele infeliz instinto de aguçar a curiosidade alheia. Coisa de espírito de porco!, diria meu avô. Fiquei na dúvida se deveria ou não abrir o jogo e acabar com um falso suspense que, talvez, eu mesmo tenha criado. Pelo sim, pelo não, decidi manter o mistério, apostando que ele dure ao menos uma semana.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, até a próxima quinta-feira, 22/09, postarei aqui no &lt;i&gt;blog &lt;/i&gt;uma dica por dia sobre o livro. Na sexta-feira, postarei a capa, a sinopse e, naturalmente, o título. Tenho ciência do grande risco que corro com esse expediente: certamente irão enxergar na minha atitude um excessivo ar de cabotinismo. Paciência.... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos, então, à primeira dica: posso garantir que o novo livro não é um texto acadêmico. Bem diferente dos anteriores, não é uma obra com análise sociológica ou jurídica sobre qualquer tema. Esqueçam livros científicos, acadêmicos ou técnicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de terminar, gostaria de agradecer o trabalho impecável do meu editor. O Iuri é um craque e tem uma sensibilidade fantástica. Além dele, preciso agradecer o pessoal que cuidou da revisão e do aspecto gráfico da obra. Mais não posso falar, sob pena de entregar o tema e a classificação do livro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até amanhã!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-4461492835789346538?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/4461492835789346538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=4461492835789346538' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4461492835789346538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4461492835789346538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/09/meu-novo-livro-dica-01.html' title='Meu novo livro: dica 01'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-5455669742095808171</id><published>2011-09-10T02:31:00.003-03:00</published><updated>2011-09-12T00:15:29.922-03:00</updated><title type='text'>A insensatez da professora</title><content type='html'>Setembro de 1992. Eu estava no terceiro ano da faculdade. Tinha uma professora a quem não creditava boa avaliação: desconfiava de todas as suas eventuais habilidades intelectuais. Essa desconfiança, aliás, resistiu ao tempo. A longo tempo, diga-se. Não bastasse, sofria com suas esquisitices: aquela senhora apreciava lecionar no meio do &lt;i&gt;campus&lt;/i&gt;, na grama, no concreto ou em qualquer lugar que nos fizesse sofrer com o calor, com os mosquitos e com as conhecidas agruras do clima tropical brasileiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, careço ser sincero. Eu tinha alguma birra dela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucedeu o seguinte. Após o feriado de sete de setembro, a professora, provavelmente sem ter preparado aula, entrou na sala. Pediu para que todos lessem um artigo publicado no feriado por Marilena Chauí, na &lt;i&gt;Folha de S. Paulo&lt;/i&gt;. O recorte de jornal passou de mão em mão, sendo submetido à apreciação de todos. O tempo já avançado precisava ser justificado. Ela, então, perguntou para cada aluno sua opinião sobre aquele texto que considerava brilhante, uma obra-prima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instado a me pronunciar, apenas disse que não via nenhum brilhantismo no texto da lavra da professora Chauí:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Este artigo é um festival de obviedades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém poderia objetar que eu estava disposto a fazer alguma provocação. Não era o caso. Como estudante, supostamente uma consciência crítica – algo quase impossível aos vinte anos! – apenas dei minha opinião. Só isso. Preferia não estar em sala de aula. Gostaria de não ter de me manifestar. Mas tive de fazê-lo. O resultado não poderia ser outro: a mulher se inflamou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde já se viu? A professora Marilena Chauí é uma das maiores intelectuais do Brasil. Seus artigos são geniais. Ela tem mais de não sei quantos livros publicados, é uma inteligência rara.... A professora Marilena Chauí isso, a professora Marilena Chauí aquilo..... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caramba! Será que Marilena Chauí é imune a dizer obviedades? Ou seria tão brilhante que até mesmo suas obviedades devessem ser admiradas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história terminaria aí, não fosse a postura que adotei na semana seguinte. Quando acordei, dei-me conta de que a primeira aula daquela manhã seria com a irascível professora. Desisti de ir para o &lt;i&gt;campus&lt;/i&gt;. Fiquei na república, sem ter o que fazer – o que, sem dúvida, mostrou-se uma alternativa acertada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para minha surpresa, fiquei sabendo que a digníssima docente ainda estava incomodada com meu comentário da semana passada. Disseram-me que ela se saiu com essa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A professora Marilena Chauí tem mais de trinta anos de carreira. Tem gente que nem completou o terceiro ano da faculdade e se vê no direito de criticá-la. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria possível? Além de insensata, minha professora seria covarde? Não me dera direito à defesa? Fizera provocação que não poderia ser rebatida? Alguém sugeriu que eu retrucasse na aula subsequente. Embora não me faltasse vontade, nem cogitei dessa possibilidade. Imagino ter sido naquela ocasião que a tal consciência crítica tenha me dado algum sinal de vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-5455669742095808171?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/5455669742095808171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=5455669742095808171' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5455669742095808171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5455669742095808171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/09/insensatez-da-professora-setembro-de.html' title='A insensatez da professora'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-2309339995206162277</id><published>2011-09-03T02:16:00.003-03:00</published><updated>2011-09-03T02:18:20.457-03:00</updated><title type='text'>Todo mundo tem</title><content type='html'>Quando Chico Buarque compôs a letra da “Ciranda da Bailarina”, esqueceu-se de listar que todo mundo tem um projeto. Não importa a idade, sexo, extração social, nível cultural. Não importa nada. Todo mundo tem um projeto, reitere-se. O que é interessante é que todos os projetos – sem qualquer exceção – já nasceram sob a égide do êxito. São, todos, sinônimo de sucesso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda criança tem um projeto: ser astronauta, bombeiro, médico, jogador de futebol. Um dia, num programa televisivo, perguntaram às crianças de uma escola o que elas seriam quando crescessem (aquela velha história). Cada um correspondeu à expectativa geral: médico, advogado, empresário, policial... De repente, apareceu um sardento e disse pausadamente: quero ser ginecologista. Olhou para a câmera e deu uma gargalhada.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor da academia queria abrir uma pizzaria. Dizia que faria um preço camarada para os alunos dele. Além disso, se pedissem acréscimo de algum ingrediente, não hesitaria em atendê-los. Com esse expediente bastante inventivo, disse que ficaria rico e abriria uma rede de pizzarias. Por certo, tinha uma legião de alunos. Não sei que fim levou o sujeito, se abriu o negócio ou não. Logo depois daquela conversa, desisti da academia. Ainda bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro espertalhão decidiu construir um prédio cujos apartamentos seriam alugados para os estudantes que estavam matriculados na faculdade que distava três quadras do imóvel. O sucesso também era garantido. Com a pequena distância existente entre a morada e a faculdade, os alunos certamente iriam alugar os apartamentos e pagariam o preço que fosse. “A facilidade é muito grande e estudante de universidade privada tem muito dinheiro”, era o que dizia o gênio. Depois de algum tempo, perguntei a ele como estava o andamento das obras e fiquei sabendo que não havia terreno disponível naquelas imediações. O jeito seria procurar por outra localidade. Até hoje ele não a encontrou. Somente por essa razão, não ficou milionário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem outra: dois gordinhos sedentários foram participar de uma corrida com trajeto de 3 ou 4 quilômetros. O mais obeso logo avisou: “O negócio é ir devagar no começo. Depois de algum tempo, todos estarão cansados e nós estaremos na boa. Aí, é só avançar, passar por todo mundo e ganhar a corrida”. Quinhentos metros após a largada, o gordinho papudo, já esbaforido, resolveu cortar caminho. A fiscalização do evento o desclassificou imediatamente. O outro gordinho, em solidariedade ao amigo, desistiu da empreitada. Mas não deixou por menos: “Pô, sem você não tem graça. A gente combinou de ganhar junto”. Por certo, o projeto era coletivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O balconista também tinha um projeto. Ele não gostava de estudar e jamais pensou em fazer graduação. Faria o supletivo e tudo bem. Dizia que, mesmo assim, venceria na vida, largaria o bar do tio e teria uma vida tranquila, sem depender de salário de ninguém. Tinha facilidade para línguas. Convicto, disse que estudaria alemão e inglês e que isso seria suficiente para ser contratado por uma multinacional. Com empenho (esse pelo menos sabia que teria de ralar um pouco), em 2 anos, no máximo, teria um cargo de gerente. Dali para ser sócio, seria um passo. “Vá em frente, meu caro”, foi a única coisa que consegui falar para ele. Eu estava bêbado e não adiantaria estender a conversa. Dei uma força para o camarada. Depois de muitos anos, liguei num departamento da prefeitura municipal e ele atendeu. Está lá até hoje e, ao que tudo indica, é bem versado nos vernáculos germânico e anglo-saxão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo um velho amigo, os entrevistados do Jô na Globo também têm um projeto. Se forem artistas, então.... Haverá sempre uma novela, um filme a ser feito ou dirigido, uma temporada no teatro ou uma turnê musical. Em suma, ninguém escapa de ter um projeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu tenho um? Não. Tenho um desejo: viver de renda. Só não sei como fazer isso. Se alguém souber, por favor, me avise. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-2309339995206162277?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/2309339995206162277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=2309339995206162277' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2309339995206162277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2309339995206162277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/09/todo-mundo-tem.html' title='Todo mundo tem'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-4777959805467498730</id><published>2011-08-12T00:38:00.000-03:00</published><updated>2011-08-12T00:38:04.392-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Língua brasileira'/><title type='text'>Tipo assim: Chico</title><content type='html'>&lt;br /&gt;Sempre tive aversão à expressão “tipo assim”, embora soubesse que ela é bastante útil, já que capaz de ser usada em várias situações, como se fosse uma expressão coringa. “Tipo assim” dá a ideia de que algo pode ser explicado por seu exemplo, o que, segundo entendo, é conduta temerária. Exemplos servem para ilustrar e jamais para explicar o que quer que seja. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um aluno me dizia “Professor, é tipo assim”, eu logo o interrompia para avisá-lo que “tipo assim” não existe. Existe, sim, uma espécie, uma modalidade, um gênero, uma semelhança com algo. Alguns usuários da expressão são, todavia, econômicos: não usam o “assim”. Limitam-se ao “tipo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o passar do tempo, a expressão começou a me incomodar. Achava que seus usuários eram desprovidos de vocabulário suficiente para se expressar. Falar “tipo” ou “tipo assim” era, ao menos para mim, uma tentativa de suprir a incapacidade de verbalização. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, quando tomei conhecimento de uma das belas canções do novo CD do Chico, “Tipo um baião” (Biscoito Fino, 2011), fiquei meio estarrecido. Não queria acreditar que o poeta tivesse feito aquilo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja-se alguns trechos da música: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Porém você&lt;br /&gt;Diz que está tipo a fim&lt;br /&gt;De se jogar de cara num romance assim&lt;br /&gt;Tipo para a vida inteira&lt;br /&gt;(....)&lt;br /&gt;Você vem para enfeitar minha vida&lt;br /&gt;Diz que será&lt;br /&gt;Tipo festa sem fim&lt;br /&gt;(....)&lt;br /&gt;Porém você tipo me adora mesmo assim&lt;br /&gt;Meio mané, por fora&lt;br /&gt;(....)&lt;br /&gt;Igual que nem&lt;br /&gt;Fole de acordeão&lt;br /&gt;Tipo assim num baião&lt;br /&gt;Do Gonzaga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suprimir ou substituir o “tipo” na letra da música, sem comprometer seu conteúdo, é possível, não é? Mas é aí que reside a graça da composição: mostrar que o “tipo” é perfeitamente dispensável. Ao enfatizá-lo – colocando-o, inclusive, no título da música – Chico talvez tenha chamado a atenção para sua desnecessidade, malgrado seja utilizado por tanta gente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música mexeu comigo. Depois de tanto apreciá-la – e, sobretudo ouvir Beatriz cantá-la com absoluta intimidade - já me flagrei falando “tipo” algumas vezes. Acho que é, tipo assim, culpa do Chico. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-4777959805467498730?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/4777959805467498730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=4777959805467498730' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4777959805467498730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4777959805467498730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/08/tipo-assim-chico.html' title='Tipo assim: Chico'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-6999079496034752054</id><published>2011-06-24T23:25:00.007-03:00</published><updated>2012-02-11T00:34:30.941-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Tio Harlan 5</title><content type='html'>Tio Harlan 5 - Roberto Barbato Jr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que o tio Harlan foi preso? A história é longa.... Além de filho da puta, alcoólatra e papudo, ele já foi, também, estelionatário. Pegou cana, no duro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim. O Elias, que era um amigo esperto do tio Harlan, o chamou para montar um negócio de muita rentabilidade e pouco investimento. O capital a ser empregado pelo grande Harlan seria sua inteligência, seu próprio talento. Nada melhor para alguém que se supõe um gênio. É claro que mesmo antes de saber do que se tratava, a mula aceitou o negócio. Já disse, de chofre, que o Elias  podia contar com ele incondicionalmente. “Se a minha participação no negócio é o meu talento, tô dentro” (as rimas do tio Harlan....). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O negócio consistia em arrebanhar uma quantidade  considerável de pessoas que estivessem dispostas a acreditar no poder da palavra. Palavra de Deus, é óbvio. O tio Harlan, com sua enorme capacidade de persuasão, seria o representante do Senhor na terra, um demiurgo contemporâneo. Naquela época estavam pipocando religiões as mais diversas e o que não faltava no Brasil era igreja. Tinha mais igreja do que farmácia, ótica e padaria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tio Harlan treinou para ser pastor: leu a Bíblia inteira em seis meses, estudou técnica vocal, impostação de voz e resolveu adotar aquele sotaque dos pastores, com erre arrastado e tudo. Depois, encomendou uns ternos sóbrios, pôs aliança na mão esquerda – o casamento com Deus era de rigor – e assumiu sua nova identidade: virou pastor.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ele fez tudo isso, o Elias preparou a infraestrutura do negócio. Alugou um pequeno terreno em que eram feitas as quermesses anuais do bairro. Ali tinha um palco, um microfone, um amplificador e duas caixas de som robustas. Dava para fazer um estrago considerável com aquele equipamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A data do primeiro culto foi divulgada por meio de anúncios pequenos, distribuídos nas ruas. A ideia era simples: convocar a vizinhança para conhecer a palavra do grande sábio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Culto da Igreja do Grande Sábio: a palavra da verdade” &lt;br /&gt;“Sábado, às 18h30 no espaço comunitário do bairro Santa Clara”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Grande Sábio revelaria a palavra da verdade. Ninguém imaginou, contudo, que o grande sábio fosse o tio Harlan. Todos imaginavam que se tratasse de Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O culto demorou uma hora. Não é que o tio Harlan deu conta do recado? Durante o tempo em que estava lá falando, o Elias arrecadava dinheiro para as obras da Igreja do Grande Sábio. O valor arrecadado foi bom, mas ainda havia muito a ganhar. Na quarta semana, há tinha gente de outros bairros participando do culto. Era o momento de inovar: com seu incrível talento para negócios, o tio Harlan contratou um grupo musical e encomendou umas músicas religiosas. O Grande Sábio era tema de todas elas. Virou um herói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um ano, o terreno em que eram realizados os cultos já era insuficiente pra acomodar tanta gente e as obras da igreja nem sonhavam em começar. O dinheiro estava todo aplicado. Alguma atitude tinha que ser tomada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento era aquele: tio Harlan e Elias decidiram resgatar as aplicações, dividir a grana arrecadada e partir para Portugal, onde também criariam, em uma cidadezinha qualquer, a Igreja do Grande Sábio. Enganar português é muito mais fácil, pensavam os dois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estavam prontos para deixar o Brasil, o Elias mudou os planos. Pegou todo o dinheiro para si e foi para o Paraguai, de carro. Deixou um bilhete para o amigo: “A sabedoria é uma virtude”. Nunca mais veria o tio Harlan e tampouco os fiéis da Igreja do Grande Sábio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobre e incapaz de sustentar aquele esquema fabuloso, tio Harlan caiu em desgraça: não conseguiu se explicar para os fiéis e enfiou a cara na bebida. Foi acusado de estelionato e, sem que pudesse contratar um bom advogado, foi condenado e preso. Ninguém acreditou! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tio Harlan entrou para a história: foi o único – repito: o único – pastor do Brasil que abusou da boa-fé alheia e se fodeu. Grande tio Harlan....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-6999079496034752054?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/6999079496034752054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=6999079496034752054' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6999079496034752054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6999079496034752054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/06/tio-harlan-5.html' title='Tio Harlan 5'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-1181520288202174598</id><published>2011-06-23T00:03:00.001-03:00</published><updated>2011-06-23T00:08:11.818-03:00</updated><title type='text'>Grandes interpretações</title><content type='html'>Voltando à brincadeira das listas (livros, filmes, músicas, etc), resolvi fazer uma de grandes músicas intepretadas por grandes músicos. Não se trata de intepretações definitivas, mas apenas especiais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A brincadeira é simples: não vale música interpretada por seu compositor e tampouco se admite repetir o intérprete.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lá: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sala de Recepção”, de Cartola, por Chico Buarque&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Modinha (Seresta)”, de Villa-Lobos e Manuel Bandeira, por Tom Jobim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Retrato em branco e preto”, de Chico Buarque, por Ney Matogrosso e Raphael Rabello&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Olha, Maria”, de Chico Buarque, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, por Milton Nascimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As rosas não falam”, de Cartola, por Paulinho da Viola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Preconceito”, de Wilson Batista e Marino Pinto, por João Gilberto &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Berimbau”, de Baden Powell, por Toquinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Desafinado”, de Tom Jobim e Newton Mendonça, por João Bosco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A correnteza”, de Tom Jobim, por Djavan&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Folhetim”, de Chico Buarque, por Gal Costa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Molambo", de Jayme Florence e Augusto Mesquita, por Yamandú Costa e Dominguinhos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Olhos nos olhos”, de Chico Buarque, por Maria Bethânia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O bêbado e a equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, por Elis Regina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O mundo é um moinho”, de Cartola, por Olivia Byington&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Dança da solidão”, de Paulinho da Viola, por Marisa Monte e Gilberto Gil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Coração vagabundo", de Caetano Veloso, por Ana Canas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“The very thought of you”, de Nat King Cole, por Etta James&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Dream a little dream of me”, de Kahn / Schwandt-Andre, por Zizi Possi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“You don’t know me”, de Cindy Walker e Eddy Arnold, por Ray Charles&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“So in Love”, de Cole Porter, por Caetano Veloso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Every time we say goodbye, de Cole Porter”, por Ella Fitzgerald&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Love for Sale”, de Cole Porter, por Billie Holliday&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“I only have eyes for you”, de Harry Warren/Al Dubin, por Frank Sinatra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Requiem”, de Mozart, pela Filarmônica de Berlin (regência de por Herbert von Karajan)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;”My pledge of Love”, de The Joe Jeffrey Group, por Nando Reis &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“We can’t work it out”, dos Beatles, pelo Deep Purple&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Crazy”, de Seal, por Allanis Moressette&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cometi alguma injustiça? Esqueci alguma música? Mandem sugestões!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-1181520288202174598?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/1181520288202174598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=1181520288202174598' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1181520288202174598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1181520288202174598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/06/grandes-interpretacoes.html' title='Grandes interpretações'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-850724145689837856</id><published>2011-06-18T01:31:00.000-03:00</published><updated>2011-06-18T01:31:25.476-03:00</updated><title type='text'>Billie Holiday</title><content type='html'>Billie Holiday nasceu em 1915 e morreu em 1959. Tinha, portanto, 44  anos. Sua voz ainda não havia passado por aquela metamorfose que torna maduro o timbre de quem canta. Há, nisso, um glamour singular, uma espécie de valor histórico que, de certa forma, contrapõe-se ao brilho estético almejado por tantos intérpretes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardadas, bem ressalvadas as proporções devidas, é mais ou menos como ouvir as interpretações de Noel Rosa em sua própria voz: soa fraco, sem viço, sem beleza. Todavia, dá uma sensação, um ar de genialidade histórica insuperável. Talvez o mesmo se possa dizer dos primeiros discos do Chico: arranjos de sambas com coral e uma levada que ele não mais retomaria em suas obras subsequentes. A voz, também, algo fina e sem potência, marca presença naqueles trabalhos. Sim, eu sei que muitos dirão que ainda hoje isso é uma realidade. Deixemos para lá....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Billie nada soa grandioso senão a particularidade de sua voz e de suas interpretações. Salvo engano - e segundo informações de um grande admirador -, ela não participou de nenhuma grande produção, de nenhum projeto musical de requinte. Sua vida faz parte daquele submundo cuja descrição muitas vezes nos chegou por meio das telas cinematográficas: o mundo do jazz, do Harlem, da prostituição, do álcool barato, do fumo ordinário e das drogas que a levaram à ruína. Nela, tudo é &lt;i&gt;underground&lt;/i&gt;, quase tudo recende a melancolia e a depressão. Sua voz fina na trilha de filmes antigos conjuga, com maestria, a estética musical com o fundo histórico de uma época que produziu grandes gênios da música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi, pois, uma vontade de ouvir o tal “glamour singular” mencionado acima que, recentemente, despertou-me a curiosidade por sua obra. Bastou pouco tempo para chegar à conclusão que “Love for Sale” é uma das mais belas de suas interpretações. Creio que essa seja a única – repito: única – interpretação que ficou melhor em sua voz do que na voz da Ella, a maior cantora de todos os tempos, conforme já mencionei aqui, em 2008, no post &lt;a href="http://lapisimpreciso.blogspot.com/2008/05/ella.html"&gt;Ella&lt;/a&gt;.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também outras preciosidades que Billie logrou gravar: “Lover Man”, “Easy to Love”, “Big Stuff”, “Georgia on my mind”  e “Don’t Explain” (composição de sua lavra). Extasiante é o dueto com o velho e bom Louis Armstrong em “My Sweet Hunk O’Trash”. Vale a pena ouvir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é.... agora, mais essa: apaixonado pela Billie também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-850724145689837856?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/850724145689837856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=850724145689837856' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/850724145689837856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/850724145689837856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/06/billie-holiday.html' title='Billie Holiday'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-7729593446896424370</id><published>2011-06-06T20:42:00.001-03:00</published><updated>2011-06-06T20:43:20.967-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Língua brasileira'/><title type='text'>Enfim, ao acordo ortográfico</title><content type='html'>“....nem uma mulher em chamas cede um beijo assim de antemão. &lt;br /&gt;Há sempre um tempo, um batimento, um clima que a seduz”.&lt;br /&gt;Lábia – Chico Buarque e Edu Lobo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jurei que até o último momento resistiria bravamente às imposições do acordo ortográfico, assinado pelo Luiz Inácio em 2009. No post “&lt;a href="http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/06/o-acordo-ortografico-ainda.html"&gt;Acordo ortográfico, ainda&lt;/a&gt;”, publicado aqui em 23/06/2009, mencionei algumas impressões negativas e alguns problemas que supunha haver nas alterações feitas na “última flor do Lácio”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo mais, completará dois anos que fiz a promessa. Até que resisti bem. Agora, entretanto, faltando pouco mais de seis meses para acabar o prazo determinado, decidi romper o prometido. Minha decisão defluiu de algo simples: como tudo exige um pouco de cautela, antecipação e preparo, entendo que seria melhor usar o segundo semestre para, por exemplo, acostumar-me à terrível ideia de escrever ideia sem acento ou escrever contrassenso sem hífen. Preciso iniciar aquela fiscalização básica que deve acontecer toda vez que logramos mudar de hábitos. Será difícil, mas, ainda contrariado, preciso tentar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geleia, assembleia, ideia, joia, heroico, feiura, coautor, corréu, benquerido, contrarrazões.... Espero chegar lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diz a música do Chico e do Edu, deve haver “sempre um tempo, um batimento”. O meu só começou agora....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-7729593446896424370?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/7729593446896424370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=7729593446896424370' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/7729593446896424370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/7729593446896424370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/06/enfim-ao-acordo-ortografico.html' title='Enfim, ao acordo ortográfico'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-3329849663767896221</id><published>2011-05-08T03:02:00.004-03:00</published><updated>2011-05-08T11:05:27.646-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Tio Harlan 4</title><content type='html'>Tio Harlan 4 - Roberto Barbato Jr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tio Harlan realmente impressiona. Ele causa &lt;i&gt;frisson &lt;/i&gt;na mulherada e nos incautos. Sabe aquele sujeito que, no primeiro encontro, parece ser agradável, boa pinta e elegante? Aquele homem com o qual todos se deliciam, por tão agradável que parece ser? O tio Harlan é assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando é apresentado para alguém, ele faz de tudo: conta piada, narra histórias, fala de suas viagens à Europa e aos Estados Unidos. As pessoas chegam a acreditar nele. Ok: o cara é megalomaníaco, mas nem tanto. No fundo, sabe que se a mentira for grande, não será crível. Então, quando percebe a iminência do exagero, refreia seus impulsos. Menos mal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das histórias de vida, o tio Harlan sabe contar piadas como ninguém. Ele tem a manha. Nunca se embaralha ao fazer a narrativa. Toda a trama é contada com coerência, sem enganos, sem avanços, sem tropeços. O final é sempre surpreeendente. Mais que isso, ele nunca – nunca mesmo – explica a piada. Se você ouviu uma anedota da boca dele, por mais infame que seja, a gargalhada será sua reação. Niguém jamais precisou fazer qualquer tipo de explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, há nele uma outra grande virtude: ele sempre sabe quando parar. Ao perceber que as risadas começam a rarear, aborta a missão. Tem senso de percepção. Você pode não acreditar, mas ele tem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu único escorregão nesse terreno cômico é que nunca deixa de contar uma piada de Joãozinho. Aquela que mais gosta é a do teste da memória. Ela nem tem graça, mas ele adora e conta com frequência. E o pior é que todo mundo ri. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais ou menos assim....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Joãozinho, Pedrinho e Juquinha apostavam quem tinha uma memória melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu consigo me lembrar perfeitamente - gabava-se o Pedrinho – do tempo que a minha mãe me dava de mamar. Se eu fecho os olhos sou capaz de sentir o calor do seu peito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso não é  nada - retrucou Juquinha. - Pois eu me lembro no dia em que eu nasci... Aquele túnel escuro... e o médico me segurando pelas pernas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso não é  nada - argumentou Joãozinho. - Eu me lembro de ter ido num piquenique com o meu pai e voltado com a minha mãe!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu contasse essa piada, certamente ninguém riria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, é por essas e outras que as pessoas adoram o tio Harlan quando o conhecem. Ele é o cara mais legal do mundo no primeiro encontro. Só aos poucos é que se percebe que o sujeito é um picareta. Mesmo assim, pasme, tem um número significativo de fãs, dentre os quais eu, naturalmente, não me incluo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha opinião é inarredável: o tio Harlan é um filho da puta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-3329849663767896221?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/3329849663767896221/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=3329849663767896221' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3329849663767896221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3329849663767896221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/05/tio-harlan-4.html' title='Tio Harlan 4'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-1232753157217523065</id><published>2011-05-03T00:52:00.000-03:00</published><updated>2011-05-03T00:52:05.268-03:00</updated><title type='text'>Sabiá versus Caminhando e Cantando</title><content type='html'>Georg Lukács escreveu um belíssimo artigo intitulado “Arte livre &lt;i&gt;versus&lt;/i&gt; arte dirigida”. Não me recordo ao certo a que conclusão teria chegado o crítico húngaro. Tampouco me recordo do teor do texto. Todavia, seu título, vira e mexe, me sugere algumas reflexões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1992, a TV Globo passou o seriado “Anos rebeldes”, cujos protagonistas João Alfredo e Maria Lúcia – interpretados por Cássio Gabus Mendes e Malu Mader – discutem sobre o resultado do festival de 1968. As músicas finalistas eram “Sabiá”, de autoria de Tom Jobim e Chico Buarque, e “Caminhando e Cantando” (“Para não dizer que eu não falei de flores”), de Geraldo Vandré. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sabiá” foi a vencedora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na trama de Gilberto Braga, João Alfredo - militante sectário, intransigente -  bradava em tom colérico para sua namorada Maria Lúcia que “Sabiá” jamais poderia ter sido a campeã do festival. Dizia que “Caminhando e Cantando” era um hino à liberdade. Representava, ademais, o momento político por que passava a sociedade brasileira naquele momento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Lúcia rechaçava os argumentos de João Alfredo dizendo que “Sabiá” era, esteticamente, muito mais densa, mais bonita, enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final da série, quando a relação dos dois se mostra impossível, João Alfredo se reporta à antiga discussão para concordar com Maria Lúcia. Ela tinha razão: “Sabiá” merecia ter sido a vencedora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitura que fiz do embate entre as duas obras primas é bastante simplória. Enquanto a composição de Vandré dava voz aos gritos sufocados de liberdade na época da ditadura militar - assumindo, portanto, nítidos laivos políticos -, “Sabiá” se mostrava muito mais bela, melhor trabalhada e, esteticamente, muito superior. Tratava-se, naturalmente, da contraposição entre a arte dirigida, feita com propósitos interessados, e a arte livre, despojada de qualquer pretensão contestatória. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: “Caminhando e Cantando”, tornou-se, mesmo após o regime de exceção, um hino de manifestação estudantil. Na minha época de estudante, constituía um inenarrável porre ouvir a acéfala geração cara-pintada cantar “vem, vamos embora que esperar não é saber....”. Mal sabe Vandré a quais propósitos sua música serviu nos anos 1990....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-1232753157217523065?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/1232753157217523065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=1232753157217523065' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1232753157217523065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1232753157217523065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/05/sabia-versus-caminhando-e-cantando.html' title='Sabiá versus Caminhando e Cantando'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-4046185670485965795</id><published>2011-04-24T21:45:00.000-03:00</published><updated>2011-04-24T21:45:33.396-03:00</updated><title type='text'>Tropa de Elite 2</title><content type='html'>Já que no &lt;i&gt;post &lt;/i&gt;passado falei sobre minhas impressões a respeito da “Guerra do tráfico”, seguem dois pequenos parágrafos sobre Tropa de Elite 2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se visto pelo prisma da ficção, trata-se de um bom filme. Embora as conexões políticas com a questão do narcotráfico e da segurança pública sejam bem urdidas, não se pode tomar a trama cinematográfica como elemento bastante para explicar a realidade da capital fluminense. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida, o filme é mais denso que o primeiro. É mais bem amarrado, tecido. Wagner Moura continua impagável e personagens do primeiro filme aparecem com mais destaque. A narrativa parece assumir um tom maduro, encontrando-se mais afiada com o roteiro e as situações (fictícias, é claro) expostas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada além disso....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-4046185670485965795?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/4046185670485965795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=4046185670485965795' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4046185670485965795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4046185670485965795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/04/tropa-de-elite-2.html' title='Tropa de Elite 2'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-4729905791110970150</id><published>2011-04-16T00:58:00.000-03:00</published><updated>2011-04-16T00:58:41.285-03:00</updated><title type='text'>Impressões tardias sobre a guerra no Rio</title><content type='html'>Agora que o assunto não está mais no centro dos debates nacionais, que as discussões já serenaram e que a mídia não mais se preocupa tanto, gostaria de fazer sumárias - e tardias - observações sobre aquilo que se convencionou chamar de a “Guerra contra o tráfico”, ocorrida nos meses finais de 2010. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2006, quando publiquei meu livro (&lt;i&gt;Direito informal e criminalidade: os códigos do cárcere e do tráfico&lt;/i&gt;), trabalhei com uma premissa básica e já bastante divulgada por outros autores: a de que a população das comunidades faveladas permeadas pelo narcotráfico geralmente apóia a conduta de seus líderes e repudia as iniciativas da polícia e/ou do poder estatal. Esta postura só se explica pela absoluta ausência do Estado nessas comunidades. Ante as lacunas deixadas pelo poder oficial, é sintomático que irrompam formas alternativas de resolução dos conflitos sociais no morro. A partir de benfeitorias assistencialistas (construção de quadras poliesportivas, pagamento de material escolar a familiares que contribuem para o “movimento”, organização de bailes funks, saneamento, asfalto, etc), os líderes do tráfico logram obter uma legitimidade que seria motivo de inveja a vários políticos do cenário brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa tese, factível e verificável até os dias atuais, suscitou, com o novo embate entre o Estado e o Tráfico, algumas reflexões. Primeiramente, são dignas de notas as manifestações positivas da população em relação às investidas da operação conjunta entre Polícia Militar, Exército e Polícia Federal. Segundo consta das notícias midiáticas, vários foram os moradores da Favela do Cruzeiro e também do Complexo do Alemão que mostraram deliberadamente sua expectativa de que a força do poder oficial pudesse solapar, de vez, os desmandos do narcotráfico em suas comunidades. É bem verdade que não se pode deixar de mencionar, também, que abusos por parte da polícia foram registrados por moradores. Mas isso, por si só, renderia nova discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro aspecto dessa “guerra” que suscita debates é a eficácia das ações estatais para o combate ao tráfico. Sempre ouvi dizer, dos ingênuos desejosos de paz, que, a qualquer momento, a polícia poderia invadir os morros cariocas e acabar com tudo aquilo. Leia-se: acabar com o narcotráfico. Ou seja, acreditava-se que a polícia poderia arrostar o poder paralelo e minar suas bases. Para isso, diziam os incautos, bastaria que houvesse, por parte do Estado, vontade política. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas discussões, sempre argumentei que a polícia não tinha sequer equipamento (armas de fogo) suficiente para uma investida eficaz nas favelas. Anotei também no meu livro – e isso é bastante sabido – que os armamentos mais sofisticados, muitos deles privativos de forças militares estrangeiras, constituem a base da beligerância do tráfico. Ora, se o fuzil mais sofisticado do mundo pertence aos líderes do narcotráfico carioca, não é com pistolas de calibre baixo que o aparato policial conseguirá êxito em um confronto armado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é.... a experiência recente de ocupação dos morros mostrou que, em conformidade com o que muita gente pensava, bastou haver a tão propalada vontade política, organização e ação para que algo realmente significativo fosse feito. Em outros termos, aqueles que defendiam o grande poderio do tráfico ficaram perplexos com a facilidade policial para promover o êxodo de alguns traficantes de seus redutos. Hoje, certamente, aqueles que acima qualifiquei de incautos, devem estar vociferando, dizendo que tudo é muito simples. Num momento de desvario, cheguei mesmo a perguntar se eles – os tais incautos – não teriam razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, um último comentário. Atualmente, há uma ilusão de que as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) conseguirão manter os traficantes longes do morro. Até segundo aviso, não pretendo acreditar rigorosamente nisso. Caso não haja ação constante e presença do Estado para preencher as lacunas que geraram o assistencialismo dos narcotraficantes, a antiga estrutura irromperá novamente. Estaremos, portanto, diante de um círculo vicioso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é, enfim, estrutural e não episódico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-4729905791110970150?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/4729905791110970150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=4729905791110970150' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4729905791110970150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4729905791110970150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/04/impressoes-tardias-sobre-guerra-no-rio.html' title='Impressões tardias sobre a guerra no Rio'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-1269446963522015208</id><published>2011-04-09T13:44:00.002-03:00</published><updated>2011-04-19T00:42:57.790-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Tio Harlan 3</title><content type='html'>Tio Harlan 3 - Roberto Barbato Jr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de contar por que o tio Harlan foi parar na cadeia, vou falar sobre seu ponto fraco. É claro que um sujeito como ele há de ter um ponto fraco. Todo mundo tem, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois o ponto fraco do tio Harlan chama-se Aline. Ela é morena, olhos pretos, busto na medida – nem grande, nem pequeno – e as coxas mais lindas das quais já tive notícia. Quando fala, Aline não alteia a voz, mantém o mesmo timbre, o mesmo volume e a mesma cadência. Tem uma voz rouca que parece um sussurro direcionado ao tubo auditivo. Ela não anda, flutua. É de deixar qualquer homem louco. Na frente do tio Harlan, então, ela causa verdadeiro estrago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a conheceu, fez de um tudo para conquistá-la. Procurou o seu endereço na lista telefônica (ainda não existia internet) e mandou rosas pra casa dela, de duas em duas horas. Cada buquê com um cartão diferente. A família da moça espirrou a noite inteira: todo mundo lá era alérgico a flores, mas o idiota não sabia disso, nem poderia prever. Ficaram todos curiosos e, de alguma forma, disseram que se vingariam do remetente, fosse quem fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a menina ainda não sabia quem era o tio Harlan, a besta resolveu ligar pra casa dela para ouvir sua voz. A paixão já havia assumido proporções grandiosas. Ligava e não falava nada, ficava com o telefone na orelha ouvindo “alô, alô, alô”, como se aquilo lhe pudesse dar algum prazer. Naquela  época também não tinha bina e, por isso, o tio Harlan abusava das ligações. A família da Aline já não sabia mais o que fazer quando atendia um telefone mudo.  Apelidaram o interlocutor silente de mudinho. Mal sabia o retardado do meu tio que ele já tinha até apelido para a família da moça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando foi apresentado para a menina, quase teve uma caganeira. Tremeu, ficou vermelho e gaguejou. A moça, um pouco surpresa, perguntou se ele passava bem. Por um milagre, em duas semanas começaram o namoro. O tio Harlan estava nas nuvens. Conheceu o futuro sogro, a sogra e as duas cunhadas (que também eram lindas mas não chegavam aos pés da irmã). Passou a frequentar a casa dela, almoçava, jantava e assistia ao Jornal Nacional na sala com todos. Àquela altura dos acontecimentos, o sogro, que não era bobo, nem nada, já tinha sacado que o mudinho e o remetente das flores eram a mesma pessoa, ou seja, a besta do tio Harlan. Afinal, os telefonemas mudos não já existiam mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Namoro no sofá, intimidade com as cunhadas, beijinho atrás da porta, mãozinha aqui, mãozinha ali.... e tio Harlan se achando o sujeito mais gostoso do mundo. Do dia pra noite, tomou o fora. Foi uma hecatombe. Aline confessou que estava apaixonada pelo Tarcísio e que já tinha iniciado com ele um relacionamento intenso. Muito intenso, ela fez questão de frisar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que o Tarcísio era o melhor amigo do meu tio, amizade antiga, de infância mesmo. Ele não conseguia entender como aquilo foi acontecer: o Tarcísio era desengonçado, mal arrumado, tinha crateras de espinhas no rosto e, pior, mau hálito. Parecia que tinha engolido um urubu. Perder a Aline para ele era um pesadelo, dos piores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tio Harlan chorou noventa noites seguidas. Foi nessa época que começou a beber pra esquecer a Aline. Nunca esqueceu. Quando ouve algum comentário sobre ela ou a encontra casualmente, fica pálido, sem ação. Chega mesmo a tremer. Depois, arruma um jeito de se isolar num banheiro qualquer e chora a falta da amada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coitado. Nem o tio Harlan - que é um filho da puta - merecia isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-1269446963522015208?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/1269446963522015208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=1269446963522015208' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1269446963522015208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1269446963522015208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/04/tio-harlan-3.html' title='Tio Harlan 3'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-2117303659269827281</id><published>2011-04-02T00:55:00.002-03:00</published><updated>2011-04-02T01:38:11.644-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Tio Harlan 2</title><content type='html'>Tio Harlan 2 - Roberto Barbato Jr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é. O tio Harlan nem sempre foi um filho da puta. Quando eu era pequeno achava que ele era um sujeito bacana. Vivia me contando suas experiências exitosas. Eu morria de admiração por ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez me relatou que um de seus grandes méritos foi ter vencido os 100 metros livres numa olimpíada. Falou que, naquele dia, se sentiu o máximo, como se fosse um motor da Ferrari. A potência em pessoa, a velocidade encarnada num corpo humano. Chegou à frente dos outros competidores com uma diferença de 7 segundos, o que, segundo ele, era uma eternidade. “Carl Lewis? Nunca ouvi falar”, dizia desdenhoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas olimpíadas seguintes, a dar provas de sua versatilidade, resolveu mudar o esporte. Tornou-se nadador. Venceu tudo a que tinha direito: crawl, costas, borboleta e, principalmente, o nado de peito. Era medalha atrás de medalha. Com o sucesso, chamaram-no pra ser treinador de uma equipe norte-americana. O problema era que seu passaporte estava vencido e ele tinha preguiça de renová-lo. Então, acabou recusando a proposta. “Isso é pra quem pode”, respondeu quando perguntei se o motivo da recusa era aquele mesmo. Acreditei, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua última incursão no mundo esportivo teria sido como tenista. A carreira só não foi longe porque ele enjoou do barulho da bola e dos gemidos dos jogadores. Odiava quando alguém batia na bola e soltava um ãããh. Dizia que aquilo era coisa de maricas. Mesmo admitindo que não teve lá muito sucesso, sempre contou aos quatro ventos que derrotou o Borg, no auge da sua forma física. Encontraram-se num clube paulistano para uma partida as dez horas da noite. Pouca gente presenciou o espetáculo, a pedido do próprio Borg, que pressentia a derrota para o grande tenista Harlan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pô, o tio Harlan era o máximo. Era o cara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei sem graça quando a tia Cecília, ex-mulher dele, me confessou que o filho da puta nunca passou perto de uma piscina ou de uma quadra. Na juventude, o que ele mais sabia fazer era encher a cara. Bebia como um doido. Dava baixaria, caía, berrava. Xingava meia cidade e acabava sendo levado pra casa por alguma boa alma que o encontrava em estado lastimável na rua. “Seu avô morria de vergonha”, disse a tia Cecília. O tio Harlan, quem diria, era o maior alcoólatra da paróquia. Pois é: além de filho da puta, era também alcoólatra. E papudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se hoje ele ainda bebe? Não, claro que não. Ele parou com isso. Na cadeia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-2117303659269827281?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/2117303659269827281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=2117303659269827281' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2117303659269827281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2117303659269827281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/04/tio-harlan-2.html' title='Tio Harlan 2'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-3463476760619937115</id><published>2011-03-12T21:19:00.002-03:00</published><updated>2011-03-12T21:22:46.682-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>O chefe</title><content type='html'>O chefe - Roberto Barbato Jr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chefe anda tomando alguma coisa estranha. Todo mundo que passa pela sala dele se pergunta o que é aquele pote com suco amarelo que fica em cima da mesa do computador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele começou a tomar o negócio há pouco tempo. Desde então, suspeita-se que seu humor se alterou – ainda mais do que geralmente se altera, já que o cara é dessas pessoas identificadas como bipolar. Disseram que, só ontem, deu umas quinze patadas na secretária. Xingou a moça e disse que assim ela não se manteria lá. Depois, aparentando um bem-estar incomum, quase uma felicidade, foi para a sala de reunião com um cliente. O sujeito saiu de lá assustado, como se tivesse ouvido alguma barbaridade ou visto o capeta. Perguntou para a secretária se já poderia ir embora. Pois não, é por aqui, disse ela mostrando a saída. Quando a porta se abriu, ele saiu correndo, como um louco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da tarde, o chefe apareceu na copa do escritório com o suco amarelo na mão. A feição era de quem estava enfurecido. Todo mundo ficou preocupado e cada um foi se encolhendo, buscando uma alternativa – ou uma desculpa – para sair dali. Se ele desse mais um passo, ia ser um rebu. Teria até gente pisoteada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a secretária conhece a família há tempos, resolveu chamar o pai para uma conversa. Explicou o que estava acontecendo, disse que ninguém mais se sentia seguro em trabalhar ali, sob as ordens e desmandos dele. O pai perguntou o porquê e foi informado que um tal de suco andava fazendo a cabeça do rapaz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Suco amarelo?, perguntou o pai. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, um composto estranho, ela explicou. Depois que ele toma, a coisa fica preocupante por aqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, sei – disse o pai. Por acaso, é um suco meio granulado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse mesmo – ela respondeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei, sei. Deixe comigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai subiu para a sala do filho. Foi recebido a tapas. Mal entrou, levou um na cara. Começou a gritar e a pedir para parar. O filho batia mais, a mão aberta, tapa estalado. Houve um grande barulho: a estante caiu. Em cima do pai, claro. O chefe abriu a porta e o velho, todo machucado, lágrimas nos olhos, foi embora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um mês, irresignados, pedimos demissão. Talvez os loucos fôssemos nós mesmos. Hoje, curiosamente, todo mundo toma o tal suco amarelo. Muita coisa mudou em nossas vidas. Felizmente não somos chefes. Ainda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-3463476760619937115?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/3463476760619937115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=3463476760619937115' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3463476760619937115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3463476760619937115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/03/o-chefe.html' title='O chefe'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-3001847602180012907</id><published>2011-03-05T01:08:00.004-03:00</published><updated>2011-03-05T01:34:59.886-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>O rosto da Lili</title><content type='html'>O rosto da Lili - Roberto Barbato Jr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu queria mesmo era encontrar um rosto bonito, nas capas de revistas. Parava em frente à banca e ficava procurando. Ia de uma em uma, capa por capa, fileira por fileira. Quando cansava, parava e comprava umas palavras-cruzadas. Na hora de pagar, voltava os olhos para as fileiras que tinham faltado na primeira busca. Enquanto o seu Altenor me dava o troco, terminava minha procura. Se dava tempo? Claro que dava. As publicações não eram muitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o passar do tempo, passei a ser mais exigente. Não queria só um rosto bonito, queria a perfeição: medidas, cores, volumes, tudo tinha que ser perfeito, inclusive o conjunto da obra. Seria difícil, mas quem sabe um dia....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Altenor investiu na banca. Comprou umas revistas importadas, fez negociação com o pessoal da capital e passou a ser o vendedor exclusivo de tudo aquilo que a cidade não conhecia. Aos poucos fui me acostumando àquelas capas coloridas, cheias de detalhes sofisticados e mulheres lindas. Pena que não tinham o rosto perfeito. Acho que já estava me rendendo e a paciência, certamente, não iria longe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No carnaval daquele ano, tomei um susto quando estava passando perto da banca. O seu Altenor me chamou para ver as fotos da Lili Neves. Queria me mostrar como era boa, como tinha o corpo perfeito. E o rosto também, falei. Era o rosto que eu procurava. Até parecia que eu havia feito o desenho dele e mandado alguém esculpir. A Lili Neves era um estouro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puta que pariu!, gritei. Por pouco não babei na capa da revista. Corri pra casa, peguei o resto da mesada no cofrinho e contei as notas com a esperança de que somassem o que eu precisava. Faltou grana e, para complicar, o dia de receber a mesada estava longe. Seu Altenor seria compreensivo? Naturalmente, deixou que eu o pagasse no início do mês seguinte. Lá fui eu com a Lili Neves para casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana seguinte, ela estreou na televisão, como atriz de novela. Não perdi um capítulo. A trama não era lá essas coisas, mas a Lili aparecia todo dia. Sua interpretação não era ruim, não. Dava lá alguma mostra de que seu futuro na TV seria promissor. Depois, veio a segunda novela. A Lili fazia o papel de uma mocinha pobre que foi pro Rio de Janeiro tentar ganhar a vida. Deram um jeito de enfeiá-la. Até bigode colocaram nela. Que sacanagem! Só quando se casou com o Aderbal – o cafa da novela – é que apareceu bonita para todo mundo. Não dava pra acreditar....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa época, a Lili já havia se convertido numa espécie de obsessão. Eu sonhava com ela, noite sim, noite não. Se perdia o capítulo da novela, aparecia no meu sonho pra me contar o que tinha acontecido, como se ela mesma fosse a autora ou roteirista da trama. A Lili conversava comigo, frente a frente, o hálito gelado, a língua se movendo em câmera lenta. Que boca! Depois, ia embora jogando um beijo pra mim. Só podia ser sonho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, notei que a Lili havia ficado velha, uma cinquentona. Continuava linda, sem dúvida. Só consegui perceber que o tempo tinha passado porque encontrei a revista guardada num armário antigo, junto com o cofrinho da minha adolescência. Até hoje o seu Altenor me pergunta quanto eu quero por aquele exemplar cuja compra ele generosamente parcelou. Diz que paga à vista. Não vendo, não! Também jamais venderia a lembrança daquele dia em que conheci o rosto da Lili.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-3001847602180012907?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/3001847602180012907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=3001847602180012907' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3001847602180012907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3001847602180012907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/03/o-rosto-da-lili.html' title='O rosto da Lili'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-5232169183239689173</id><published>2011-02-20T02:33:00.004-03:00</published><updated>2011-02-20T11:34:36.400-03:00</updated><title type='text'>Sem compromisso</title><content type='html'>Ainda hoje, quando escrevo alguma besteira aqui, lembro-me do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;post &lt;/span&gt;inicial deste Blog (&lt;a href="http://lapisimpreciso.blogspot.com/2007/07/sem-compromisso-razo-desse-blog_25.html"&gt;Sem compromisso: a razão desse blog&lt;/a&gt;). É muito bom escrever sem nenhum compromisso. Também é fantástico não ter a obrigação de escrever. Ninguém sentirá falta....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-5232169183239689173?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/5232169183239689173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=5232169183239689173' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5232169183239689173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5232169183239689173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/02/sem-compromisso.html' title='Sem compromisso'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-2627855481617018474</id><published>2011-01-29T01:55:00.002-02:00</published><updated>2011-01-29T01:59:55.980-02:00</updated><title type='text'>Não deram certo</title><content type='html'>Existem certas interpretações musicais que realmente não deram certo. Vamos a algumas delas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emílio Santiago. Não há uma música específica. Tudo – ou quase tudo – o que ele interpreta tem arranjo de baile de clube de interior. É algo cafona, com arranjos intragáveis. Exceção deve ser feita à "Teresa da Praia" que ele gravou junto com Luiz Melodia. Todavia, se, num domingo à noite, você estiver ouvindo FM no carro e tocar “Saigon”, é melhor se matar. Sua atitude será plenamente justificável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leila Pinheiro interpretando Renato Russo. Só ouvi uma música e, por mais imbecil que isso possa ser, não estou disposto a conferir o resto. Leila Pinheiro poderia dar um presente aos seus fãs: cantar apenas Bossa Nova. Ela nasceu para isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ella Fitzgerald. É dificílimo falar d'Ella. Minha deusa musical não deu certo com “Love for Sale”, de Cole Porter. Não sei por que, mas não soou legal. Diga-se o mesmo de “Dream a Little Dream of Me”, cuja interpretação já comentei aqui no blog. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caetano Veloso cantando “Igreja”, composição dos Titãs. A interpretação, aliás, foi feita juntamente com os Titãs, no final da década de 1980. Caetano, de jaqueta de couro, tencionava dar um ar rebelde que em nada combinava com sua legítima baianice genial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gal Costa cantando “Begin the Beguine”. Ninguém duvida da potência dos agudos da Gal. Que quisesse interpretar uma das mais belas músicas de Cole Porter é perfeitamente compreensível. Não precisava, contudo, terminar a interpretação tentando fazer o impossível: alcançar Ella. A música certamente foi para prensa sem que ela ouvisse como ficou a gravação. Do contrário, não teria deixado passar. Até hoje quando a ouve, se penitencia por tê-la gravado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bete Carvalho cantando “As rosas não falam”. Nada contra Bete Carvalho. Ela tem o grande mérito de ser mangueirense e ter descoberto o Zeca Pagodinho. Além disso, com todo o respeito, poderia se limitar a cantar os sambas-enredos da Estação Primeira. A obra-prima do Cartola, definitivamente, não lhe cai bem. Se alguém tiver interesse em ouvir um bela interpretação, a dica é Paulinho da Viola. Ele levou anos para conseguir coragem e gravar a música. E só o fez em 1999, quando do lançamento de “Bebadosamba”. Ficou belíssima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém conhece mais alguma furada? Aguardo respostas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-2627855481617018474?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/2627855481617018474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=2627855481617018474' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2627855481617018474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2627855481617018474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/01/nao-deram-certo.html' title='Não deram certo'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-5872207090378791398</id><published>2011-01-22T00:55:00.007-02:00</published><updated>2011-03-04T00:35:09.485-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Tio Harlan</title><content type='html'>Tio Harlan - Roberto Barbato Jr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Não acredito nessa história de loteria e mega sena. É tudo uma grande sacanagem. Coisa de picareta, como o tio Harlan, que todos dizem ter tino comercial apenas porque deixou de ser empregado e hoje tem uma empresa. O tio Harlan recende a picaretagem. Só virou empresário porque ganhou na loteria. Um dia quis me convencer que há homens eleitos pelo dinheiro. Eu perguntei um “como assim” meio envorgonhado e ele me garantiu que existiam os predestinados. Tio Harlan, seu filho da puta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta. Você não vai encontrar uma fonte de renda remansosa. Esqueça o que te disserem. O negócio é o trabalho. Viver de renda, de aluguel, ser cafetão, agiota, onzenário, tudo isso é fria. Só o trabalho constrói. Somente o esforço agrega. Ou, então, você tem pai rico. Rico e comedido. Do contrário, as pompas ficarão nas memórias. Um pai rico perdulário é um castigo. Você fica aí pensando que o sujeito vai te deixar de boa, na sombra e na água fresca. Quando sai o inventário, você percebe que, quando muito, te restou uma aplicação de alto risco que, se não for resgatada logo, adeus. Se você tiver irmãos, fodeu. O adeus é de rigor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por entender que a vida é só trabalho, resolvi meter as caras. Como as teses do tio Harlan nunca me serviram de nada, achei melhor encarar o trabalho. Saí à cata de uma ocupação. Nem era emprego, era ocupação mesmo. Faria qualquer coisa. “Então tá bom”, disse o dono do hotel. “Você carrega mala de terça a domingo. Pode folgar na segunda-feira de manhã e pode usufruir da piscina, já que nunca tem ninguém nesse horário. Salário? Bom, isso a gente vê depois”. Foi o que ele me falou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vestido de um uniforme pesado, carreguei mala (com ou sem rodinha, pequena, grande e também &lt;span style="font-style:italic;"&gt;nécessaire&lt;/span&gt;). Carregava, inclusive, hóspede bêbado. Levei cantada de madame, de camareira e de veado velho. Tinha certeza que não podia comer ninguém, o que poderia comprometer meu novo ofício. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha de tudo no hotel: milionário de verdade, falso rico, alpinista social, puta de luxo e até michê disfarçado de garçom. As finanças começaram a andar mal. Quando suspeitei que iria pro olho da rua, me cocei. Primeiro, só de birra, entrava na piscina pra mijar. O esquema tinha um preparo interessante. Ficava quatro horas sem comer, tomava muita água, deixava a bexiga ficar bem cheia e ia nadar. Mijava o tempo inteiro, uma mijada em cada canto da piscina. Como a bomba estava quebrada, não havia reciclagem de água alguma. Em duas semanas aquilo ficaria fétido, cheio de bactérias. Alguém se estreparia por ali. Depois, pra dar um jeito momentâneo na vida, meti a mão na gaveta do seu João. Ele era o gerente do estacionamento e guardava a gorjeta da semana numa gaveta sem chave. Era uma paca. O dinheiro daria para um mês, sem muito luxo, é claro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou a grana. Encontrei um velho amigo da escola e ele perguntou se eu queria ganhar algum. “Você tem boa aparência. É o que precisamos lá na clínica. Um rapaz que atenda ligações e resolva problemas de última hora”. Era uma clínica clandestina de aborto. Perguntei pra ele se a clínica era mesmo clandestina. Ele não entendeu a piada. Recusei a proposta.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri até Câmara Municipal para procurar um vereador conhecido do Tio Harlan. O cara, diziam, tinha bom relacionamento com a turma da situação. Se pudesse me arrumar um cabide na administração atual, ficaria grato pro resto da vida. O seu Tenório conseguiu um lugar no setor de separação e entrega de missivas da própria Câmara Municipal. Eu não sabia o que era missiva, mas aceitei. Não devia ser coisa ruim. No primeiro dia de trabalho, percebi que meu negócio era separar e entregar cartas. Missiva é carta, foi o que o dicionário me disse. Separava correspondência pros gabinetes de vereadores, para a presidência da Câmara e até para dona Justina, que servia o cafezinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi ela que me avisou, depois de um ano de trabalho duro, que eu seria demitido logo mais. Com a história dessa tal terceirização resolveram terceirizar o serviço de correspondência e entregas. Eu ia tomar na cabeça. Mandaram me chamar. Como eu já sabia da demissão, fui à forra. Disse que ali só tinha bandido, político velhaco e puxa-saco. Uns chupins! E o salário era ridículo. Dei uma risada de louco, de gente desequilibrada. Toquei o terror! Comecei a gritar e simulei que ia morder alguém. Todo mundo subiu nas cadeiras, tinha gente até em cima da mesa. O seu Tenório ficou vermelho de raiva. Disse que minha postura não condizia com as referências que o tio Harlan lhe tinha dado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dona Justina, indignada com a situação, me indicou pra garçom de um boteco da família da cunhada da prima dela, lá na periferia. O negócio estava começando, mas dava ares de que iria pra frente. No almoço servia os PFs e à noite, lanche e cerveja. Eles me pagavam direitinho, inclusive o vale transporte pra ir e voltar. Na sexta-feira à noite, o expediente se estendia e eu podia dormir num quartinho do fundo do restaurante, porque, àquela altura dos acontecimentos, o boteco já tinha até nome de restaurante. Graças ao meu empenho, virei sócio. Propunha um evento hoje, uma música ao vivo amanhã, uma feijoada no domingo. Assim fui conquistando meu espaço. Ainda bem que não dei bola pras fantasias do tio Harlan. Em dois anos estava ficando abonado e pensei até em me casar com uma freguesa loirinha que me dava uns beijinhos sem nenhuma emoção.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ao descobrir minha fibra empresarial, tio Harlan mandou me chamar. Propôs negócio, dizendo que talvez eu já fosse um eleito do dinheiro, tal como ele. Iríamos unir forças, ganhar muita grana. Resisti um pouco. Contudo, acabei cedendo. Vendi minha parte no restaurante da periferia, terminei com a loirinha insossa e virei sócio dele. O futuro prometia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometia nada....  Ele passou a perna em mim. Quando percebi, estava trabalhando no almoxarifado da empresa, como um funcionário raso. Perdi minhas cotas da sociedade e a única coisa que me restou foram os convites para nadar na casa do Tio Harlan. Eu só precisava dar um jeito de quebrar a bomba da piscina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-5872207090378791398?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/5872207090378791398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=5872207090378791398' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5872207090378791398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5872207090378791398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/01/tio-harlan.html' title='Tio Harlan'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-6494577822160192578</id><published>2011-01-15T01:02:00.004-02:00</published><updated>2011-03-04T00:35:38.153-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Ah, Julinha!</title><content type='html'>Ah, Julinha! - Roberto Barbato Jr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, Julinha! Putz, todo mundo queria a Julinha. Baixinha, branquinha, uma bunda razoável e os peitos.... Vivia olhando pro seu busto. Quando ia pra escola com decote, eu ficava naquela curiosidade, estendia o pescoço para alcancar alguma posição favorável. Também ficava apreensivo se aparecia usando camiseta Hering branca com gola V. Aí, sim, ficava louco de vontade dela. A Julinha era muito gostosa. Muito boa mesmo. O quadril rebolando, o andar macio. Parecia que pisava num carpete. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só se falava nela e ela falava pra cacete. Como falava! Contava da fazenda do pai, da bicicleta nova, do clube, do primo carioca. Jogava bola, subia no trepa-trepa e nunca se recusou a participar daquela brincadeira do beijo, abraço e aperto de mão. Quando era pra beijar na boca, ela beijava com língua e tudo. O beijo da Julinha era um tesão, deixava todo mundo de pau duro. Também brincava do tal jogo da verdade. Contava umas vantagens. Diziam que isso acontecia porque era baixinha e tinha complexo. Imagine: a Julinha com complexo.... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém acreditou quando eu disse que a pediria em namoro. Namorar a Julinha seria o máximo. Beijo de língua e os cambau. Queria surpreendê-la atrás do portão da quadra de vôlei no momento em que as meninas iriam pro vestiário. Pegaria na mão dela, puxaria-a pra mim e faria a proposta. Foram pelo menos umas dez vezes que jurei fazer isso. Nunca conseguia. Chegava perto dela e meu coração disparava, a perna bambeava e eu ficava vermelho, suando frio. Jurava pra mim que no dia seguinte conseguiria. Mas não conseguia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sonhava com a Julinha constantemente, sentia o perfume dela no sonho. Acordava com ela na cabeça e logo arquitetava algum plano pra sentar perto dela na classe. Mandava bilhetinhos anônimos cuja autoria, é óbvio, ela conhecia. Pensei em sequestrá-la, prendê-la em algum lugar ao qual só eu tivesse acesso. Trancaria a Julinha numa cabine do campo de futebol da escola, colocaria um cadeado com chave única. Levaria roupas e alimentos pra ela, até pizza. Ficaríamos juntos durante todo o dia, movidos a beijos. É claro que o plano não tinha nenhuma chance de êxito. Mas não custava sonhar. E eu sonhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crescemos. A Julinha não quis saber mais de ninguém da turma. Já tinha sido sondada por um menino do segundo colegial, o Marcão. O cara era parrudo, musculoso, jogava bola, corria e nadava. Tinha, também, o cérebro meio atrofiado: não conjugava verbo, não sabia onde era o Japão e um dia jurou que me pegaria na saída da escola. Só porque a Julinha desceu a escada da entrada conversando comigo. Deu um sorriso e me disse que "amanhã a gente se fala". Pronto, o Marcão ficou uma pistola. Ombro a ombro, cara de malvado, me olhou feio. Bateu a mão fechada no peito que nem um King Kong. Foi aí que a Julinha ficou ainda mais gostosa. Agora, quase proibida e prometida pro Marcão, havia se tornado meu sonho de consumo. Era uma questão de honra, eu tinha que conquistá-la. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grudei nela: no corredor das salas de aula, na classe, na escada da cantina, na porta do banheiro, no intervalo e na saída. A Julinha ficava comigo o tempo inteiro, era uma delícia. Estava pirando de tanta paixão. Enquanto isso, o Marcão continuava jurando que ia me arrebentar. Quanto mais me via com ela, com mais raiva ficava. A surra seria grande. Coitado de mim.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, chovia pra dedéu, a Julinha chegou na escola ensopada. Olhou pra mim com cara de choro, os olhos molhados, e me disse que iria embora. Ia mudar de escola, de cidade. Iria pra bem longe, mas me mandaria um cartão de Natal. Porra, Julinha, isso é coisa que se diga? Eu preferia apanhar do Marcão. Pois é. A Julinha foi embora. Ah, Julinha....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-6494577822160192578?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/6494577822160192578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=6494577822160192578' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6494577822160192578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6494577822160192578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/01/ah-julinha.html' title='Ah, Julinha!'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-9043043350325353744</id><published>2011-01-12T23:36:00.002-02:00</published><updated>2011-01-12T23:38:50.397-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Luiz Inácio e o carisma</title><content type='html'>Ao discutir a transição do governo Luiz Inácio para a nova presidenta, Eliane Cantanhede (“Voto de Confiança”, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Folha de S. Paulo, &lt;/span&gt;02/01/2011), me levou a pensar na clássica questão da sucessão do líder carismático, tal como formulada por Weber. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se sabe, o gênio alemão havia tipificado os três tipos de dominação legítima: a dominação racional-legal, a dominação tradicional e a dominação carismática. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Inácio é o exemplo mais que pertinente para se ilustrar a dominação carismática. Comentários a esse respeito seriam mais do que desnecessários aqui, bastando realçar sua indiscutível habilidade de persuação e sua capacidade para aglutinação de discípulos e partidários em torno de si. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu sintético (mas afiado) texto, Eliane afirma que “Difícil será preencher o vazio de um presidente carismático”. Sua observação está diretamente ligada à sucessão acima aludida. Como o líder carismático – no caso, o sr. Luiz Inácio – é dotado de características que não podem ser simplesmente “transmitidas”, haveria de se indagar como seria possível encontrar alguém para substituí-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referindo-se à obra weberiana, Julien Freund, assim discorre sobre o assunto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A grande questão do domínio carismático é, pois, a da sucessão. Com efeito, como perpetuar o sistema após a morte do chefe, uma vez que o carisma não se aprende nem se deixa inculcar mas desperta e é sentido, e que os partidários do chefe, como o seu estado-maior, têm um interesse material e ideal de fazer durar esse domínio? A dificuldade reside no fato de ser a obediência dos partidários pura dedicação à pessoa do chefe e de carecer da continuidade que constitui a força da tradição e da legalidade. Weber examina exaustivamente as diversas soluções possíveis. Ou se tenta descobrir um outro portador de carisma, que possua características análogas às do desaparecido (caso do Dalai Lama); a conseqüência desta prática é fundar uma tradição. Ou confia-se na revelação, nos oráculos, na sorte, no julgamento de Deus ou em outro critério irracional; nestes casos, caminha-se mais ou menos rapidamente para uma legitimidade legalista. Ou então o chefe em exercício designa ele próprio o seu sucessor com ou sem a aprovação de seus partidários. Ou ainda a designação é feita pelo estado-maior carismático; este processo exclui a eleição fundamentada no princípio majoritário, pois o problema é encontrar o homem adequado, se se quiser ficar fiel à fórmula carismática. Enfim, o carisma pode-se tornar hereditário, quando se admite a lei do sangue”. (FREUND, Julien. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sociologia de Max Weber. &lt;/span&gt;4 ed. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1987). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No contexto atual, a sucessão de Luiz Inácio não nos remete a reflexão tão apurada e desgastante. A presidenta Dilma, eleita pelo povo brasileiro (e não sugerida por oráculos ou julgada por Deus) muito longe está de qualquer traço carismático. Como bem assevera Cantanhede, a nova chefe (ou também será chefa?) “só não deve arriscar tudo para tentar ser o que não será: um mito”. É de se esperar que saiba, portanto, qual é o papel que lhe cabe nos próximos quatro anos. Aspiremos, mais que esperemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: já que se fala em carisma e este supõe, de alguma maneira, um traço de inteligência, devemos também recorrer ao comentário de FHC que, há algumas semanas, comentando sobre Dilma, revelou: “Tenho dificuldade mesmo. Você sabe que eu sou curto de inteligência, às vezes eu não consigo. Ela não termina o raciocínio, e eu não tenho imaginação suficiente para saber o que ela ia dizer”. O comentário foi feito no “Manhattan Connection”, de 26/12/2010 (Fonte: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Folha de S. Paulo. &lt;/span&gt;28/12/2010).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-9043043350325353744?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/9043043350325353744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=9043043350325353744' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/9043043350325353744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/9043043350325353744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/01/luiz-inacio-e-o-carisma.html' title='Luiz Inácio e o carisma'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-6982123155036948194</id><published>2011-01-08T00:44:00.003-02:00</published><updated>2011-01-08T00:48:22.872-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Luiz Inácio, privilégios e regalias</title><content type='html'>Houve uma época em que cheguei a acreditar que o sr. Luiz Inácio primava pela absoluta exclusão de privilégios pessoais e interesses particulares no Brasil. Segundo entendia, ele e seu partido lutavam contra toda forma de benefício de uns em detrimento de outros. Toda e qualquer prerrogativa individual não poderia ser aceita, sob pena de macular o processo de construção de um país ético e democrático. Regalias, portanto, nem pensar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era isso mesmo ou estou enganado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era o ex-presidente sem anel de Doutor quem lutava pelo fim das políticas clientelistas e do fisiologismo? Não era ele que entendia ser necessária a igualdade de oportunidades para todos os brasileiros? Não era ele que criticava a postura das nossas elites atrasadas, marcadas por laços de caudilho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, ao ler a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Folha de S. Paulo &lt;/span&gt;fui surpreendido pela notícia de que, dois dias antes de terminar seu mandato, pediu a renovação dos passaportes diplomáticos de seus filhos. Essa renovação é válida por mais 4 anos. Ou seja, enquanto a Sra. Dilma governar o país, os filhos de Lula, sem que tenham qualquer ligação com o governo e com a esfera da administração pública, poderão gozar das benesses que o tal passaporte lhes dá, entre elas a de não precisarem de visto para ir para China e para a Índia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é só! Os garotos não precisarão enfrentar filas na alfândega! E isso, provavelmente, no entender do guru sem o anel de Doutor, não é nenhuma regalia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabem a história daqueles que não enfrentam fila? Daqueles que sempre dizem o “sabe com quem está falando”? Sim, aqueles que têm e/ou tiveram os privilégios sempre combatidos por Lula e seu partido? Naturalmente, eles nenhuma relação terão com os filhos do nosso emotivo ex-presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não bastasse a bizarrice dessa concessão, chamou-me a atenção a forma como se pretendeu justificá-la. Embora já tenham excedido a idade necessária para obtenção do especialíssimo documento (24 anos), aos filhos de Luiz Inácio a renovação se deu sob o pretexto de que existe o “interesse do país”. Esse foi o argumento utilizado pelo Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Como o “interesse do país” é critério eivado de grande subjetividade, não há que se questionar como poderão os filhos da família Silva agir em prol do nosso país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, meteu o bedelho na discussão e disse que o assunto é de uma “irrelevância absoluta”. Vejam só! Aquilo que era relevantíssimo no passado, uma das pedras angulares do discurso petista, passa atualmente, num passe de mágica, a ser considerado irrelevante. Como não há maneira de justificar o injustificável, Marco Aurélio atribui as críticas feitas à concessão aos “3 ou 4% que consideram o governo Lula péssimo” (Cf. &lt;a href="http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2011/01/filhos-de-lula-renovam-passaporte-diplomatico-e-causam-polemica.html"&gt;Filhos de Lula renovam passaporte diplomático e causam polêmica.&lt;/a&gt; O globo. 07/01/2011). O argumento, por absoluta falta de criatividade do autor, é, no mínimo, patético. Basta notar que, mesmo entre os adoradores do nosso líder barbudo e de seu governo, há aqueles que repudiam regalias como a que aqui se discute. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah sim.... já ia me esquecendo: também deu na &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Folha de S. Paulo&lt;/span&gt; que o neto de Lula, de 14 anos, igualmente contrariando norma interna do Itamaraty, ganhou o passaporte dois dias antes do término do mandato do avô. Menino importante, hein?!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-6982123155036948194?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/6982123155036948194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=6982123155036948194' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6982123155036948194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6982123155036948194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2011/01/luiz-inacio-privilegios-e-regalias.html' title='Luiz Inácio, privilégios e regalias'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-4800154945171690023</id><published>2010-12-27T17:40:00.002-02:00</published><updated>2010-12-27T22:19:22.706-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Incômodos espelhos</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Incômodos espelhos – Roberto Barbato Jr&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda moleque notei uma disposição ímpar para suscitar desditas. Elas se me apresentavam amiúde, sem hora nem lugar certo. Acometiam-me os assombros dos espíritos de má fé que, sempre sequiosos de aporrinhar alguém, encontravam em mim presa fácil. Já estava desconfiado de que o pagamento de certos tributos mundanos me era mesmo uma dessas imposições as quais não se pode delir. Cogitei da possibilidade de uma sina, um destino adrede traçado. Mas, ora, isso não podia ser...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco a pouco percebi que modificara a forma como vislumbrava minhas desventuras. Tudo agora se cifrava a uma tortura psicológica, eivada de idéias fixas, tormentos íntimos e outras coisas mais. Se outrora importunavam-me as agressões evidentes, hoje vivo perplexo diante de uma evidência sutil, porém nada rasa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua presença em minha vida tornou-se tão insidiosa que me flagro pensando em sua morada. Ele vive numa edícula, nos fundos de um imóvel velho, quase abandonado. Ao abrir a porta da entrada, nota-se estranhamente espelhos dispostos irregularmente. Sente-se logo o cheiro de mofo e o olor indecente das fezes dos felinos que lá fincaram raízes, com seu consentimento. Recebem-no com indiferença, resignando-se a mover apenas os olhos. Depois, instados a sair de onde estão, rebelam-se à farta, berram um grito quase humano. Correm lépidos para fora da sala, não sem antes esbarrar em seus sapatos. Ele coloca sua sacola rente ao sofá puído, furado pelas guimbas de cigarro que lá caíram porque negligenciou a busca do cinzeiro. Senta no chão e ali fica horas, inerte. Não sabe se come os restos da refeição que logrou fazer na rua, colocados num saco plástico já deteriorado. Imagina que seria prudente tomar um banho após quase duas semanas de abstenção à água. Incomoda-se muito pouco com o cheiro que exala de suas roupas e do suor escuro, porque misturado com as crostas de sujeira de seu corpo. Regozija-se, aliás, com elas. Crava-lhe as unhas compridas para depois deleitar-se ao tirar as pequenas fileiras de gordura ali acumuladas e levá-las ao nariz. Desiste da refeição e do banho. Afaga a testa com o indicador, deslisa o dedo até encontrar o limite da peruca loira, amarelo-cor-de-gema, que lhe atribui um inconteste aspecto postiço. Deita no colchão, boceja e dorme um sono profundo, bastante atormentado. Sua aparência repugnante é mais uma cor a compor o quadro daquele lugar sombrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele somente sonha um sonho tranqüilo quando Alferes posta-se ao seu lado, a cabeça empinada, como a insinuar que o assiste a cada instante. Por certo não tem ciência da presença do felino, mas a sente. O nariz adunco não lhe é bastante para aspirar o ar que precisa; por isso, recorre à abertura da boca com certa freqüência. O cheiro fétido exalado de seu estômago já constituiu interesse para o bichano que, com andar ressabiado, chegara perto do dono, olhara furtivamente as lacunas frontais de sua dentição e abandonara o intento de saborear o que quer que se mostrasse atraente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao acordar, já na manhã seguinte, não boceja, não espreguiça; apenas olha com indiferença para os raios do sol que incidem sobre o rabo de Alferes. Imagina que poderia dar ao gato dileto um tratamento mais requintado: tosa, banho e consultas periódicas ao veterinário. No inverno colocar-lhe-ia uma roupa meticulosamente planejada para seu corpo. As patas, ah... as patas seriam calçadas com meias antiderrapantes... No verão, como a insinuar a fidalguia do bicho, limitar-se-ia a colocar um laço pomposo em sua cabeça. Fosse qual fosse a estação do ano, não deixaria de passar algum xampu manipulado em farmácias, dessas que atendem gente... Tudo isso só faria sentido uma vez rico. Uma vez rico! Sim, ele já fora rico. Houve, em tempos mais ditosos, um conforto a permear aquela vida hoje decadente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele agora permanece deitado, como a recordar sua história pretérita. Lembra-se de quando, concluído o colegial, dissera ao pai que pretendia mesmo gozar a vida. Não lhe passava pela cabeça a possibilidade de qualquer labor; não havia, ademais, descoberto sua vocação. Na falta de uma, resolvera que vagabundear não seria mau negócio. Especializara-se em modalidades várias de vícios: bebidas, fumos, jogos e também mulheres. Estas lhe eram tão íntimas que não usava o tempo para conhecê-las; restringia-se apenas a aproveitar aquelas disponíveis. Eram muitas, invariavelmente ao seu dispor. Não se importava se alguma delas não lhe pudesse satisfazer a contento. Nesses casos, solicitava a presença de outra que certamente o saciaria de pronto. Era generoso com a retribuição dos favores sexuais prestados. Ao término da cópula, sentia ainda mais prazer emitindo frêmitos cadenciados enquanto tateava levemente as notas destinadas ao pagamento. Dobrava-as em seqüência de valores; do menor para o maior, como a sugerir que tudo tenciona ocorrer evolutivamente. Pegava o elástico amarelo, manchado, dava duas voltas no maço de notas e ouvia o estalar da borracha no papel. Era o ápice! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quisera casar-se. Tivera um rompante caso de amor, desses arrebatadores. A princípio, Lucélia lhe deixara inebriado de paixão, suspirando forte sempre que a via. Emoções batiam-lhe no peito e o coração batia forte, sempre muito forte. Sentia  odores, os mais agradáveis. A moça entrevira sua preferência por aromas doces, dulcíssimos. Banhava-se com ervas, fragrâncias finas. Sabia como lhe agradar. Seduzira-o pela primeira vez num bosque, enquanto passeavam. Ali mesmo, entre um jequitibá e outro, consumaram a paixão. Ele, afoito; ela, tranqüila e sem medo. A partir de então passaram a abusar da privacidade que quatro paredes poderiam lhes propiciar. Os lençóis cheirosos, limpos e passados; o tinto, devidamente respirado, aguardando pelo primeiro trago; o som tocado de alguma composição apta a estimular a lascívia; a facilidade para o despojamento das indumentárias... Isso apetecia mais a ele do que a ela. Era, enfim, um rapaz de costumes refinados. Ela sabia disso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Propusera-lhe casamento. Lucélia ansiava constituir família. Os parcos proventos que recebia não lhe eram suficientes. Ele declinou da proposta, que julgou, aliás, indecorosa. Um desvario! Onde já se viu! Casamento... Continuara com a vida promíscua, pródiga e em tudo exagerada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morrera-lhe o pai. Chorou a morte do velho ciente de que o vultoso patrimônio herdado logo mais seria digerido, queimado juntamente com as mulheres, os jogos, os vícios, os vinhos. E, assim, deixara de copular, de jogar, de tragar... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela manhã, pelejando compreender sua aviltante condição social, sobreviera-lhe algum traço de consciência possível. Em profunda solidão, depositara o olhar rútilo nos incômodos espelhos dispersos pela sala e vira, de modo inequívoco, a si próprio. Era eu quem me olhava, buscando sonegar, ao menos dessa vez, os tributos que a vida me cobrava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-4800154945171690023?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/4800154945171690023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=4800154945171690023' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4800154945171690023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4800154945171690023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/12/incomodos-espelhos.html' title='Incômodos espelhos'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-1193049660923330602</id><published>2010-12-08T00:36:00.002-02:00</published><updated>2010-12-08T00:39:01.225-02:00</updated><title type='text'>Tom Jobim, sempre</title><content type='html'>Hoje faz 16 anos que Tom Jobim morreu. Pela falta de tempo e pela necessidade de recordá-lo, sempre, segue abaixo o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;link &lt;/span&gt;para o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;post &lt;/span&gt;publicado em 08/12/2008. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de &lt;a href="http://lapisimpreciso.blogspot.com/2008/12/morte-do-maestro-soberano.html"&gt;A morte do Maestro Soberano&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-1193049660923330602?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/1193049660923330602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=1193049660923330602' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1193049660923330602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1193049660923330602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/12/tom-jobim-sempre.html' title='Tom Jobim, sempre'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-5772494099544659156</id><published>2010-11-28T03:55:00.002-02:00</published><updated>2010-11-28T03:58:02.006-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Outras ficções'/><title type='text'>Preconceito: blog é coisa de veado (e vagabundo)</title><content type='html'>- Blog é coisa de veado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com certeza: coisa de veado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veado e vagabundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro: o cara, além de veado, é vagabundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veado, porque blog é como diário. E diário é coisa de menina adolescente. Se o cara escreve diário na Internet, não importa. Continua sendo diário. Portanto, quem escreve diário, sendo homem, não é homem, é veado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É isso aí. Veado e vagabundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vagabundo mesmo. Quem escreve em blog não tem mais o que fazer da vida. Imagine: o cara escreve todo dia. É sempre aquela conversa mole. Se ainda fosse jornalista, vá lá....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É mesmo. Se o cara trabalhasse, não teria tempo para escrever em blog, em diário ou sei lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso não é nada. Quem quer saber da vida dele? Saber da vida de um veado e vagabundo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem? Quem quer saber?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só se forem outros veados que também têm blogs. Vira uma veadagem só! Um monte de veados vagabundos. Porque ser veado, vá lá, tudo bem. Agora, ser veado e vagabundo é o fim da picada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É verdade. Uma legião de blogueiros vagabundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Blogueiros vagabundos é pleonasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Verdade. Pleonasmo. Pleonasíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E tem vagabundo que escreve em blog porque diz que faz literatura. Publica lá uns contos, umas crônicas. Se fossem bons, publicaria em livros. Teria um monte de editoras querendo publicar. Mas, não. Os caras gostam mesmo é de blog. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veados! Uns veados! Uns vagabundos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acham que o blog tem mais penetração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá vendo: isso é papo de veado. Penetração.... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Atinge um público maior, eles dizem. Não ficam presos às teias editoriais, ao controle do mercado literário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é. Essa história de liberdade literária só pode ser coisa de veado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Homem que é homem não briga por liberdade. Homem que é homem, é livre. E pronto. O cara escreve o que quer e a editora publica. E ai do editor se não publicar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas é aí que está o ponto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que ponto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou explicar. Preste a atenção: o editor só não publica se perceber que o cara é veado ou vagabundo. Aí, recusa os originais e manda o veado-vagagundo escrever em blog. O veado fica triste porque o livro não vai sair, mas, logo depois, percebe que o melhor é escrever em blog mesmo (afinal, também é vagabundo). Acha que sua obra será melhor difundida. É a tal história da penetração que você falou....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu? Penetração?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É. Penetração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tô achando que você é que é veado. Você tem blog?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-5772494099544659156?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/5772494099544659156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=5772494099544659156' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5772494099544659156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5772494099544659156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/11/preconceito.html' title='Preconceito: blog é coisa de veado (e vagabundo)'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-3535437151663411884</id><published>2010-11-20T23:59:00.003-02:00</published><updated>2010-11-21T04:32:41.983-02:00</updated><title type='text'>Mané Fogueteiro e a minha angústia</title><content type='html'>Existem certas angústias e sentimentos que, aos olhos da maioria das pessoas, poderiam soar insossas, não houvesse razão bastante peculiar que as justificassem.... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1992, quando Caetano fez 50 anos, houve um especial de comemoração de seu aniversário. Se não me engano, era época do então LP (também vendido na versão CD) "Circuladô de Fulô". O vídeo foi veiculado não sei onde e, depois, virou VHS. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No especial, Caetano cantava sua primeira música, que é digna de nota e merecia ter sido gravada. Também falava dos compositores que lhe inspiraram, sem se esquecer, obviamente, daquele que credita ser o mais importante da música popular brasileira: João Gilberto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referindo-se à sua música "Genipapo Absoluto", do LP "Estrangeiro", disse que havia emprestado uma parte da música de Braguinha (João de Barro), chamada "Mané Fogueteiro". O último trecho da música de Caetano é o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"'Aquele que considera' a saudade&lt;br /&gt;Uma mera contraluz que vem&lt;br /&gt;Do que deixou pra trás&lt;br /&gt;Não, esse só desfaz o signo&lt;br /&gt;E a 'rosa também'".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mané Fogueteiro, por sua vez, tem o seguinte trecho: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mané Fogueteiro gostava da Rosa &lt;br /&gt;Cabocla mais linda esse mundo não tem &lt;br /&gt;Mas o pior é que o Zé Boticário &lt;br /&gt;Gostava um bocado da Rosa também". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei com "Mané Fogueteiro" na cabeça durante anos, sem saber a letra inteira. Como em 1992 a internet muito longe estava da nossa realidade, não tinha onde procurar pela música. Perguntei ao meu avô e à minha avó. Por serem mais velhos, provavelmente, conheceriam a composição de Braguinha. Ninguém, entretanto, ouvira falar dela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que meu avô morreu, ainda insisti com minha avó. Nenhuma lembrança, por mais vaga que fosse, ocupava a cabeça dela. Era o que dizia, embora eu tivesse a convicção de que, repentinamente, ainda fosse se recordar da melodia e, consequentemente, da letra. No ano passado, consegui uma bela versão da música. Baixei-a da internet e a remeti para minha irmã, que estava indo para Rio Preto visitar minha avó. Bastaria reproduzi-la no laptop para que sua memória fosse refrescada. Minha irmã de fato dormiu em seu apartamento, conversou com ela e riu de suas histórias. Por algum motivo que agora me escapa, esqueci-me de perguntar à minha irmã sobre a resposta dada por D. Líbia quando da suposta audição da música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, indagada a respeito dessa resposta, minha irmã chegou a sugerir, hesitante, que nem sequer executou a música para sanar minha dúvida. Indignado, cobrei-lhe uma posição precisa, mas de nada adiantou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha avó se foi pouco depois e o Mané Fogueteiro agora está atrelado a uma angústia que talvez me consuma o resto da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-3535437151663411884?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/3535437151663411884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=3535437151663411884' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3535437151663411884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3535437151663411884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/11/mane-fogueteiro-e-minha-angustia.html' title='Mané Fogueteiro e a minha angústia'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-6937953197263765461</id><published>2010-11-16T22:03:00.001-02:00</published><updated>2010-11-16T22:04:42.650-02:00</updated><title type='text'>Heresia</title><content type='html'>Estava na Siciliano. Vi o livro, peguei um exemplar e sentei no chão. Comecei a ler. Era fantástico, como todas as demais obras daquele autor. Gargalhei aos montes e, além disso, o clima da narrativa me tomou por inteiro. Não conseguia parar de lê-la. Continuei mais um pouco. Quando a trama anunciou o que realmente viria pela frente, tive de encerrar a leitura. Já era hora de ir embora. Não comprei o livro naquele dia, mas fiquei com água na boca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo depois, ganhei a obra, que chegou pelos Correios. Como não havia lido muitas páginas, reiniciei a leitura e, pouco a pouco, fui notando que a história se arrastava. Parei para pensar que algo devia estar equivocado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria porque o autor é especialista em outro gênero? Seria porque não estava no clima daquele texto? Mas, como? Na Siciliano eu podia jurar que o livro era delicioso....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insisti. Não se deixa de ler um livro sem um motivo realmente forte. Por certo, eu estava enganado. Talvez fosse questão de algumas páginas. Bastaria ler mais um pouco para encontrar a felicidade. De nada adiantou, contudo. Prosseguir já não era mais um caminho agradável. Era incompatível com o prazer da leitura. Resolvi abandoná-la. Ainda tenho a esperança de que, em uma oportunidade qualquer, possa retomá-la e me envolver com ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, olhando para aquela situação, imagino que pareça uma grande heresia o fato de eu não ter conseguido terminar a leitura do livro. Trata-se de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Os espiões&lt;/span&gt;, do Luis Fernando Veríssimo. Paciência. Quem sabe um dia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-6937953197263765461?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/6937953197263765461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=6937953197263765461' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6937953197263765461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6937953197263765461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/11/heresia.html' title='Heresia'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-8150519175663386677</id><published>2010-11-06T00:16:00.003-02:00</published><updated>2010-11-06T00:29:02.336-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Era carnaval</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Era carnaval – Roberto Barbato Jr&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era carnaval. O desfile das Escolas de Samba talvez fosse o único programa para aquela noite. Hesitara ligar a TV, temendo que todo seu passado viesse à tona, em quadros nítidos, detalhistas. Temia por isso e não raro evitava qualquer situação capaz de fazê-la regredir no tempo. Pensara que devesse dormir, mas a idéia lhe soara covarde. Aceitara o desafio, não sem antes preparar uma dose de malte importado que houvera guardado para ocasiões especiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uísque em punho, TV ligada. Acompanhava o desfile observando cada minúcia das fantasias. Apreciava-as. A velhice não fora capaz de elidir o despudor que tivera nos anos de juventude. As mulheres desnudas, seios aparentes e as nádegas destacadas pelas câmeras não lhe causavam nenhuma espécie de repulsa. Não tinha, ademais, o falso moralismo característico das mulheres de sua geração. Não sabia, por questão de natureza, ser hipócrita. Agira assim desde sempre. Agora, tão-só e concentrada, via a pouca vergonha de que outrora fora cúmplice, sem ter de opinar e tampouco se defender. Se quisessem, poderiam se desnudar por inteiro, pensava sobre as meninas da tela. Tanto fazia. Era carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrava-se com sabor dos anos em que figurava como a mais destacada vedete do Teatro de Revista. À época, tachada de sirigaita, fazia questão de afrontar as senhoras de família. Deixava as coxas à mostra, despertando a lascívia masculina. Não abria mão do alto salto, sempre a retesar a panturrilha, de modo a evidenciá-la em seus mais definidos contornos. Rebolava vulgarmente, içava a anca, dando giros sutis para que parecesse provocante. Mesmo os homens menos abnegados lhe enxergavam um excesso de leviandade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônus de sua irreverência, contudo, fora pesado: apaixonara-se e casara-se com Heitor Fontana. Político ambicioso, Heitor logo se encarregara de enfrear a mulher. Dela exigia que o acompanhasse, resignadamente, em jantares os mais enfadonhos, típicos da classe política de então. Dela também exigia que se vestisse assaz contida. Por ele, teria que abandonar os hábitos da vida pregressa, os dizeres, as indumentárias. Não foi sem relutância que fizera tudo isso. Depois, dera um, dois, três filhos ao marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meninos cresceram ouvindo, sempre à socapa, comentários sobre o passado da mãe. Acometia-os um sentimento de injustiça, como duvidassem do teor daquelas narrativas. Trancavam-se na biblioteca com o pai, a fim de confirmar a veracidade dos boatos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram filhos da puta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do dia para a noite, os comentários cessaram: Heitor ocupara pasta no Ministério. Já não eram filhos da puta, os meninos. Eram filhos-do-Ministro. Ela passou a ser a mulher-do-Ministro, a senhora Fontana. Tivera de se conter ainda mais. Haveria de reprimir-se demasiado, senão pela vontade, pela força. Passara a freqüentar, com relativa assiduidade, eventos ligados a ações beneméritas. Chás com primeiras damas e salões de beleza, embora não lhe interessassem, eram-lhe menos inconvenientes. A proximidade com o poder, o requinte e a abundância financeira não lhe causavam prazer, entretanto. Pudesse optar, continuaria na vida de tempos pretéritos, participando de espetáculos de casas de show, exibindo os belos dotes físicos que Deus felizmente lhe dera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rebelara-se um dia. Deixara de ser a mulher de Heitor, mãe de seus filhos, mulher de ministro, enfim. Tivera um repente e voltara para vida noturna. Assinara contrato com uma casa de prestígio. Lá fatalmente compareceriam os amigos do marido e - quem sabe? – até os filhos.... Sentira orgulho da decisão. Irromperia contra qualquer adversidade, manteria seu firme propósito. A idade, já um pouco avançada para quem possui tamanhas pretensões, não lhe dedicara peso nenhum. Era com leveza que reacendia as chamas do antigo ofício, com paz de espírito e, sobretudo, com serenidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inconformado, Heitor fizera várias diligências: fechara a casa, procurara abafar o pretenso escândalo, comprara a imprensa. Tudo quanto pudesse ser resumido às cifras de sua posse seria devidamente utilizado. Lançara mão de todos os expedientes para que sua reputação não fosse conspurcada. Não escondera a verdade dos meninos, já crescidos. Desde então Julieta jamais fora vista em festas e coquetéis. Passara extenso tempo reclusa em casa. Dizia-se que sofria dos nervos, tendo se submetido, inclusive, a incansáveis tratamentos de choque e terapia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudara o governo. A carreira promissora de Heitor não resistira ao segundo ato. Sobreviera-lhe um infortúnio quando, imprudente, deixara-se levar pelos sedutores louros da corrupção. Não fora capaz de se aprumar tal como seus pares faziam com tanta facilidade. Restara-lhe apenas o ofício de causídico e, mesmo este, diante de circunstâncias tão vexaminosas, não lhe pudera garantir o padrão de vida com o qual havia se acostumado. As causas que assumia eram raras e pouco rentáveis. Os filhos, destituídos de habilidades profissionais, tiveram de procurar emprego! Findaram-se as polpudas mesadas que serviam a extravagâncias de variado gênero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emprego!, diziam de si para si mesmos, a boca desdenhosa, torta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julieta a tudo assistia calada. Testemunhava a decadência material da família sem um mínimo de compaixão pelos seus. Achava mesmo que os filhos deveriam tomar tento, mostrando-se úteis de alguma maneira. Chamava-os para conversar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vagabundos! Eram vagabundos! Uns indolentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desentendera-se com todos, não falava mais palavra com nenhum. Heitor expulsara-a de casa. Que fosse aos infernos! À merda! Pagara-lhe o aluguel de uma edícula fétida, no subúrbio da cidade. Deixara-a apenas com a memória sadia, apta a lhe dar alguma satisfação. Vivia só, embriagada de recordações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite, por longas horas, entre cores, sons, alegorias e nomes, pôde rever toda sua vida. Esboçando um riso furtivo e sarcástico, pensou em Heitor. Pensou no ministro. Pensou nos vagabundos. Pensou nos filhos da puta. Pensou também que nada mais importava: era carnaval.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-8150519175663386677?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/8150519175663386677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=8150519175663386677' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/8150519175663386677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/8150519175663386677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/11/era-carnaval.html' title='Era carnaval'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-2233064734254739383</id><published>2010-10-30T02:20:00.001-02:00</published><updated>2010-10-30T02:22:15.634-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Manezão</title><content type='html'>Manezão - Roberto Barbato Jr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o passar do tempo, adquiriu uma habilidade &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sui generis&lt;/span&gt;: o controle, sempre em uma das mãos, ficava exatamente na posição necessária para mudar o canal da TV. Os dedos eram alocados nos botões que permitiam a passagem para o noticiário. Mesmo que estivesse em momento fundamental da trama, jamais sucumbiria: não poderia ser visto assistindo a novelas. Teria de obstar a vontade quase alucinada de saber o destino do personagem predileto. Quantas vezes estivera na iminência de ser flagrado, ali diante da TV, os olhos inertes, sem piscar.... Foram inúmeras, mas jamais deixou transparecer a afoiteza que o acometia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, por razões alheias à sua vontade, era impedido de assistir ao capítulo inteiro, prostrava-se na cama, louco a imaginar o que teria acontecido, se houvera ou não o beijo da mocinha, se o protagonista havia logrado algum sucesso em desmascarar o antagonista, aquele crápula que, agora, lhe fazia perder o sono. Ficava irritado, irascível. Contava os minutos faltantes para o raiar do dia. Então, uma longa batalha teria início.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escondido, ligava furtivamente o computador, com respiração arfante. Isilda, a empregada, bem que o via navegando na internet, mas, analfabeta, não tinha acesso às informações consultadas. Não sabia o que o patrão lia. Ele devorava o resumo do capítulo do dia anterior, justamente aquele que não poderia ter perdido.... Depois, ainda insatisfeito, fecharia a porta do escritório a pretexto de avençar algum negócio importante pelo telefone. Digitaria ansioso o endereço do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;youtube &lt;/span&gt;para ver se o capítulo desejado já estava disponível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a tarefa não alcançava êxito, corria para o banca do Alemão. Ali, matronas desocupadas comentavam - quase debatiam! – o que teria se passado na novela no dia anterior. Ele manuseava um jornal qualquer, postava os olhos por cima da folha e buscava apreender o relato das senhoras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieram as férias escolares. A mulher, professora, não saía mais de casa à noite. Com ele jantava, assistia ao jornal e o convidava para uma leitura. Não tinha escapatória: simulava devorar a revista semanal, o jornal da cidade ou mesmo algum livro que lhe teriam indicado. O pensamento estava, naturalmente, na novela. Disfarçava, ligava a TV a pretexto de procurar por um filme. Mudava de canal, parava rapidamente na novela para ter uma noção, ainda que exígua, do desenrolar da trama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lhe passava pela cabeça admitir a adoração pelo folhetim televisivo. Sabia que lhe seria saudável. Não geraria ansiedade, não o deixaria sem dormir, não lhe impingiria a frustração de expectativas. Assistiria sem culpa, sem medo e sem sobressaltos a novela das seis, das sete e, principalmente, a das nove. Não, não admitiria. Ao contrário, se o assunto viesse à baila, vociferaria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Novela? Vocês assistem novela? Que coisa patética! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incautos poderiam jurar, apostariam se fosse necessário, que ele jamais passara perto de alguma novela. Por certo, nem sequer sabia os horários de transmissão. Devia ser um homem afeto a leituras, interessado em filmes, músicas e notícias. Um intelectual, enfim. Não perderia seu tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não assistir a novelas é questão de higiene mental – asseverava com altivez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, aconteceu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ahhhhhhhãããããã, hein!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puta que o pariu! Me pegaram, pensou desesperado, já enrubescido. A casa caiu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assistindo novela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filha da puta! Um descuido e me fodi!, penitenciou-se em pensamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justo você, hein, pai! Que vergonha....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arriscou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu? Imagine.... Estava só trocando de canal e....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filha gargalhava. Percebia o desconcerto do pai. Aproveitou para tirar onda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Imagine só se amanhã o prédio todo ficar sabendo! O Jorginho vai te tirar o pêlo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Jorginho, aquele asno, pensou. Tô fodido. Se o Jorginho souber, eu tô fodido. O Jorginho vai rir o ano inteiro. Ele e o condomínio. Até o porteiro vai cascar o bico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mãe! Ô manhêêêê! Corre aqui, mãe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que foi minha filha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas juntas, não vou aguentar, se martirizava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O papai, vendo novela! Peguei ele no flagra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe olhou sem nenhuma cara de excepcionalidade. A filha não entendeu. Afinal, não teria descoberto algo precioso e inédito? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não sabia? – perguntou a mãe. – Seu pai é um mané!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Manezão! – gritou a filha, a voz com ar de refrega. – Manezão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Talvez agora pudesse ser feliz. Embora envergonhado, estava leve, tranquilo, liberto. O Jorginho que se lascasse! E o condomínio também....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-2233064734254739383?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/2233064734254739383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=2233064734254739383' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2233064734254739383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2233064734254739383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/10/manezao-roberto-barbato-jr-com-o-passar.html' title='Manezão'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-1349197293138240917</id><published>2010-10-23T01:10:00.004-02:00</published><updated>2010-10-23T01:37:54.408-02:00</updated><title type='text'>Cães e apartamentos</title><content type='html'>Acredito que a convivência com animais é extremamente saudável para o homem, desde que não atrapalhe ninguém. Sou radicalmente contra a criação de animais em apartamentos, sobretudo aqueles que fazem barulho de qualquer espécie. Refiro-me, principalmente, aos cachorros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criar cachorro em apartamento é uma sacanagem: para o bicho e também para os vizinhos. Animal nasceu para ter liberdade, se locomover e ter contato com a natureza. Em apartamento isso é impossível, naturalmente. O espaço físico, por maior que seja a metragem do imóvel, será sempre insuficiente para o cão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos vizinhos, os argumentos são incontestáveis. E incontáveis. Não me venham com pífias idéias de que há certos cachorros quietos e bem comportados. Todos, sem exceção, acabam fazendo barulho em momentos inadequados. Não faz diferença se estamos nos referindo àqueles cachorrinhos de madame ou a um pit bull. Tanto faz um poodle ou um pastor alemão. No instante em que você mais quer paz, ele irá incomodá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será justamente naquele momento em que você está em casa sozinho, sem nenhum barulho, e precisa descansar. Você olha para o sofá, o sofá olha para você. Não há como escapar daquela atração. Já indefeso e prostrado pelo cansaço, você simplesmente deita. O sofá e o silêncio são tudo o que você precisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrateiramente, o cachorro do vizinho sairá pela porta que lograram deixar encostada e andará até o elevador do andar. Ouvirá o barulho de alguém conversando enquanto desce ou sobe. Iniciará, então, aquele latido agudo no corredor que parece amplificar cada vez mais o som. Você está iniciando o sono e, de repente, acorda assustado. É o cão do vizinho. Aquele que dizem ser bem comportado e quieto. Tudo bem, isso passa. Embora irritado, você se levanta e desiste do sono no sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra situação: o dia foi cansativo. A cabeça não parou de doer, mas você não podia parar de trabalhar. Era enxaqueca. Você rezou a tarde inteira para o tempo passar rápido. Ao final do expediente, correu para casa. Tomou banho, colocou uma bolacha de água e sal na boca, bebeu um copo de água, escovou os dentes e, pela primeira vez em vinte anos, foi dormir às oito da noite. O sono está pesado, mas alguém passa na rua, vê o cachorro do vizinho na sacada acesa e resolve fazer uma graça. O bicho não gosta daquilo e inicia o latido. É claro que você já acordou, mesmo com o sono pesado. O vizinho grita para o cão parar com aquilo e piora ainda mais a situação. O filho da puta que está lá embaixo desiste da brincadeira e vai embora. Mas, como ele é mesmo um filho da puta, resolve dar a volta no quarteirão e aparecer de surpresa para encher novamente a paciência do cachorro. E a sua, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o cão mora em cima de você....  Além de todo o barulho dos latidos, existe ainda o som das patas do bichano arranhando o chão. Toda noite o animal resolve roçar as unhas cumpridas no carpete de madeira. Aquilo arrepia toda sua alma justamente quando você está relaxado, prestes a pegar no sono. É algo mais assustador do que morder papel alumínio quando se degusta um bombom de chocolate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não bastasse o problema do barulho, há a questão da higiene. Não adianta dizer que o cachorro é limpo, que não irá perturbar ninguém. Uma hora você estará no elevador, com a compra feita: pão, queijo, legumes, verduras e um maço de manjericão com a ponta para fora da sacola. O vizinho fará questão de entrar ali com o bicho. Ele tem a convicção de que você não se incomodará com isso. Afinal, o cãozinho dele, supostamente adorado por todos, toma banho com uma frequência invejável, não tem pulgas, usa xampu importado e não solta pêlos. Pois esse bichinho limpo chegará perto do maço de manjericão e enfiará o nariz nas pontas que estão para fora da sacola. Ainda insatisfeito com o cheiro, não hesitará em dar uma lambida nas folhinhas que você pensou em usar na pizza marguerita que pretende fazer. Depois, com feição de galhardia, irá se esconder por detrás das pernas do dono. Este, de modo cínico, encenará uma reprimenda falsa ao quadrúpede. A pizza já era. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem: é óbvio que o bicho não tem culpa. Ele age por instinto. O responsável por essa situação é seu dono que, totalmente destituído de bom senso, entra nos elevadores como se estivessem vazios. Ele sempre achará que não há problema em pegar o mesmo elevador que o seu. Coitadinho do cachorro, ele não faz nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda tem mais. Como o vizinho precisa levar o animal para passear e está frio, ele resolve fazer isso na garagem do subsolo, aquela mesma que você usa. O animal fica por ali correndo, passeando. Pára perto do pilar que fica ao lado da vaga do seu carro, levanta a perna e urina ali. Que mal isso tem?, pensa o vizinho. Nenhum, ele mesmo responde. Você entra na garagem com o carro, avista o cachorro e pensa que atropelá-lo seria a solução de alguns dos seus problemas. Contudo, bem diferente do vizinho, você é dotado de bom senso. Jamais atropelaria o bicho inocente. Em realidade, você adoraria atropelar o vizinho. Isso, entretanto, também está fora de questão. O animalzinho entra na sua frente, você breca e consegue conter o carro. Suspira aliviado. O incauto do vizinho faz cara feia. Olha para você como a reprovar sua conduta. Já emputecido, você desce do carro e, quando percebe, já pisou na urina que o cão deixou ali. Você não percebe, mas o vizinho está regozijando atrás de um pilar da garagem. Talvez esteja até gargalhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisa mais? Não, não precisa. A maioria das situações acima narradas é fictícia. Todavia, todas são factíveis, possíveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Honestamente, acho os cachorros criaturas adoráveis. Acho, também, que os defensores dos animais deveriam lutar pela promulgação de uma lei que impedisse qualquer ser humano de criar cachorros em apartamentos. Se estão realmente preocupados com a proteção desses animais, deveriam ponderar sobre as lamentáveis condições sob as quais são criados: sem espaço, sem contato com a natureza e subjugados a uma rotina que não é, nem de longe, adequada ao seu perfil. Isso certamente faria bem aos cães e ao homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: minha avó sempre teve cachorros, era louca por eles. O dia em que mudou para um apartamento, teve a sensibilidade de perceber que seu amor por eles implicava em abdicar de sua companhia em lugar tão impróprio para criá-los.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-1349197293138240917?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/1349197293138240917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=1349197293138240917' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1349197293138240917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1349197293138240917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/10/caes-e-apartamentos.html' title='Cães e apartamentos'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-3749478828014119859</id><published>2010-10-14T23:29:00.007-03:00</published><updated>2010-10-16T22:57:41.658-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>A imagem</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A imagem - Roberto Barbato Jr&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto publicado no &lt;a href="http://www.portalliteral.com.br"&gt;Portal Literal&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a primeira pedra do prédio foi fincada na terra, todos suspeitaram de que sua construção seria uma falácia. A proposta das Irmãs Beneditinas era mesmo muito audaciosa. A julgar pela pouca tecnologia existente no início do século, uma obra com tais proporções só seria possível se se tratasse de um milagre. Anos depois, chegou-se a acreditar em sua ocorrência. O prédio estava pronto e sugeria existência eterna. Eterna seria também a lenda divulgada após a inauguração da enorme capela do colégio: o Vaticano havia cedido uma imagem de ouro maciço cravejada com diamantes para ostentar a beleza do novo templo católico. No dia em que fora rezada a primeira missa, a imagem desapareceu sem que ninguém soubesse o motivo. O fato teve repercussão nacional, sendo motivo de lamentações de toda sorte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje parece consensual a opinião de que lá foi criada a maior instituição educacional da pequena cidade. Associada às vantagens que se pode auferir de uma lenda, a simples intenção de educar os filhos das famílias tradicionais converteu-se em um eficaz instrumento de acúmulo de riqueza. Por trás de tanta pregação e devoção havia também o desejo imperioso de enriquecer o patrimônio da instituição. Muitas vezes criticadas por suas intenções um tanto duvidosas, as irmãs resolveram fazer ruir os comentários maldosos amiúde feitos pela comunidade. Assim, investiram em iniciativas filantrópicas, criando o Serviço de Assistência Psicológica, destinado aos jovens carentes. O projeto era tão pretensioso que para sua consecução foi chamada uma psicóloga de renome nacional: a doutora Maria Lúcia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí da redação do jornal rumo ao Colégio. Malu estava ansiosa para me colocar a par do que a trouxera para a cidade depois de tantos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas isso é lenda, não tem fundamento, Malu – disse sem paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não tinha fundamento. Agora tem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E qual é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– A história é a seguinte: uma empresa da capital foi contratada para reformar o subsolo do colégio. A estrutura do prédio está comprometida. Existe um aposento que não será mexido, embora seu estado de conservação seja precário. As irmãs teimam em alegar que se trata de um lugar sagrado, porque é lá que está o cadáver do padre que rezou a primeira missa da capela. Para reestruturar as bases do aposento seria necessário exumar o cadáver e removê-lo para um outro lugar. Isso está fora de questão, pois elas jamais aceitariam um fato como esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – E o que tem a ver a tal imagem? – indaguei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Na revista da Congregação desse mês existe uma reportagem sobre a história do colégio. Dentre os inúmeros fatos narrados, estão registrados o episódio do desaparecimento da imagem e a primeira missa rezada. O padre é mencionado como uma figura enigmática, cujas relações com o clero da época estavam sujeitas a todo tipo de altercações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E daí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E daí que ele pode ter escondido a imagem. Talvez porque quisesse tirar proveito dela, talvez porque quisesse tê-la para sua contemplação exclusiva. Seja como for, se ela está aqui, seu lugar é junto ao cadáver do padre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tudo bem. Se encontrarmos a imagem, o que faremos com ela? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O que faremos? Desvendaremos a lenda. E não me parece que você se furtaria a publicar uma reportagem dessa importância. Ou será que estou enganada quanto às suas ambições profissionais? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite havia chegado. Acompanhei Malu até o colégio para que pudesse cuidar de suas instalações temporárias. Ela ficaria próxima à ala do misterioso quarto. Se fosse eu, recusaria uma proposta como essa: cadáver de padre enterrado no subsolo de um colégio de freiras? Nem que o tal projeto de assistência me pagasse em dólar. Das duas uma: ou Malu estava ficando louca como seus pacientes ou havia se convertido numa ávida especuladora de acontecimentos históricos. Marcamos encontro para às seis da tarde do dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pude perceber que ela não estava tão à vontade como no dia anterior. Não dormira bem. Passara a noite ouvindo um som esquisito que vinha, provavelmente, do aposento do padre. Segundo seu relato, parecia uma música sacra, com muitas vozes e repentes graves. Ela então mudou de assunto, falando sobre o primeiro paciente que atendera durante a tarde: um rapaz que foi acolhido pelas irmãs e que prestava serviços de limpeza ao colégio em troca da moradia e refeição. Eventualmente manifestava alguns distúrbios mentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias depois, ao final do expediente, fui para casa. Em poucos minutos recebi a visita de minha amiga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Lembra do Alaor? – perguntou ofegante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sei, o bonzinho que bate fora do bumbo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Hoje ele teve uma crise. Tentou abrir a porta do quarto do padre. Disse que Deus chamou por ele a noite inteira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em face das minhas risadas, Malu repreendeu-me com um olhar severo. Falou-me que o rapaz também tinha ouvido aqueles sons procedentes do quarto misterioso. Era de supor que Deus o tivesse chamado por meio da música. Mas, que música seria tão imponente a esse ponto? O moleque até podia ser louco, mas, achar que Deus fosse cantar para ele, era um grande exagero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ninguém entra lá. Só a madre – ela disse. – Isso só reforça as minhas suspeitas. Por que motivo ela vetaria a entrada das outras irmãs?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Onde ela dorme? – Suspeitei que fosse junto ao padre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Num quarto ao lado do meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendi um cigarro e comecei a pensar alto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Bom, até agora temos o seguinte: na história toda existe uma imagem preciosa, um defunto e um louco. Por razões diferentes da nossa, o louco quer entrar no quarto e é bem possível que não desista, a menos que a música pare de tocar. Se a imagem está lá e nós quisermos descobrir, temos que entrar antes dele. Do contrário, a lenda terá vida longa. Ainda que ele descubra a existência da imagem, ninguém iria acreditar num sujeito como ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E o senhor sabe me dizer como fazer para entrar lá? – ela perguntou insinuando que eu só falara o óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Isso é você quem tem de descobrir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levei-a ao colégio. Naquela noite pude acompanhá-la até a ala íntima. Antes que ela se despedisse de mim, apontou-me o aposento sagrado. Consegui ouvir a tal música. Não restava dúvida alguma: era o Réquiem de Mozart. Pude perceber, então, que não se tratava de uma música qualquer. Aquilo faria com que até os homens mais sóbrios pudessem enlouquecer. Alaor devia ter razão: Deus estava cantando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se alguns dias. A música continuava a tocar e o rapaz insistia na sua atitude suspeita. Chegamos à conclusão de que havia um ritual diário praticado pela madre superiora: toda noite ela entrava no aposento e colocava o Réquiem para cultuar a alma do padre. Malu passou a frequentar seu quarto, aos finais de tarde, com o pretexto de passar informações sobre o tratamento de Alaor. Era a oportunidade que esperávamos. A chave deveria estar escondida lá. Não foi preciso mais que duas visitas para notar a existência de uma Bíblia com fundo falso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na madrugada de uma sexta-feira acordei com um telefonema de Malu. A mensagem que ela me deu foi literalmente telegráfica: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tire cópia da chave embaixo do meu carro. Estacionamento do colégio. Devolva antes de amanhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu iria fazer tudo aquilo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei o chaveiro que conhecia, fiz a cópia da chave e a coloquei no lugar em que a encontrara. Não dormi. Cheguei à redação antes de todo mundo e resolvi pesquisar o arquivo do jornal. Encontrei material sobre a família de Alaor. Curiosamente, seus parentes eram proprietários de uma joalheria na capital. A pesquisa foi interrompida pelo telefonema de Malu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pode ser impressão minha, mas acho que o rapazinho tem um outro motivo para entrar no quarto do padre. O moleque é um delinqüente, isso sim – falei com tom debochado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como, delinqüente? Clinicamente ele é louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Então é um louco safado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me contou que só foi possível pegar a chave quando viu a madre sair do aposento sagrado, por volta das três da manhã. Naquele momento a música tinha parado de tocar. A madre já estava pronta para dormir quando Alaor teve uma crise e começou a bater na porta de seu quarto. Foi aí que Malu se prontificou a ajudá-la e apanhou a chave que já estava no fundo falso da Bíblia. Até o dia raiar, sua falta não seria notada. Depois, bastaria uma desculpa qualquer para repô-la: minha amiga lhe pediu uma aspirina e fez a reposição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a restauração do colégio começaria em breve, resolvemos entrar no quarto no dia seguinte. Restava saber o que faríamos se a imagem estivesse lá. A fim de lograr a credibilidade da população decidimos levar uma filmadora para registrar sua existência. Depois disso, publicaria meu furo de reportagem sobre o sumiço da preciosa imagem e sairia do anonimato jornalístico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, almocei com Malu, que me confirmou o horário do ritual macabro e me disse também que Alaor andava de vigília. Ele acompanhava cada movimento de quem quer que fosse no corredor escuro. Combinamos executar nosso plano às três e quinze da madrugada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o expediente, encontramo-nos para repassar todo o itinerário a ser cumprido. Fui para casa, tomei banho e esperei até as três horas. Parti para o colégio. Encontrei Malu no estacionamento. Entramos sorrateiramente na parte íntima do prédio. Não havia sequer uma única lâmpada acesa. Com a exígua luminosidade da minha lanterna chegamos à porta do aposento. Entramos e acendemos um abajur pequeno situado no chão, ao lado direito da porta. Quanto à Malu não sei, mas fui tomado por um medo assombroso. Aquilo era uma filial do inferno! No escuro, o túmulo do padre assumia proporções grandiosas e a vetustez do material empregado em sua construção imprimia um aspecto mórbido ao lugar. A pintura do teto parecia uma reprodução da Capela Sistina fazendo com que, paradoxalmente, aquelas gravuras atenuassem o clima tétrico. Enquanto Malu procurava pela imagem, eu ia iluminando seu caminho com a lanterna. Sem ter a mínima intenção, bati na quina de uma mesa de mármore e avistei a imagem. Nós estávamos diante de algo absolutamente real, alheio a qualquer invenção. A razão de tanto mistério só poderia ser encontrada na beleza plástica e no valor material daquele objeto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– A filmadora – murmurou Malu ainda perplexa diante da descoberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais me perdoaria: eu a havia esquecido. Ficamos admirando o brilho dos diamantes cravados na imagem. Chegamos a pensar em tirá-la dali, mas nossa postura moral jamais permitiria. Como já tínhamos a chave e sabíamos como proceder novamente, não nos preocupamos. Meu dia de glória estava por vir. Eufóricos e quase realizados pela descoberta, fomos embora de lá. Voltaríamos na noite seguinte. Cheguei em casa e desmaiei de sono no sofá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que amanheceu tocou o telefone. Falei com Malu e saí às pressas. Cheguei ao colégio em pouco tempo. Um tumulto na entrada me fez perceber que alguma coisa estranha havia acontecido. As irmãs estavam reunidas em frente ao mausoléu do padre. Malu aguardava por mim com uma expressão sôfrega. Deram-me passagem e entrei no quarto, como se não o conhecesse. O Réquiem era tocado e, daquela vez, o Offertorium ecoava por todo o colégio. Ao lado do túmulo do padre, encontrava-se a madre superiora. Inteira retalhada, com o rosto exangue e um pequeno terço na mão esquerda, ela ainda agonizava. Suspirou e morreu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imediatamente olhei para a mesa de mármore e senti falta da imagem. Certamente Alaor a teria levado. Minhas últimas esperanças de sucesso foram por água abaixo. A expectativa de tornar pública uma realidade desconhecida não passava de uma grande quimera e o fato de ter desvendado o enigma em nada me consolava. Mesmo que jurássemos diante das câmeras de TV, ninguém acreditaria em nós. A cidade inteira continuaria especulando sobre a lenda. Ela seria definitivamente eterna.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-3749478828014119859?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/3749478828014119859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=3749478828014119859' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3749478828014119859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3749478828014119859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/10/imagem.html' title='A imagem'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-5227361585524230565</id><published>2010-10-09T00:07:00.003-03:00</published><updated>2010-10-09T00:21:04.811-03:00</updated><title type='text'>Periquito não fala</title><content type='html'>Ainda na infância, talvez pré-adolescência, meti na cabeça que queria um papagaio. O bicho, por certo, falaria, conversaria, talvez trocasse idéias.... Era uma imagem bastante interessante – e equivocada – aquela que criei a respeito dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode ser periquito?, perguntaram-me.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Não, não pode. Tem que ser papagaio. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Papagaio fala. Periquito, não.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Fala, sim. Se você treinar o bicho, ele fala. Mesmo sendo periquito.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Quero um papagaio! &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;De nada adiantou a resistência. Ganhei mesmo foi periquito. Dois, aliás. Verdinhos. Ok, se eles falam, vamos lá, pensei. Comecei a provocá-los na expectativa de que, repentinamente, fossem emitir algum som que se aproximasse da língua portuguesa. Som não faltou: fizeram muito barulho. Durante a noite a coisa era difícil e, ao raiar do dia, estavam já em polvorosa. Era um sufoco. Comiam, bebiam, cagavam aos montes e gastavam muito jornal. O cheiro da gaiola também era horrível, tinha uma capacidade de propagação fantástica.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Acho que um mês foi tempo mais que suficiente para me desiludir. Aos poucos fui descuidando deles. Minha mãe generosamente assumiu o trato dos dois. Logo, contudo, se cansou. O assunto virou motivo de discussão familiar. Alguma coisa deveria ser feita com os periquitos. Abriríamos a gaiola e deixaríamos que os dois se libertassem. Era, por certo, o que mais desejavam.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;A gaiola foi aberta. Um deles hesitou no primeiro momento. Depois, colocou o bico para fora, se ajeitou e bateu asas. Foi em direção ao local que sabíamos ser o campo de futebol do clube, localizado em frente de casa. Metade do problema estava resolvido. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O outro periquito, desconfiado, não quis sair do cativeiro. Nada havia a fazer senão doá-lo. Foi o que fizemos. Levaram-no para casa da Geni, a doméstica de então. Na semana seguinte, ao indagar a ela como estava o bichano, fui informado de que havia sido devorado. &lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O gato comeu ele – respondeu Geni com a expressão mais tranquila do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, comeu com gaiola e tudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que algum infeliz tirou o coitado da gaiola. Eu sabia disso, mas queria que ela confessasse, justamente para admitir que foram imprudentes com o bicho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma cara-de-pau inenarrável, ela disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele escapou da gaiola!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que a raiva passou, fiquei um bocado chateado e decidi que não teria mais bicho algum. Havia chegado à conclusão de que não valeria a pena. Além dessa, cheguei a outra conclusão: periquito não fala.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-5227361585524230565?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/5227361585524230565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=5227361585524230565' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5227361585524230565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5227361585524230565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/10/periquito-nao-fala.html' title='Periquito não fala'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-3253340435560340706</id><published>2010-10-05T01:22:00.003-03:00</published><updated>2011-01-07T17:39:51.185-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Segundo turno</title><content type='html'>Ninguém deu aquele voto! Aquele que poderia tornar Dilma Rousseff Presidente da República. Vamos, então, ao segundo turno. Felizmente....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-3253340435560340706?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/3253340435560340706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=3253340435560340706' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3253340435560340706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3253340435560340706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/10/segundo-turno.html' title='Segundo turno'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-8633798811202839341</id><published>2010-10-02T22:28:00.008-03:00</published><updated>2011-01-07T17:40:46.939-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Pergunta básica</title><content type='html'>Não me lembro de uma eleição presidencial cujas pesquisas eleitorais apontavam alguma incerteza relativamente ao resultado. Ainda que houvesse disputa acirrada, as pesquisas indicavam sempre o vencedor ou a existência do segundo turno. Nunca houve nenhum desencontro nesse sentido....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora há pouco, quando liguei o computador, vi que o Datafolha, em pesquisa realizada ontem e hoje, apontou para 50% das intenções de voto para Dilma Rousseff, sendo os demais 50% distribuídos entre os demais candidatos. Supondo ser precisa a aferição da pesquisa, Dilma somente será eleita amanhã Presidente do Brasil se tiver um voto a mais a seu favor. Ou seja, tendo os 50% dos votos computados pelo Datafolha mais um único voto, estará no Palácio do Planalto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha pergunta é simples: de quem será esse voto?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-8633798811202839341?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/8633798811202839341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=8633798811202839341' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/8633798811202839341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/8633798811202839341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/10/pergunta-basica.html' title='Pergunta básica'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-5311321888908945604</id><published>2010-10-01T00:51:00.004-03:00</published><updated>2010-10-01T01:00:57.738-03:00</updated><title type='text'>Mudança ?</title><content type='html'>Pois é.... O &lt;span style="font-style:italic;"&gt;blog&lt;/span&gt; mudou de cara, de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;design&lt;/span&gt;, de forma. O conteúdo continua o mesmo, as mesmas besteiras, a mesma falta de compromisso e aquela necessidade de justificar coisas injustificáveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, nada mudou. Ou, como diria o personagem de Lampedusa, "para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigamos, enfim....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-5311321888908945604?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/5311321888908945604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=5311321888908945604' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5311321888908945604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5311321888908945604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/10/mudanca.html' title='Mudança ?'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-3036164434383959671</id><published>2010-09-19T04:01:00.000-03:00</published><updated>2010-09-19T04:02:39.848-03:00</updated><title type='text'>Cagaram no Arco-Íris</title><content type='html'>Com essa história de baixar músicas da internet, nunca sabemos, ao certo, o que estamos adquirindo. Por várias vezes, ao encontrar um título, fiquei animadíssimo. Contudo, depois de baixado o arquivo, percebi que a música pretendida era outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também acontece de adquirir uma canção como se ela fosse interpretada por alguém que nem sequer a cantou. Quando se trata de música instrumental, a coisa é ainda mais complicada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que me aconteceu recentemente. Encontrei na rede &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Somewhere Over the Rainbow&lt;/span&gt;, clássico interpretado por vários ícones da música norte-americana, entre eles Ray Charles. Baixei o arquivo porque notei que a interpretação era do Deep Purple. Isso, em si, já era motivo suficiente para aguçar minha curiosidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi a música e fiquei embasbacado. É belíssima a interpretação na guitarra, com agudos e escalas comedidas. Fiquei imaginando Ritchie Blackmore tocando aquela obra-prima com seu inegável virtuosismo. A curiosidade foi, contudo, além da audição da música. Busquei na rede informações sobre a gravação. Se Deep Purple gravou aquilo, deveria haver referência em um de seus discos.... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual não foi minha surpresa ao notar que vários guitarristas gravaram o clássico? O time é feito só de craques. Se não me engano, estão entre eles Jeff Beck, Jimi Hendrix, Steve Vai, Yngwie Malmsteen, Ritchie Blackmore e Eric Clapton. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repentinamente, descobri que a versão por mim baixada não era do Deep Purple e tampouco desses guitarristas mencionados. Era do Joe Satriani, cujas mãos flutuam sobre as cordas da guitarra como se fizesse mágica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bastante animado, enviei a música para meu pai com uma frase lacônica: "Ouça isso". Por conhecer tantas interpretações, supunha que fosse achar original o arranjo do Satriani e sua banda. Esqueci-me, entretanto, que ele não aprecia virtuosismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta, bastante jocosa, não se fez esperar: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estridente demais. Para mim, esse conjuntinho cagou no arco-íris.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-3036164434383959671?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/3036164434383959671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=3036164434383959671' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3036164434383959671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3036164434383959671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/09/cagaram-no-arco-iris.html' title='Cagaram no Arco-Íris'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-3415861456670644735</id><published>2010-09-12T12:27:00.004-03:00</published><updated>2011-01-07T17:41:33.085-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Ainda política: opções e anulação</title><content type='html'>Estou parecendo alguns políticos: prometi que não falaria de política aqui. No entanto....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu desânimo com a política é tão grande que fico receoso de chegar à conclusão de que vale a pena anular meus votos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca anulei voto algum. Nunca. Nem mesmo quando tive de optar, no segundo turno de uma eleição majoritária, entre o capeta e o coisa-ruim. Fui para a urna com uma sensação terrível, sabendo que um dos dois fatalmente ganharia o pleito eleitoral. Se fosse o coisa-ruim, estaríamos perdidos. Se fosse o capeta, seria pior ainda. Depois, inferi que os dois seriam desastrosos. Ambos eram realmente terríveis e, sob todos os pontos de vista, tinham suas trajetórias maculadas por toda sorte de desventuras morais e éticas. Pois bem, acho que o coisa-ruim virou o capeta e piorou ainda mais a situação. O outro capeta, excluído do poder, continuou com sua sanha antiquada, mas ainda bastante sedutora para os quadros reacionários da nossa sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa experiência deveria ter servido para me mostrar que, em certas situações, é realmente desejável que se anule o voto. Todavia, até hoje não me convenci disso. Explico minhas razões de forma simples. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho dúvida sobre a necessidade de refinar, na nossa sociedade, os instrumentos políticos e o processo eleitoral. E não se pode fazer isso abrindo mão da representatividade. É fundamental que aqueles desejosos de melhorar o mundo em que vivem assumam compromissos políticos, tal como assumem compromissos profissionais, sentimentais e religiosos. Disso defluirá a possibilidade de alcançar a maturidade política. Aliás, a educação política deve iniciar-se ainda na fase de desenvolvimento intelectual e cultural do indivíduo. Discutir política, ao contrário do infame ditado popular, é essencial para o amadurecimento da sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avaliar propostas e debater programas político-partidários são formas indiretas de intervenção na realidade social. Associado a elas, a escolha de candidatos em pleitos eleitorais cumpre um papel sobremaneira importante para a organização da própria sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, ainda que repute pertinente sob determinadas situações, discordo da idéia de que o voto nulo é uma forma de protesto. Que protesto é esse? Qual é seu alcance? Qual é o seu sentido prático? O que esse protesto nos diz na discussão da agenda política? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Protesta-se, afinal, contra o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns protestam contra a obrigatoriedade do voto. Não admitem nenhum tipo de imposição e, por isso, se furtam a votar. Não sabemos, entretanto, se não se trata de uma boa desculpa, um grande álibi, que justificaria a alienação política de tanta gente. E se o sufrágio fosse facultativo? Será que os protestos existiriam? Não haveria, porventura, outra razão para se anular o voto? Não se criaria outro álibi para a velha apatia política? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, não consigo, ainda, elidir a idéia de que todos nós devemos assumir compromissos políticos e não consigo ver a anulação do voto como protesto concreto, viável e útil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário de Andrade tinha toda a razão quando, há vários anos, disse que vivemos a idade política do homem e que a ela temos de servir. Por que não fazemos isso?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-3415861456670644735?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/3415861456670644735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=3415861456670644735' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3415861456670644735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3415861456670644735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/09/ainda-politica-opcoes-e-anulacao.html' title='Ainda política: opções e anulação'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-4305683690631141898</id><published>2010-09-08T00:40:00.003-03:00</published><updated>2011-01-07T17:41:48.793-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Opções políticas</title><content type='html'>Já não encontro mais desculpas para justificar comentários políticos aqui no blog. Então, vamos lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As eleições se aproximam. Desta vez, não condicionarei meus votos à filiação partidária dos candidatos. Antes da minha desilusão com um certo senhor e seu partido, acreditava na necessidade de criar uma cultura política que valorizasse os partidos, que primasse pela fidelidade partidária, que concorresse para a conquista da coerência das condutas ligadas à administração da coisa pública. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era mais ou menos isso que norteava minha concepção política. Muitas vezes deixei de votar em um candidato que acreditava ser sério e competente apenas porque ele não estava filiado a um partido que correspondesse, ao menos em tese, àquilo que reputava relevante em matéria política. Cheguei a votar em partidos, e não em candidatos. Entendia a lição de Gramsci – segundo a qual o partido político moderno é a expressão fiel do príncipe descrito por Maquiavel – como uma máxima que deveria ser seguida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se havia um político num partido liberal, ainda que tivesse grandes virtudes pessoais, meu voto não era dele. Se tivesse, igualmente, enormes virtudes políticas, tanto fazia: não votava nele. A legenda, a ideologia partidária e a trajetória daquele partido no Brasil me impediam de fazê-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora nunca tenha me filiado a ele, tinha em alta conta aquele partido que, a despeito de todas as suas deficiências, não aceitava políticos que pudessem incorrer em condutas moralmente questionáveis ou ilícitas. Nele, dissessem o que quisessem, não havia nenhum político envolvido com escândalos, com fraudes ou bandalheiras. Dizia-se, com frequência, que em seus quadros reinava a decência, a lisura, a honestidade, e outros tantos adjetivos tão importantes ao padrão médio da moralidade "pequeno burguesa". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi esse mesmo partido que, após algumas desventuras na esfera ética, fez-me mudar, radicalmente, a maneira pela qual deveria vislumbrar a política. Hoje, pouco se me dá se o partido do meu candidato tem um pé na social-democracia ou mesmo na liberal-democracia. Isso já não constitui razão bastante para eliminar um determinado candidato de minhas opções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo que todos os partidos estão sujeitos a acolherem políticos de variada estirpe. Todos, sem exceção, devem abrigar homens que não vivem para a política, mas que vivem da política como um meio de auto promoção material e social. Não creio ser tarefa fácil enumerar os políticos com vocação, alheios a interesses pessoais, dispostos a lutar pelo bem comum, como seria de se supor relativamente à atividade política. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode até parecer que esteja reproduzindo o velho jargão de que "todo político é igual, que todos os partidos são iguais". Será que não são? Não, é claro que não são todos iguais. São "quase" iguais. A linha de ruptura, de separação entre eles, é fina, tênue, muito lábil....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorou bastante para que eu, ingênuo, constatasse essa infame realidade. E o que me causa mais perplexidade é que a opinião pública e o senso comum "quase" estavam com a razão: são todos iguais. É uma pena....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-4305683690631141898?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/4305683690631141898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=4305683690631141898' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4305683690631141898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4305683690631141898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/09/opcoes-politicas.html' title='Opções políticas'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-8269468214693104383</id><published>2010-08-29T23:03:00.002-03:00</published><updated>2010-09-02T00:36:38.078-03:00</updated><title type='text'>O fim do mundo e o século XXI</title><content type='html'>"Até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada" (Assis Valente)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde sempre ouvi falar sobre a passagem para o século XXI. O ano 2000 era amiúde comentado na minha infância e, cada vez mais, parecia mais distante. Eram inúmeras as previsões que se faziam a respeito do que existiria, do que deixaria de existir. Especulava-se muito e com grandes expectativas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez não andássemos mais de carros, mas sim com pequenos veículos voadores, tais como aqueles que víamos nos desenhos dos Jetsons, da Hanna Barbera. A lua não seria mais um satélite inatingível, mas um lugar de veraneio para os mais abonados, entre os quais, naturalmente, eu não me incluía. A bem da verdade, ao contrário dos meus amigos, nunca tive interesse em ir para lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fantasia do século XXI perdeu algum espaço na minha cabeça quando houve um diz-que-diz-que profetizando o fim do mundo em setembro de 1999. Algum lunático não se furtou a expor sua teoria numa noite de domingo, no Fantástico. Segundo ele, um meteoro gigante colidiria com a Terra e nada sobraria. Ainda moleque, passei a me preocupar com a impossibilidade de viver os anos dois mil. Fiz as contas de qual idade teria quando fosse acometido pela grande catástrofe. Morreria antes dos trinta. Que sacanagem....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo depois, a idéia de que o fim do mundo se daria mediante uma hecatombe nuclear passou a acompanhar minhas preocupações. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;The day after&lt;/span&gt;, datado de 1983, seguramente meteu muito medo na cabeça dos desavisados, sobretudo das crianças. O cogumelo nuclear, devastando tudo o que encontrasse, passou a ser o grande vilão da história. Sobrariam apenas baratas e, a exemplo da fruição dos humanos na lua, apenas uns poucos mortais poderiam se refugiar nos abrigos profetizados no filme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio o ano 2000 e, como diz a música, "o tal do mundo não se acabou". Depois da meia-noite de 2001 parei em frente à TV e achei que estivesse bêbado: a Globo passava &lt;span style="font-style:italic;"&gt;2001: uma odisséia no espaço&lt;/span&gt;, do grande Kubrick. Perguntei-me onde estaria aquela realidade prometida e me dei conta de que a noção do tempo é realmente insidiosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, Stephen Hawking asseverou que o destino da humanidade está fora da Terra. "Eu vejo grandes perigos para a raça humana". Disse que a solução consiste em "evacuar o planeta e se espalhar pelo espaço". (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Folha de S. Paulo &lt;/span&gt;– 10/08/2010). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que já passei dos trinta, que nada daquilo que foi dito e vaticinado não aconteceu, não quero sair da Terra. Quero ver o mundo se acabar, de uma vez só. Sem poupar ninguém, nem as baratas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-8269468214693104383?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/8269468214693104383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=8269468214693104383' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/8269468214693104383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/8269468214693104383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/08/o-fim-do-mundo-e-o-seculo-xxi.html' title='O fim do mundo e o século XXI'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-8464371329742948575</id><published>2010-08-14T11:54:00.001-03:00</published><updated>2010-08-14T11:57:02.878-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas da literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Língua brasileira'/><title type='text'>Ponto e vírgula</title><content type='html'>Língua brasileira 8&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a ler &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Os espiões&lt;/span&gt;, do Veríssimo (editora Alfaguara). Nele, há um personagem fantástico (professor Fortuna), cujas características não pretendo descrever para não estragar o prazer da leitura daquele que se interessar pela obra. Abaixo reproduzo um pequeno trecho com sua posição sobre o uso do ponto e vírgula. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"- Qual é a sua posição sobre a vírgula, professor?&lt;br /&gt;E ele:&lt;br /&gt;- Sou contra!&lt;br /&gt;Tese do professor: vírgula qualquer um põe onde quiser. O verdadeiro teste para um escritor é o ponto e vírgula, que, segundo ele, até hoje ninguém soube como usar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VERÍSSIMO, Luis Fernando. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Os espiões&lt;/span&gt;. Rio de Janeiro: Alfaguara/Objetiva, 2009, p. 13.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-8464371329742948575?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/8464371329742948575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=8464371329742948575' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/8464371329742948575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/8464371329742948575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/08/ponto-e-virgula.html' title='Ponto e vírgula'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-6759355559428370157</id><published>2010-08-07T00:15:00.005-03:00</published><updated>2010-08-08T23:35:15.263-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Língua brasileira'/><title type='text'>O mesmo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_tijvAhgG_mE/TFzRkqLFH4I/AAAAAAAAAAU/0B0IIdSDP_w/s1600/MESMO.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_tijvAhgG_mE/TFzRkqLFH4I/AAAAAAAAAAU/0B0IIdSDP_w/s320/MESMO.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5502503272466161538" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Língua brasileira 7&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto quanto o gerundismo, o uso do "mesmo" é uma praga. A título de mera curiosidade, veja-se alguns exemplos:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Recado da professora: "Por favor, avisem os alunos que o texto já está disponível no xerox. Todos devem levar o mesmo para a aula de amanhã"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguta-se: quem é o mesmo? O xerox ou o texto? É claro que é o texto, mas....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma sentença judicial: "o processo versa sobre acidente ocorrido na rodovia, nas proximidades deste município, tendo o mesmo ocorrido por ter o acusado perdido o controle do veículo em razão do cansaço apresentado pelo mesmo"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tristeza! E o nobre redator do texto é Juiz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O técnico da eletrônica: "A televisão está quebrada. A mesma precisa ser trocada ou consertada".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como o "mesmo" ganhou tanta notoriedade. Mas imagino que algo simples tenha contribuído para sua divulgação: a Lei nº 9.502/97. O texto dela é bastante conhecido: "Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado no andar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por constar de lei, o texto deve ter levado os usuários de elevador (o mesmo) a acreditar que sua redação corresponde à forma culta da língua portuguesa. Ou seja, o texto de lei, criado por algum incauto, serviu para legitimar mais uma moda da nossa "inculta e bela".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem tudo está perdido, entretanto. Há algum tempo, uma aluna, cansada de me ouvir reclamar do "mesmo", me mandou um e-mail com uma foto de um elevador. O título do e-mail era "Viva la Revolución!". De fato, trata-se de uma revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apreciem a foto!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-6759355559428370157?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/6759355559428370157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=6759355559428370157' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6759355559428370157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6759355559428370157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/08/o-mesmo.html' title='O mesmo'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_tijvAhgG_mE/TFzRkqLFH4I/AAAAAAAAAAU/0B0IIdSDP_w/s72-c/MESMO.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-5026593524892728098</id><published>2010-07-24T01:10:00.006-03:00</published><updated>2010-07-24T02:03:22.992-03:00</updated><title type='text'>Hotel Novo Mundo</title><content type='html'>LEITE, Ivana Arruda. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hotel Novo Mundo. &lt;/span&gt;São Paulo: Editora 34, 2009, 128p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo que saiu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hotel Novo Mundo&lt;/span&gt;, de Ivana de Arruda Leite, resolvi não lê-lo. Como estava naquelas fases em que não se tem tempo para leitura tranquila, achei melhor saborear o texto em momento posterior. Fui adiando a leitura até que.... ganhei o livro de presente. Coloquei-o naquela fila de prioridades que nunca é cumprida, pois tendo, sempre, a subornar minhas vontades e a inverter a ordem estabelecida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não quis ler nenhuma resenha, nenhuma crítica sobre a obra. É o que procuro fazer: não deixar me impregnar pelas impressões alheias, ainda que sejam confiáveis, antes de terminar a leitura de um livro qualquer. Assim, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hotel Novo Mundo &lt;/span&gt;permaneceu inédito até que comecei a lê-lo. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alameda Santos&lt;/span&gt;, segundo livro da autora, já veio a lume e ainda nem vi a cara dele....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É curioso experimentar a primeira aventura de um autor num determinado gênero quando já estamos acostumados com outra faceta de sua produção. Não é difícil imaginar um romance escrito por alguém especialista em contos. Todavia, pareceu-me bastante complicado pensar num romance escrito pela Ivana, pois seus contos, salvo melhor juízo, têm extensão reduzida. São contos curtos, enxutos e diretos. São capazes de mobilizar sentimentos e expressões densas em exígua narrativa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O drama central de Hotel Novo Mundo, a contradição literária – se assim podemos chamá-la – está no conflito interno dos personagens, sobretudo da narradora-protagonista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renata é uma paulistana que, depois de longa experiência como prostituta, junta-se com o Dr. César, passando a residir com ele no Rio de Janeiro. Leva uma vida luxuosa, tranquila, com abonança material. Fútil, chega inclusive a cuidar dos filhos do parceiro. Mantém-se fiel a ele, embora seja constantemente cortejada por seus amigos. Num determinado dia, flagra-o na saída de um motel, com uma mulher. É esse o momento apto a determinar a trajetória de Renata ao longo do romance. É esse também o ponto de partida para a busca de algo que nem sequer se delineou. Num instante de raiva, Renata decide romper com a rotina que levava. Sem avisar o parceiro, sai do Rio de Janeiro, de sua casa, sem levar nada que possa garantir sua subsistência por longo tempo. Conta apenas com uma grana capaz de sustentá-la por curto período: exatamente uma semana. A estrutura do romance se circunscreve nesse prazo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rumo a São Paulo, no avião, conhece Divino. Como uma intrusa, Renata o acompanha rumo ao Hotel Novo Mundo, sem prever o quanto é conhecido por lá. Passa, então, a fazer parte – perdoem-me o pobre trocadilho - de um novo mundo. Tem início uma inédita socialização da personagem. Ali, na nova vida, Renata vai firmando convicção de que não voltará para o Rio, que não voltará para César, que está disposta romper de vez com a vida que vinha levando. A despeito disso, não sabe exatamente como resolver o impasse de recusar seu passado. Não toma providência alguma. É por isso que o leitor é acometido por um incômodo que persistirá até as páginas finais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa consulta com Lauro - pai-de-santo residente no hotel – é  aconselhada a conversar com César, explicitar o rompimento da relação que, para ela, é “cada vez mais quase definitivo”, mas que, para o leitor, ainda soa incógnito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa conversa somente acontece em razão da iminência das privações materiais, ao final da semana, quando já estava envolvida com Divino (sentimentalmente, é claro) e com a maioria dos moradores do hotel. Como seu dinheiro está prestes a acabar, Renata reavalia sua postura e considera que deve ir ao Rio para manifestar sua vontade de separar-se e, contrariando intenção pretérita, amealhar o que os anos de convívio com César lhe facultou no campo dos "direitos". Sim, Renata volta para o Rio, pega jóias que lhe possibilitam comprar um carro e um apartamento (por aí imagina-se a disparidade existente entre a vida que levava e aquela que adotou na Paulicéia). De volta para o Novo Mundo, reencontra Divino, com quem, aliás, tudo leva a crer terá uma relação sem pretensões, destituída de compromisso, serena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expondo a narrativa nesses termos, poderia soar que a trama do livro é simples. É, contudo, a descrição do cotidiano que enreda os personagens do Hotel Novo Mundo que traduz a beleza da obra. Trata-se de um cotidiano recheado por histórias de vida muito peculiares: uma menina que carece de uma cirurgia cardíaca; a paixão insistente, quase eterna, de uma mulher por Divino; Zema, desenhista de vestidos de noivas soropositivo, namorado de Lauro, que foi expulso de casa justamente quando o pai descobriu sua homossexualidade; Leão, o pianista boêmio de uma casa de shows decadente, pai de uma médica também homossexual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ivana mescla a narrativa da trama com trechos que explicam as trajetórias de vida pessoais dos personagens. Intercala o desenvolvimento da história com entretrechos explicativos que, a rigor, estão descolados da própria trama. Não existissem, talvez não fizessem diferença para o  contexto narrativo, mas sim para a densidade psicológica do romance. Um desses trechos é usado, inclusive, para resgatar a infância de Renata e revelar que a mãe - também prostituta -  não hesitou em falar para a filha, em momento de adversidade, que, enquanto tivesse boceta, não passariam fome. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seriam oportunos, aliás, alguns palpites sobre a ligação da trajetória da filha com o passado da mãe. No livro há elementos suficientes para arriscar esses palpites. Jamais arriscaria a fazê-lo, entretanto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, vale uma última observação. Em vários momentos da obra, São Paulo é perfilado por seus pontos urbanos e pelas lembranças que Renata tem de sua juventude. No entanto, o retrato que se tem de São Paulo assume definição precisa quando a protagonista faz uma comparação fantástica entre a Paulicéia Desvairada e a Cidade Maravilhosa. No velho "embate" Rio X São Paulo, nunca vi contradições tão bem explicadas. Com as escusas de eventual exagero, acho que nunca alguém conseguiu expressar com tanta sensibilidade as idiossincrasias relativas às duas metrópoles. Veja-se: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Andar no Rio de Janeiro pela manhã, com essa luz, com esse sol, vendo o mar e essa paisagem deslumbrante chega a me dar raiva. Esta cidade é uma aberração. Não há como fazer jus a este cenário. Ninguém aguenta a responsabilidade de viver num lugar tão lindo. Em São Paulo, você pode ser infeliz à vontade. A sua miséria se junta à miséria da cidade e vira tudo uma coisa só. Vive-se com mais naturalidade. São Paulo deixa você ser quem você é. O Rio é uma cidade para semideuses" (p. 108-109)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fantástico! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hotel Novo Mundo &lt;/span&gt;é finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria novos autores. Não conheço os demais títulos, mas torço pela Ivana. No próximo dia 02 sairá o resultado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-5026593524892728098?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/5026593524892728098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=5026593524892728098' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5026593524892728098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5026593524892728098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/07/hotel-novo-mundo.html' title='Hotel Novo Mundo'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-3428767937877019452</id><published>2010-07-21T01:27:00.009-03:00</published><updated>2010-07-21T01:40:21.691-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas da literatura'/><title type='text'>São Paulo e Rio (Ivana Arruda Leite)</title><content type='html'>São Paulo e Rio de Janeiro: Hotel Novo Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cenas da literatura V&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na blogagem coletiva proposta para a próxima sexta-feira (23/07), pretendo escrever sobre o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hotel Novo Mundo&lt;/span&gt;, de Ivana Arruda Leite. Antes disso, adianto um parágrafo do livro que precisa fazer parte da seção "Cenas da literatura", já há muito abandonada aqui no blog. Não se trata, contudo, da descrição de nenhuma cena. São observações preciosas! Vejam: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Andar no Rio de Janeiro pela manhã, com essa luz, com esse sol, vendo o mar e essa paisagem deslumbrante chega a me dar raiva. Esta cidade é uma aberração. Não há como fazer jus a este cenário. Ninguém aguenta a responsabilidade de viver num lugar tão lindo. Em São Paulo, você pode ser infeliz à vontade. A sua miséria se junta à miséria da cidade e vira tudo uma coisa só. Vive-se com mais naturalidade. São Paulo deixa você ser quem você é. O Rio é uma cidade para semideuses" (LEITE, Ivana Arruda. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hotel Novo Mundo&lt;/span&gt;. São Paulo: Editora 34, 2009, p. 108-109)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-3428767937877019452?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/3428767937877019452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=3428767937877019452' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3428767937877019452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3428767937877019452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/07/sao-paulo-e-rio-ivana-arruda-leite.html' title='São Paulo e Rio (Ivana Arruda Leite)'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-464376475176021797</id><published>2010-07-19T01:14:00.003-03:00</published><updated>2010-07-19T01:18:38.414-03:00</updated><title type='text'>Alguém conhece Lubitsch?</title><content type='html'>"Henry Van Cleve (Don Ameche), um ex-playboy já maduro, morreu e foi para o inferno. Mas o chefão das trevas, Sua Excelência (Laird Cregar), não está convencido que Van Cleve veio para o lugar certo. Henry começa a contar a história de sua vida, desde seus primeiros arroubos de paixão por uma governanta francesa até quando cortejou e ganhou o coração de sua bela esposa Martha (Gene Tierney). No entanto, apesar de profundamente apaixonado, ele nunca conseguiu ser totalmente fiel e está convencido que merece uma vida de castigos eternos no inferno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que conta sua história, e uma vida de amor preenche a tela, fica a cargo de Sua Excelência dar a sentença final a Henry. Ricamente ambientado no mundo da alta sociedade da virada do século XX, o tema atemporal do amor versus o desejo é tratado com inteligência, bom gosto e sofisticação. Dirigido por Ernst Lubitsch e abrilhantado por fantásticas interpretações coadjuvantes, este romance clássico foi indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme e de melhor diretor em 1943".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a sinopse de "O diabo disse não" (Heaven Can Wait, EUA, 1943), de Ernst Lubitsch, retirada do site 2001 Vídeo (&lt;a href="http://www.2001video.com.br"&gt;http://www.2001video.com.br&lt;/a&gt;). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém achar uma cópia por aí, em locadoras ou na internet, por favor, me avise. Devo ter ainda uma fita VHS que gravei quando o filme passou na Globo há alguns anos. Por suposto, deve estar em péssima condição de uso e, ademais, meu vídeo já está na iminência do ocaso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino que hoje poucos conheçam Lubitsch. Todavia, é muito provável que tenham assistido "Mensagem para você", adaptação de Nora Ephron para o clássico "A loja da casa da esquina" ("The Shop Around the Corner"), obra-prima do diretor alemão. Aluguei o filme numa Blockbuster, antes da parceria da locadora com as Americanas Express. Depois de algum tempo, deu-me um estalo: em meio a tantas fitas antigas e renovação do acervo, era bem possível que o filme estivesse em alguma estante, perdido, abandonado. Urgia que eu o alugasse novamente para, talvez, fazer uma cópia e deixá-la à disposição para quando desejasse vê-la. Corri para a locadora e solicitei que fizessem a pesquisa no catálogo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não temos esse filme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me contentei com a resposta e perguntei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tem certeza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. Não temos e nunca tivemos esse filme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solicitei que fizesse a busca pelo diretor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lu, o quê? – perguntou o atendente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soletrei: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- L-U-B-I-T-S-C-H.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não temos. Esse filme nunca passou por aqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resignado, agradeci, virei as costas e fui embora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até hoje procuro pelos dois títulos. Também procuro por alguém que conheça Lubitsch.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-464376475176021797?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/464376475176021797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=464376475176021797' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/464376475176021797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/464376475176021797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/07/alguem-conhece-lubitsch.html' title='Alguém conhece Lubitsch?'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-4642556356458962155</id><published>2010-06-30T22:10:00.004-03:00</published><updated>2010-06-30T22:20:06.442-03:00</updated><title type='text'>Merquior e Da Matta</title><content type='html'>Já que evoquei José Guilherme Merquior no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;post&lt;/span&gt; passado, vale a transcrição de um pequeno trecho em que ele comenta a obra &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Carnavais, Malandros e Heróis&lt;/span&gt;, de Roberto da Matta. A crítica foi publicada no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Jornal do Brasil&lt;/span&gt; em 01/09/1979.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem quiser mais informações sobre Merquior poderá acessar o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;link&lt;/span&gt;: "&lt;a href="http://www.topbooks.com.br/frMateria_041001.htm"&gt;Dez anos sem José Guilherme Merquior&lt;/a&gt;". Foi de lá que retirei a citação abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Um dos méritos de Roberto da Matta é, aliás, o seu cuidado com a literatura anterior. Nada noto nele dessa pífia presunção, feita de incultura e insegurança, com que vários dos nossos mais novos praticantes de ciências humanas dão as costas ao que se escreveu antes deles - com muita freqüência, muito melhor - sobre seus temas. Em compensação, a linguagem de Carnavais, Malandros e Heróis poderia ser mais apurada. O autor expõe, em geral com clareza, não raro com certa elegância; mas volta e meia sucumbe ao desleixo ou, pior ainda, a esse fraseado esquisito com que tantos textos universitários macaqueiam gratuitamente palavras e construções inglesas ou francesas. O desleixo abrange alguns anacolutos e várias regências incorretas, além da estranha menção a um tal "Alex" de Tocqueville (que intimidades são essas, Professor Matta? O homem se chamava Alexis). O fraseado postiço inclui, por exemplo, um emprego super-abundante do verbo "colocar" (em vez de "observar", "pretender", "argumentar", "postular", etc.). Esse abuso de "colocar" está virando uma verdadeira muleta verbal do nosso jargão universitário. Mas quanto a Roberto da Matta, não tenho dúvida em (agora, sim) colocar esse seu livro bem acima dessas mazelas de expressão. Ele, pelo menos (ao contrário da maioria dos colocadores), tem muito a dizer".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-4642556356458962155?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/4642556356458962155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=4642556356458962155' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4642556356458962155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4642556356458962155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/06/merquior-e-da-matta.html' title='Merquior e Da Matta'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-2619325982403993468</id><published>2010-06-26T22:35:00.002-03:00</published><updated>2010-06-26T22:46:50.841-03:00</updated><title type='text'>Debates nos anos noventa</title><content type='html'>Já cheguei a comentar por aqui a efervescência cultural e ideológica que havia na década de 1990. Foi nesse ano que ingressei no curso de Ciências Sociais e passei a acompanhar alguns debates travados no suplemento &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Letras&lt;/span&gt;, da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Folha de S. Paulo&lt;/span&gt;. Tratava-se de um suplemento que existiu até 1992, quando veio a lume a primeira edição do caderno &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mais!&lt;/span&gt;, hoje já extinto. Em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Letras&lt;/span&gt;, os debates em torno de questões políticas eram agudos, provocativos. Talvez &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mais!&lt;/span&gt; também tenha nascido para dar guarida a discussões acadêmicas. Todavia, não foi capaz de acolher tantas brigas fecundas. Limitou-se, após algum tempo, a mostrar tendências culturais modernas e a versar sobre temas que nem sempre me interessavam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1990, em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Letras&lt;/span&gt;, um debate duradouro foi travado pelo saudoso José Guilherme Merquior e um doutorando de Filosofia da USP, Ricardo Musse, hoje docente daquela universidade. Já nem lembro mais qual era o teor da contenda, mas recordo-me de que ela partiu de uma resenha feita por Musse a uma determinada obra de Merquior. Além das questões teóricas propostas, houve ataques de ordem pessoal, que buscavam desqualificar argumentos em razão das atividades intelectuais de seus interlocutores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurando pela rede algo sobre o debate, achei o seguinte trecho de autoria de Merquior:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O resenhador de minha antologia [...] é apresentado como um jovem 'doutorando em filosofia na USP'. Não sei se aos doutorandos em 'filô' da USP se exige saber ler antes de pretender julgar. Em caso positivo, temo pelo doutoramento de Musse, porque as liberdades que tomou com o texto alheio não são de molde a inspirar confiança". (MERQUIOR, José Guilherme. "Resenhador de 'Crítica' foi apressado e redutor". In: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Letras, Folha de S. Paulo&lt;/span&gt;. 17/11/1990, p. 6.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um trecho da réplica de Musse dizia o seguinte: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sem sequer me conhecer, a partir de uma só frase que me apresenta como estudante da USP, ele traça considerações genéricas sobre as minhas atividades escolares, o meu futuro acadêmico, a uni¬versidade, a imprensa, a situação da cultura no Brasil etc. Ao ver a folha de uma árvore, o nosso em¬baixador na Unesco apronta seus canhões e abre fogo — contra a floresta inteira. Foi essa facilidade metodológica que critiquei". (MUSSE, Ricardo. "Merquior vê a folha da árvore e atira na floresta". In: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Letras&lt;/span&gt;,&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Folha de S. Paulo. &lt;/span&gt;1º/12/1990, p. 6.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polêmica foi longe e acabou envolvendo, também, o jornalista Bernardo Carvalho que entrou na história em razão da transcrição de uma entrevista com Merquior.&lt;br /&gt;Pouco tempo depois, José Guilherme morrera de modo precoce (1991). Quando isso aconteceu, aqueles que militavam nas tendências liberais muito lamentaram pela ausência do intelectual que era o retrato da erudição da direita brasileira. Os esquerdistas talvez tenham ficado satisfeitos por não terem mais um interlocutor de tamanha capacidade: seria mais fácil lidar com alguém que não tivesse o arcabouço teórico do grande diplomata. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no início dos anos 1990, houve um curto debate entre Antonio Candido e Miguel Reale. Segundo me recordo, no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Jornal da USP&lt;/span&gt;, Antonio Candido teria dito que a violência é um instrumento de transformação da história. Por certo, sua ponderação estava diretamente ligada à famosa frase de Marx no capítulo "A assim chamada acumulação primitiva", d' &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O capital&lt;/span&gt;. A afirmação de Marx é simples: "A violência é a parteira da história". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois foi a partir do resgate de Marx por Candido que Reale publicou sua réplica, talvez na &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Folha de S. Paulo&lt;/span&gt;. A discussão era mais discreta, calcada em idéias e não em agressões sobre a personalidade acadêmica de quem quer que fosse. Creio que Antonio Candido fora incapaz de fazer qualquer comentário pessoal sobre seu interlocutor. Não deve ter trazido à baila o passado integralista de Reale e tampouco seu apoio ao Golpe de 1964. Reale, que teria iniciado o debate, silenciou quando Candido publicou um curto artigo na seção &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tendências &amp; Debates&lt;/span&gt; da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Folha de S. Paulo&lt;/span&gt;. O título era algo como "pingos nos is". Morreu aí outra polêmica.... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito tempo depois, já em 1997, acompanhei uma pequena discussão entre Maria Silvia de Carvalho Franco e Boris Fausto. Era um debate bobo, quase insosso, sobre "o que é um clássico". &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Homens livres na ordem escravocrata&lt;/span&gt;, de Maria Silvia, foi classificado com um clássico por Boris Fausto (seria isso mesmo?). Seguiu-se então uma discussão meio melindrosa....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses e outros debates eram extremamente úteis para quem iniciava a carreira, pois ofereciam referenciais nos quais os inexperientes e ainda sem leituras consistentes poderiam se apoiar. Circunscritos a um inequívoco maniqueísmo, tínhamos fome de debates. Não sei se aprendemos com eles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-2619325982403993468?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/2619325982403993468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=2619325982403993468' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2619325982403993468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/2619325982403993468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/06/debates-nos-anos-noventa.html' title='Debates nos anos noventa'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-4596049567136302441</id><published>2010-06-18T20:06:00.002-03:00</published><updated>2010-06-18T20:17:42.570-03:00</updated><title type='text'>Saramago e Fernando Meirelles</title><content type='html'>Para homenagear Saramago, segue abaixo o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;link &lt;/span&gt;de um pequeno vídeo comovente. Trata-se do momento em que o grande autor manifesta sua opinião sobre a adaptação de seu Ensaio sobre a cegueira, feita por Fernando Meirelles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixem de ver!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Y1hzDzAvJOY"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=Y1hzDzAvJOY&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-4596049567136302441?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/4596049567136302441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=4596049567136302441' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4596049567136302441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4596049567136302441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/06/saramago-e-fernando-meirelles.html' title='Saramago e Fernando Meirelles'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-7763718708147741457</id><published>2010-06-13T21:34:00.002-03:00</published><updated>2010-06-13T21:37:55.763-03:00</updated><title type='text'>Blogagem coletiva: livro brasileiro</title><content type='html'>Em dezembro passado, William Lial – um craque da nossa literatura – promoveu em seu blog uma "blogagem coletiva". A idéia era simples: os convidados deveriam escrever sobre o melhor livro que leram no ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei em dar continuidade à idéia do Lial (nem pedi autorização a ele!). Contudo, o mote da blogagem coletiva que proponho é "o último livro brasileiro que li". Quem tiver blog e gostar de escrever, poderá fazer comentários sobre o último livro que leu, desde que seu autor seja nacional. Romance, contos, poesia, ensaio, etc.... valem todos os gêneros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dinâmica que proponho é a seguinte: cada interessado deverá publicar em seu blog no &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;dia 23/07 (Sexta-feira)&lt;/span&gt;, os comentários sobre o livro escolhido. Não se trata de nenhuma resenha, nada que seja rigoroso e tampouco que contenha ares de academicismo. O objetivo é falar, de modo descompromissado, sobre o livro escolhido. É claro que, sendo possível, as informações bibliográficas da obra devem abrir a redação (autor, título, cidade de publicação, editora, ano de publicação e número de páginas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que as postagens tiverem sido feitas em seus blogs, os autores que quiserem participar da blogagem coletiva poderão me encaminhar o link correspondente. Farei a relação dos textos, autores e links aqui no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Lápis Impreciso&lt;/span&gt;. Os participantes também podem colocar o link em seus blogs. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino que possamos tomar conhecimento de obras que ainda não conhecemos. E o debate sobre elas será sempre bem-vindo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos estão convidados! Manifestem-se nos comentários desse post!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-7763718708147741457?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/7763718708147741457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=7763718708147741457' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/7763718708147741457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/7763718708147741457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/06/blogagem-coletiva-livro-brasileiro.html' title='Blogagem coletiva: livro brasileiro'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-4292343047671143340</id><published>2010-06-06T18:59:00.002-03:00</published><updated>2010-06-06T19:02:58.291-03:00</updated><title type='text'>Copas do Mundo</title><content type='html'>Em épocas de Copa do Mundo, lembro-me, sempre, das anteriores. Não sou tão velho, acompanhei sete Copas: 1982, 1986, 1990, 1994, 1998, 2002 e 2006. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além delas, tenho alguma lembrança vaga da Copa de 1978. Eu tinha 6 anos e vivia brincando no pátio do prédio em que morava. Ouvia gritos de gol que, ao menos para mim, nada significavam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1982, já com dez anos, fui apresentado realmente à Copa. E da melhor maneira possível: em casa comprávamos salgadinhos e refrigerantes para ver os jogos.  Ficávamos na sala, obcecados, absortos. Brasil goleava as demais seleções. A escalação daquela seleção é digna de nota: Sócrates, Zico, Junior, Falcão, Éder, Batista, Leandro, Toninho Cerezo e Valdir Peres no gol. Devo ter esquecido de alguém, mas foi a melhor seleção que vi jogar. Até hoje lembro-me de certos detalhes como, por exemplo, o último escanteio batido pelo Brasil após a fatalidade do gol de Paolo Rossi. Estavam ali minhas esperanças de não sermos eliminados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acreditei na desclassificação. Acho que foi naquela Copa que aprendi a indiscutível lição de que o futebol não é justo. É preciso contar com o senso de oportunidade ou com aquilo que alguns chamam de sorte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1986, perdemos nos pênaltis para a França. Zico errou um pênalti no tempo regulamentar da partida. Disseram-me, depois, que insistiu em bater o tal pênalti porque havia prometido para o filho que, caso houvesse uma penalidade máxima, assim agiria. Foi longo o tempo em que amaldiçoei o moleque. Doutor Sócrates, então meu ídolo maior do futebol, também errou. Bateu um pênalti displicente, sem garra, sem vontade. Aquilo não combinava com ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1990, em plena era Collor, tivemos a pior seleção que já vi jogar. Contaminado por pruridos ideológicos, não queria ver o Brasil campeão. Achava que a eventual conquista da taça pudesse chancelar o aparente clima de prosperidade que o então presidente queria fazer vingar a todo custo. Só não gostei de termos sido eliminados pela Argentina. Maradona havia dado alguma entrevista provocativa em que vaticinara nossa eliminação. A partir de então, continuei a torcer para que perdêssemos o mundial, mas, com mais fervor, torci para que não fôssemos desclassificados pela seleção de Diego Armando. Claro que hoje, olhando para trás, acho aquela torcida uma grande besteira. Onde já se viu, torcer para o Brasil perder a Copa.... Era um sentimento ultrapassado, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;démodé&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1994, fiquei animado com a possibilidade do título mundial. As eliminatórias foram conturbadas. Chamaram Romário que, com sua genialidade, classificou o Brasil. Para incorrer no exagero alheio, arrisco a dizer que nos trouxe a taça também. Era uma seleção bacana, mas, à exceção de Romário e Bebeto, os demais jogadores não eram fantásticos. Ronaldo, aquele que seria posteriormente apelidado de Fenômeno, foi para os Estados Unidos no banco da seleção. Parece que comprou vinte pares de tênis. Não jogou, ficou quieto aprendendo algumas coisas que certamente lhe serviram para experiências futuras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganhamos a Copa da Itália na disputa de Pênaltis, com um erro de Roberto Baggio. Foi uma vitória esquisita. Tive a sensação de que deveríamos ao menos ganhar a partida com um gol nosso e não com erro da seleção adversária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jogadores foram recebidos aqui com honras de Estado e causaram polêmica por não quererem pagar os impostos das volumosas compras feitas na América. Um dos nossos titulares achou justo que não pagassem impostos: a velha prática do patrimonialismo havia tomado a cabeça dos nossos esportistas. Já que venceram a Copa, “fizeram uma festa bonita”, teriam direito à isenção tributária? Podíamos ficar sem essa.... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1998 o Brasil certamente ganharia a Copa. Com uma seleção mais competente que a anterior, fomos para as disputas crentes de que não teria para ninguém. O Brasil era o favorito. Fomos à final. Saí no dia anterior para encher a cara de chope. Quando a partida – aquele espetáculo bizarro – começou, cheguei a me perguntar se era realidade ou alguma conseqüência do porre do sábado. Primeiro tempo: dois a zero para a França. Meu pai me ligou no intervalo do jogo. Ainda poderíamos reverter a situação! Mas qual o quê? Tomamos mais um gol e até hoje tentamos entender o que aconteceu com Ronaldinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2002 foi a maior zebra da história das Copas das quais participamos, ou seja, de todas. A seleção daquela época havia feito as partidas das eliminatórias sem nenhuma competência, nenhum brilho. Jamais acreditei que pudessem fazer algo em campo. Felipão foi quase agredido por não levar Romário. Brigou com 180 milhões de brasileiros e não arredou pé: Romário não foi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos campeões. Vi Ronaldinho jogar para valer, obstinado a ganhar a Copa, como disse em várias entrevistas. Era a redenção do menino. Todos duvidaram que ele pudesse, depois das cirurgias do joelho, voltar a jogar como antes. Foi o artilheiro daquela Copa que fez brasileiros acordarem de madrugada para torcer. Ganhamos o título numa manhã de domingo, por volta das dez horas da manhã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como aconteceu em 1998, fomos para a Copa de 2006 convictos de que iríamos faturar outro título. Vimos uma seleção brasileira apática perder para a França. Ouvi Cafu, com a maior cara-de-pau, retrucar para um jornalista que a sua geração era vencedora e que a derrota para a França não poderia ser parâmetro para avaliá-la. Ainda que tivesse razão, seria melhor ter ficado quieto ou se desculpado pelo vexame de seus colegas. Pela terceira vez, fomos eliminados da Copa pela França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a poucos dias da estréia da Copa de 2010, quero crer que a seleção de Dunga possa nos surpreender. Para não arriscar palpite, fico na expectativa. Essa, de todas as seleções que vi jogar, é a mais misteriosa, aquela que menos conheço. &lt;br /&gt;Ainda assim, merece minha torcida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-4292343047671143340?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/4292343047671143340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=4292343047671143340' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4292343047671143340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4292343047671143340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/06/copas-do-mundo.html' title='Copas do Mundo'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-7268316307835707012</id><published>2010-05-18T21:42:00.002-03:00</published><updated>2010-05-18T21:43:33.280-03:00</updated><title type='text'>Detalhes inúteis 2</title><content type='html'>Escrever sobre o quanto ficamos presos a certos detalhes inúteis fez-me lembrar de uma cena de um clássico do cinema moderno: Os intocáveis, de Brian de Palma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eliot Ness e sua equipe estão no encalço de Al Capone. A luta que se travou entre eles é grande, intensa. Juntamente com o delegado, há um antigo guarda (Connery), um exímio atirador, membro da academia de Polícia (Andy Garcia) e um contador. Cada um a seu modo, contribui para que a caça a Capone tenha êxito. O contador, por exemplo, insistia que o grande mafioso poderia ser pego com na sonegação fiscal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois em meio àquele clima de perseguições estratégicas e mortes, Ness, olhando o infinito, absorto, recebe um recado de sua mulher. Ela deseja saber de que cor será pintada a cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele apenas fala:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E tem gente que ainda se preocupa com a cor da cozinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-7268316307835707012?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/7268316307835707012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=7268316307835707012' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/7268316307835707012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/7268316307835707012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/05/detalhes-inuteis_18.html' title='Detalhes inúteis 2'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-6746953402988559707</id><published>2010-05-08T17:20:00.004-03:00</published><updated>2010-08-08T23:36:40.588-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Língua brasileira'/><title type='text'>Alagados, Trenchtown, Favela da Maré</title><content type='html'>Língua brasileira 6&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alagados&lt;/span&gt;, música dos Paralamas do Sucesso, é, sem nenhuma dúvida, um clássico. Creio ter ouvido, há tempos, Hebert dizer que ela foi uma espécie de passaporte para o sucesso da banda. Não me recordo exatamente suas palavras, mas o sentido era esse. A música veio a lume em 1986, no LP &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Selvagem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Para quem nunca prestou a atenção em sua letra, segue, ao final desse post, seu conteúdo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em recente entrevista ao Paulinho Moska, no programa Zumbido do Canal Brasil, Hebert falou sobre a trilogia das favelas mencionadas na letra: Alagados (Bahia), Trenchtown (Jamaica) e Favela da Maré (Rio de Janeiro). As três são favelas construídas com base em palafitas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hebert disse que, por ocasião da criação da música, estava lendo a biografia de Bob Marley que menciona a favela de Trenchtown, na qual ele fora criado. Logo depois, associou-a à favela de Alagados e, por fim, à Favela da Maré, por onde passava quando era universitário no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como quase ninguém sabe o que é Trenchtown, por ocasião de shows, o público acaba por cantar: "Alagados, sem sal, Favela da Maré"....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, então, não é "sem sal", mas sim "Trenchtown".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue abaixo a letra da música:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**** &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Alagados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo dia o sol da manhã&lt;br /&gt;Vem e lhes desafia&lt;br /&gt;Traz do sonho pro mundo&lt;br /&gt;Quem já não o queria&lt;br /&gt;Palafitas, trapiches, farrapos&lt;br /&gt;Filhos da mesma agonia&lt;br /&gt;E a cidade que tem braços abertos&lt;br /&gt;Num cartão postal&lt;br /&gt;Com os punhos fechados na vida real&lt;br /&gt;Lhe nega oportunidades &lt;br /&gt;Mostra a face dura do mal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alagados, Trenchtown, Favela da Maré&lt;br /&gt;A esperança não vem do mar&lt;br /&gt;Vem das antenas de TV&lt;br /&gt;A arte de viver da fé&lt;br /&gt;Só não se sabe fé em quê&lt;br /&gt;A arte de viver da fé&lt;br /&gt;Só não se sabe fé em quê&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-6746953402988559707?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/6746953402988559707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=6746953402988559707' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6746953402988559707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6746953402988559707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/05/alagados-trenchtown-favela-da-mare.html' title='Alagados, Trenchtown, Favela da Maré'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-1385764877714096984</id><published>2010-05-02T11:28:00.003-03:00</published><updated>2010-05-02T21:03:53.601-03:00</updated><title type='text'>Detalhes inúteis</title><content type='html'>Estive recentemente numa pequena cidade do interior paulista. Precisei tirar uns xerox. Entrei na casa onde as cópias seriam feitas. Era um imóvel antigo, com muitos papéis afixados na parede. Ali seria possível tirar cópias xerográficas, converter VHS para DVD e até elaborar e imprimir currículos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O preço de cada versão do currículo, incluindo 10 cópias, era R$ 3,00 (três reais). Se a esse valor fosse aduzido R$ 1,00 (um real), o consumidor ganharia uma lista de classificados de empregos da cidade. Nada mais coerente: o indivíduo vai lá, imprime seu currículo e ainda ganha as opções para enviá-lo. Serviço quase completo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justamente no momento em que entrei na fila para ser atendido, notei que uma moça estava a ditar os dados de seu currículo para a atendente que ali trabalhava sozinha. O currículo em questão nem era extenso, mas demorou um bocado para ser concluído e impresso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora estivesse com pressa, fiquei quieto e pensei que a situação exigia compreensão. Afinal, estava diante de alguém que procurava por emprego e necessitava garantir sua subsistência. Notei que as informações do currículo lhe eram muito caras. Ela fazia questão produzir seu histórico de maneira didática. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucedeu que, quando da impressão da versão final do currículo, a moça notou que as folhas estavam com "pequenas manchinhas", segundo suas próprias palavras. Eu teria de esperar mais um tempo para ser atendido. Curioso, desloquei-me sutilmente para ver as manchinhas. Não as vi. Pensei que os óculos recentemente trocados pudessem ter me levado a algum equívoco. Aproximei-me das folhas à procura do problema apontado. Nada. Travou-se quase um debate entre a moça e a atendente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sem ver as tais manchas, cogitei de falar com a moça, explicando que, tratando-se de algo tão singelo, quase imperceptível, ela não teria prejuízo algum. Diria que o importante no currículo é o conteúdo e não a forma como ele é apresentado. A essa altura dos acontecimentos, notei que ela pôs as mãos no rosto e esboçou uma cara de profunda insatisfação, quase um choro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já quase em desespero, disse à atendente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veja! São mínimos detalhes que vão fazer toda a diferença para quem for receber meu currículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora insignificantes, os detalhes lhe eram sobremaneira importantes e muito provavelmente justificariam eventual insucesso na conquista de outro emprego. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí de lá sem saber o desfecho daquela história. Todavia, fiquei pensando em quanto tempo perdemos com detalhes inúteis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-1385764877714096984?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/1385764877714096984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=1385764877714096984' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1385764877714096984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1385764877714096984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/05/detalhes-inuteis.html' title='Detalhes inúteis'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-6071313770569494940</id><published>2010-04-30T00:52:00.002-03:00</published><updated>2010-04-30T00:54:18.662-03:00</updated><title type='text'>Os normais 2</title><content type='html'>O grande, enorme, fabuloso e inquestionável mérito de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Os normais 2&lt;/span&gt; (Direção de José Alvarenga Jr, 2009) é sua duração: apenas e tão-somente 75 minutos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-6071313770569494940?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/6071313770569494940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=6071313770569494940' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6071313770569494940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6071313770569494940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/04/os-normais-2.html' title='Os normais 2'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-5286730511246847741</id><published>2010-04-11T12:04:00.002-03:00</published><updated>2010-04-11T12:13:36.614-03:00</updated><title type='text'>Salve Geral</title><content type='html'>Quando da estréia de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Salve Geral&lt;/span&gt; (Direção de Sérgio Resende, 2009), li uma crítica que apontava para seu didatismo. A narrativa do filme poderia ajudar a compreensão do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;modus operandi&lt;/span&gt; do PCC e dos já famosos ataques de Maio de 2006. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme é realmente interessante. Vale a pena assisti-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De minha parte, acho que seu mérito, inegável, foi ter mostrado, ainda que de forma ficcional a existência do acordo entre a cúpula do PCC e a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Esse acordo foi, durante algum tempo, motivo de dúvidas para aqueles que acompanharam os fatos em torno daquele Dia das Mães. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meu livro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Direito informal e criminalidade: os códigos do cárcere e do tráfico&lt;/span&gt;, cheguei a apontar a possível realização dessa negociação a partir de indícios que a mídia paulista havia dado na época. Três matérias significativas a esse respeito foram publicadas na &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Folha de S. Paulo&lt;/span&gt;: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Gestão Lembo faz negociação com o PCC" (15.05.2006); &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Cúpula do PCC ordena fim dos ataques" (16.05.2006) e &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Marcola confirma acordo com governo, diz deputado" (09.06.2006).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A despeito de a imprensa ter sugerido o acordo, muitos duvidaram dele. Eu mesmo, embora convicto de sua existência e tendo informações de um Promotor de Justiça, preferi não tomar posição no livro; limitei-me a indicar as matérias acima mencionadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, vendo o filme e pensando na situação de modo mais distanciado, não consigo ver que os ataques tenham cessado sem que Marcola e os líderes do PCC tivessem dado algum tipo de ordem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais ataques, relembre-se, somente começaram porque Marcola foi transferido para o DEIC (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado) e, depois dele, algumas lideranças do PCC foram isoladas em Presidente Venceslau. Como resposta, o Partido resolveu retaliar o governo, envolvendo a sociedade numa guerra que parou o Estado de São Paulo e causou várias mortes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A negociação, como bem mostra o filme, se deu de modo célere. Um dos líderes do PCC comentou, entretanto, que somente estando em cadeia nacional de rádio e televisão conseguiriam acabar com os ataques em uma hora, conforme o pedido de uma autoridade pública. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro momento significativo do filme é a elaboração do estatuto do PCC. Piloto, filho da protagonista da trama (Andréa Beltrão), recebe das mãos de X, seu parceiro de cela, um papel impresso. No transcurso de sua leitura, em voz alta, faz correção de um erro de concordância, cometido pelo redator do estatuto. X faz uma observação interessante que poderia, salvo melhor juízo, demonstrar a grande ambição transformadora do PCC.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E enquanto as crianças morrerem de fome, dormirem na rua, não terem oportunidade de alfabetização. Espera aí, tá errado....&lt;br /&gt;- Como errado, porra? É o Partido, mano!&lt;br /&gt;- Tá errado, está escrito "crianças terem". É "crianças tiverem". Olha: Enquanto as crianças morrerem de fome, dormirem na rua, não tiverem a oportunidade de alfabetização". Entendeu? É "tiverem".&lt;br /&gt;- Tu vai copiar do jeito que tá, mano.&lt;br /&gt;- Ué! Não querem alfabetizar as crianças? Então, vai deixar errado?&lt;br /&gt;- O Partido vai tomar conta do país, se ligou?&lt;br /&gt;- E dái, Xisão? O que isso tem a ver com "terem" e "tiverem"?&lt;br /&gt;- Daí que a gente muda o alfabeto. "Terem" fica sendo o certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, na versão do Estatuto do PCC que tenho – e que está reproduzida em meu livro – não existe o trecho lido no filme. Nem sequer se fala em alfabetização de crianças. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que as fontes a embasar os dois trabalhos são diferentes? Ou será que se trata, no caso do filme, de alguma licença poética?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, assistir &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Salve Geral&lt;/span&gt; pode resultar num bom programa, em que pese nos fazer recordar de dias difíceis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-5286730511246847741?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/5286730511246847741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=5286730511246847741' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5286730511246847741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5286730511246847741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/04/salve-geral.html' title='Salve Geral'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-6894501642586375813</id><published>2010-04-04T12:18:00.003-03:00</published><updated>2010-04-04T12:39:18.680-03:00</updated><title type='text'>Romances policiais</title><content type='html'>"Para mim, a história de nosso tempo não se exprime nem na guerra nem na bomba atômica, mas no casamento de uma idealista com um gângster e na maneira como sua vida familiar e suas crianças evoluem". Com tais palavras, Raymond Chandler traçava com exímia acuidade o retrato de seu tempo. Discípulo fiel de Dashiell Hammett, considerado o maior escritor de romances policiais, Chandler escrevia também roteiros para cinema. É dele, por exemplo, o roteiro de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Pacto de Sangue&lt;/span&gt;, obra-prima dirigida por Billy Wilder (meu diretor preferido) e baseada no clássico &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Double indemnity&lt;/span&gt; (Dupla indenização), de James Cain. Hammett e Chandler criaram dois detetives que se tornaram célebres: Sam Spade e Philip Marlowe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante muito tempo recusei-me, por puro preconceito, a ler romances policiais. A exemplo de tantos incautos, reputava-os literatura de baixa qualidade. Não perderia meu tempo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1998, topei com dois livros que, casualmente, me fariam "rever meus conceitos", como diz uma propaganda já quase antiga. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O silêncio da chuva&lt;/span&gt;, de Luiz Alfredo Garcia-Roza (merecidamente premiado com o Jabuti e o Prêmio Nestlé de Literatura) e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Bellini e o demônio&lt;/span&gt;, de Tony Bellotto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O silêncio da chuva&lt;/span&gt;, já de pronto, me fez acreditar que é possível conciliar a literatura policial com uma narrativa sensível, aprimorada e bem escrita. Garcia-Roza havia conseguido me mostrar que meu preconceito antigo não era, em verdade, preconceito, mas sim burrice. Lembro-me de uma entrevista que ele deu, no final dos anos 90 no Multishow, em que confessava sempre ler paralelamente a literatura clássica (assim considerada) e a literatura policial. Alguém com um mínimo de bom senso perceberia, pelas suas palavras, a inequívoca possibilidade de apreciar a literatura como um todo, sem desmerecer méritos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus livros seguintes (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Achados e perdidos&lt;/span&gt;; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Uma janela em Copacabana&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Vento sudoeste&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Berenice procura&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Perseguido&lt;/span&gt;), foram adquirindo uma agilidade "mais compatível", por assim dizer, com a narrativa policial. Tornaram-se mais rápidos, mas nem por isso perderam o requinte que o autor soube dar à sua primeira obra. Há tempos, mandei a ele uma carta na qual dizia isso. Na gentil resposta que me enviou, chegou a concordar comigo ou, pelo menos, não divergiu frontalmente das minhas observações. Garcia-Roza é o escritor de romances policiais que, mais do que ninguém, alia a pena fina e elegante a tramas bem urdidas, protagonizadas ou não pelo espetacular Delegado Espinosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bellotto, com narrativa também ágil e seca, despertou-me interesse por Dashiell Hammett. Hammett era, até então, apenas o autor de um livro (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O falcão maltês&lt;/span&gt;) que ficou durante anos na estante da minha casa, juntamente com um volume de Raymond Chandler. É claro que eu já havia ouvido falar no filme homônimo, mas não me atrevi a ler o livro. Pois foi a narrativa do segundo livro de Bellotto que me fez procurar pela produção de Dashiell Hammett. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de ler sua obra-prima, li os contos de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ferradura dourada&lt;/span&gt;, traduzido inicialmente no Brasil pela Editora Círculo do Livro e, após muitos anos, publicado pela Companhia das Letras com o título de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Continental Op&lt;/span&gt;, com belíssima nota introdutória de Ruy Castro. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tiros na noite&lt;/span&gt;, por muito tempo inédito no Brasil, fora publicado em primorosa edição pela Record.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao Bellotto.... Seus livros com o personagem Remo Bellini – cheio de contradições, fã de blues e morador de uma São Paulo quase &lt;span style="font-style:italic;"&gt;noir&lt;/span&gt; – conseguiram uma façanha que eu ainda não conhecia: o segundo e terceiro títulos (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Bellini e o demônio&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Bellini e os espíritos&lt;/span&gt;) são muito superiores ao primeiro (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Bellini e a esfinge&lt;/span&gt;). São apenas esses os três romances nos quais Bellini aparece. Recentemente, Bellotto confessou, em entrevista a Edney Silvestre, que escrevera outros livros sem Bellini para não ficar marcado como autor de um único personagem. Bobagem dele....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também descobri duas Patrícias, a Melo (brasileira) e a Cornwell (norte-americana).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa Patrícia, a Melo, se diz herdeira da literatura de Rubem Fonseca, de quem somente conheço alguns contos. É dela o fantástico &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Elogio da Mentira&lt;/span&gt;, que se construiu em meio a referências literárias enxertadas numa trama que visa a consecução do crime perfeito. Patrícia Mello tem uma escrita divertidíssima, embora o contexto de suas obras sejam densos, pesados.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a Cornwell tem um estilo diferente. É dela a personagem Dra. Kay Scarpetta, médica legista capaz de descobrir indícios dos homicidas por meio das necropsias que realiza. Devorei alguns de seus livros e notei que eles têm uma espécie de cronologia dos personagens. É óbvio que cada obra tem lá sua autonomia. Contudo, os personagens modificam-se conforme o tempo. A Dra. Kay Scarpetta, por exemplo, é uma fumante inveterada nos primeiros livros. Creio que a partir do quarto título, deixa de fumar e passa a criticar com muita frequência um colega fumante insuportável: Marino. Enfim, seus personagens envelhecem, obedecendo a uma linha temporal, dificilmente verificável em qualquer outro personagem. Basta pensar nos heróis em quadrinhos ou outros ícones de histórias de ficção: eles sempre têm a mesma idade e todas as histórias das quais participam são vividas como se o tempo não fosse implacável. Demonstram sempre a mesma destreza, a mesma inteligência e a mesma capacidade de solucionar os problemas que enfrentam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Xangô de Baker Street&lt;/span&gt;, do Jô Soares, merece também destaque nessa pequena lista. Não sei como o classificaria senão como a perfeita realização de um clima ficcional misturado com personagens da vida real. Jô foi fiel a esse estilo em seus dois últimos livros (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O homem que matou Getúlio Vargas&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Assassinatos na Academia Brasileira de Letras&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agatha Christie? Dela li apenas dois livros: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Encontro com a morte&lt;/span&gt; (um tanto enfadonho) e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O assassinato de Roger Ackroyd&lt;/span&gt; (sensacional!). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas para não ser injusto, cabe aqui uma menção àquele que conseguiu, ao menos para a minha geração, fazer com que a molecada adorasse leitura: Marcos Rey. Seus livros com temática infanto-juvenis eram essencialmente policiais. Quem não leu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Um cadáver ouve rádio&lt;/span&gt;? &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O mistério dos cinco estrelas?&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Doze horas de terror?&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Enigma na TV?&lt;/span&gt; Pois é, além da lavra infanto-juvenil, Marcos Rey era um grande romancista, infelizmente pouquíssimo valorizado. Mas isso é outra história....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo ter me esquecido de algum autor ou obra que mereceria inclusão nesse &lt;span style="font-style:italic;"&gt;post&lt;/span&gt;. Vou aproveitar a Páscoa e comer um pouco de chocolate. Quem sabe minha memória me surpreende com alguma surpresa....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, Feliz Páscoa a todos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-6894501642586375813?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/6894501642586375813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=6894501642586375813' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6894501642586375813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6894501642586375813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/04/romances-policiais.html' title='Romances policiais'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-6524096680798568954</id><published>2010-03-14T12:34:00.000-03:00</published><updated>2010-03-14T12:35:18.147-03:00</updated><title type='text'>Intelectuais ou vagabundos?</title><content type='html'>Não tenho dúvidas de que existe, mesmo para os mais esclarecidos, um grande preconceito em relação ao trabalho intelectual. Aqueles que têm de seguir horários rigidamente, imaginam que o intelectual não trabalha e tem uma vida tranquila. Há, aí, uma equívoca analogia com os boêmios. Não se consegue entender que, tirante a exigência dos horários rígidos, o intelectual também trabalha. E muito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante algum tempo da minha vida – época em que me dedicava apenas e tão-somente à atividade intelectual – estabeleci uma rotina de trabalho que a muitos soaria como vagabundagem ou boemia. Iniciava meu estudo (trabalho) por volta das onze horas da noite e ia dormir após as quatro ou cinco horas da manhã, encharcado de café e cigarro. Acordava na hora do almoço. À tarde ia para a universidade fazer pesquisas, pegar livros, conversar com professores, etc. Enfim, tinha uma vida muito peculiar e distante da maioria das pessoas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No prédio em que morava, era tido como um legítimo vagabundo. Era o sujeito que não dormia de madrugada (todos sabiam porque eu fornecia o café do porteiro noturno) e acordava na hora do almoço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A faxineira do prédio – casualmente filha do porteiro – devia saber disso. Um dia, chamei-a para fazer faxina em casa. Combinamos que ela iniciaria o trabalho na hora do almoço, ou seja, justamente no momento em que eu acordaria. Ocorreu que, naquele dia, houve um contratempo e ela preferiu antecipar o início da faxina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às dez horas da manhã, tocou a campainha do meu apartamento. Não atendi, pois dormia pesado. Novo toque.... um, dois, três, quatro.... A faxineira, já enfurecida, começou a tocar a campainha como uma doida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei assustado e corri para abrir a porta. Quando olhei para a cara dela, ouvi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cê dorrrrrme, hein!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após passar o café para garantir que eu ficaria em pé, sentei-me no sofá. Ela, então, me perguntou sobre meus horários, modos de vida e a razão pela qual eu "dormia tanto". Expliquei-lhe que meus horários eram distintos dos dela, mas que eu não passava a noite em festa, e sim trabalhando. Creio que mesmo após a explicação clara, ela não entendeu, mesmo tendo um pai que trabalhava à noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barbeiro que cortava o meu cabelo naquela época também tinha alguma dificuldade para entender minha atividade. Não compreendia que meu estudo era uma espécie de trabalho remunerado. Eu bem que expliquei, mas de nada adiantou. Toda vez que eu ia lá, ele perguntava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, afinal, você estuda ou trabalha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminar os exemplos que justificam o preconceito contra o trabalho intelectual, vejam a seguinte história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma professora da Unicamp entrava em seu escritório residencial pela manhã, trancava a porta e passava o dia produzindo, parando apenas para almoçar. Ao final da tarde, saía do escritório e desabafava o quanto estava cansada. O dia de leituras, pesquisas e escritas sempre lhe custava caro, o que é absolutamente natural. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, à socapa, ouviu um comentário de sua doméstica para a faxineira que ali estava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A minha patroa é uma come-dorme. Não faz nada o dia inteiro. Entra nesse escritório e fica lá sentada. No final da tarde, ainda tem a cara de pau de dizer que está cansada. Ê vida boa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém conseguiria explicar? Não dá....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-6524096680798568954?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/6524096680798568954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=6524096680798568954' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6524096680798568954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6524096680798568954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/03/intelectuais-ou-vagabundos.html' title='Intelectuais ou vagabundos?'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-6044169639869125800</id><published>2010-03-06T01:14:00.001-03:00</published><updated>2010-03-06T01:17:00.997-03:00</updated><title type='text'>Caetano: é melhor ouvi-lo cantar!</title><content type='html'>Há tempos a obra de Caetano não me desperta interesse. Não tenho acompanhado seus discos autorais desde &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Livro &lt;/span&gt;(1999). Também não me interessei por &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Coração Vagabundo&lt;/span&gt;, documentário sobre o próprio Caetano. Todavia, como estava disponível na locadora um exemplar do DVD, resolvi assisti-lo em plena segunda-feira de carnaval.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei qual é o juízo da crítica sobre o documentário. Nem procurei pela opinião especializada. Apenas assisti. Nada mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os monólogos não surpreendem. Trata-se de Caetano falando da importância de ter sido criado em Santo Amaro da Purificação e ter ido para São Paulo após os 18 anos. Os temas que sempre o inquietaram estão lá, vivos: a música brasileira, a pujança do tropicalismo, o etnocentrismo, cidades para se morar (ele confessa que nunca pensou em morar fora, mas, se tivesse que fazê-lo, moraria em Nova Iorque ou Madri). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto alto desses monólogos é a menção ao surgimento de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sampa&lt;/span&gt;. Segundo ele, a música surgiu porque lhe pediram um depoimento sobre São Paulo. Ele deveria gravar um programa de TV no qual esse depoimento seria veiculado. De um dia para o outro, surgiu a música. Simples! Uma das obras primas da música (e da literatura) brasileira saiu assim, rapidamente, de um dia para outro....  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O documentário em si não é lá animador. Entendo mesmo que seja pobre, insosso. Ocorre, todavia, que é acompanhado de um outro DVD. E é nele que está a graça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse segundo DVD está registrado um show que Caetano deu no Bar Baretto por ocasião do registro do CD &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A Foreign Sound&lt;/span&gt;. Nos bastidores, de modo descompromissado, revela que o ingresso para o show custou R$ 500,00 e que esse preço só poderia ser cobrado em São Paulo. O telespectador, porventura incrédulo quanto ao preço, logo fica satisfeito ao ser informado de que o cachê do mano Caetano foi doado para algum hospital. Cuidava-se, portanto, de show caríssimo, mas benemérito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A apresentação é aberta com &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não tem tradução&lt;/span&gt;, de Noel. A música, naturalmente, não faz parte do CD, mas, para Caetano, isso não faz diferença. Cole Porter é representado por duas fantásticas interpretações: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;So in love&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Love for sale&lt;/span&gt;. Esta última é cantada sem nenhum acompanhamento. Kurt Cobain também está em seu show. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos seriam capazes de fazer as combinações que Caetano fez sem deixar o show incoerente. Os músicos que o acompanham são de primeira linha (Jorge Helder e Moreno Veloso estão lá) e a produção é preciosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, quem não quiser ouvir Caetano falar em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Coração Vagabundo&lt;/span&gt;, poderá ouvi-lo cantar. Valerá mais a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-6044169639869125800?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/6044169639869125800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=6044169639869125800' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6044169639869125800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6044169639869125800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/03/caetano-e-melhor-ouvi-lo-cantar.html' title='Caetano: é melhor ouvi-lo cantar!'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-1488288850409225642</id><published>2010-02-28T11:20:00.000-03:00</published><updated>2010-02-28T11:21:31.882-03:00</updated><title type='text'>Os males da tecnologia</title><content type='html'>No &lt;span style="font-style:italic;"&gt;post &lt;/span&gt;passado falei sucintamente da presença da tecnologia na minha vida. Foi com algum otimismo e euforia que a saudei. Esqueci-me, contudo, de assinalar os efeitos da tecnologia na vida de parcela significativa da sociedade. Não me estenderei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda moleque abri uma conta de poupança. Sempre que possível, passava pela Caixa Econômica Federal e depositava uns cobres. Quando queria saber meu saldo, entrava na fila e solicitava ao funcionário do caixa a informação. Ele ia até um fichário, pegava o papel com minha ficha, olhava o saldo, anotava-o num papel e me falava o valor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1988, abri uma conta corrente no Banespa. O procedimento para saber o saldo bancário era exatamente o mesmo. Havia funcionários que ali estavam para exercer esse papel. Já no ano seguinte, instalaram uma máquina na agência e cada correntista tinha um cartão e uma senha. Preciso dizer o resto? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A máquina naturalmente passou a executar as tarefas dos funcionários do banco. Algo semelhante à Revolução Industrial, guardadas as devidas proporções, estava em curso. Uma grande massa de desempregados bancários foi o resultado do impacto da tecnologia nas agências.... Processo semelhante já havia sido diagnosticado pelo velho Marx, quando analisou o impacto da manufatura na produção do capitalismo nascente. Em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O capital&lt;/span&gt;, assevera que aquele "proletariado, livre como pássaros, não podia ser absorvido pela manufatura nascente com a mesma velocidade com que foi posto no mundo" (MARX, Karl. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O capital&lt;/span&gt;. 3 ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988, Vol. II, Tomo II, p. 265).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, li, sem muita surpresa, uma manchete sobre a queda, em 50%, do faturamento das vídeo-locadoras. Pudera! Depois que a molecada passou a baixar filmes da internet, o consumo teria que cair. Quanto aos CDs, nem é preciso dizer nada. A discussão sobre a legitimidade dos programas aptos a baixar música da internet é longa....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o impacto da tecnologia na sociedade pode ser devastador. Há sempre quem pague por isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-1488288850409225642?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/1488288850409225642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=1488288850409225642' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1488288850409225642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1488288850409225642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/02/os-males-da-tecnologia.html' title='Os males da tecnologia'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-5972627914324058060</id><published>2010-02-21T22:30:00.004-03:00</published><updated>2010-03-06T01:12:23.571-03:00</updated><title type='text'>Tecnologia: nasci na hora errada?</title><content type='html'>Hoje, com tanta tecnologia à nossa volta – computadores com editores de texto, celulares, internet, e-mails e os cambau – fico pensando em como era pacata a vida no passado. Não penso num passado muito remoto, o que, em si, já seria razão para morrer de tédio. Imagino o meu passado sem nada disso. Uma retrospectiva sempre me arrebata a memória, fazendo-me acreditar que hoje vivemos tempos mais ditosos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu tinha meus seis anos, havia em casa uma televisão valvulada, branca e preta. Nem sei quantas polegadas tinha, mas era pequena. Logo depois, um ou dois anos, tivemos uma TV colorida. Era uma novidade sensacional. Ver desenho em cores era algo absolutamente distinto daqueles movimentos monocromáticos que só prendiam a atenção da criança pela trama. Em matéria de plasticidade, houve um enorme progresso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os telefones eram compostos por um disco que, quando posto em ação, exigia um tempo considerável para voltar ao seu ponto de partida. Somente quando isso acontecesse é que o usuário poderia discar outro número. Um ansioso dos tempos de hoje certamente se tornaria inimigo daquele aparelho. Vieram as teclas e, bem depois, ouvi dizer que existia um mecanismo que identificava o número que originava as chamadas. Era a tal da Bina. A molecada passou a temer a aplicação de trotes, malgrado tenha se recusado a parar com eles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Computadores já existiam, mas longe estavam do poder aquisitivo da classe média. Nem mesmo as universidades públicas os tinham em quantidade. Eram restritos. Em 1987, tive aula de computação na escola. Estava no primeiro colegial e não achava nenhuma utilidade para os programas de XP que os professores insistiam em nos ensinar. Apenas a idéia de um editor de texto me fascinava. Imagine: substituir máquinas datilográficas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1992, aqui em Campinas fiquei surpreso ao imaginar que teria encontrado uma funcionária de supermercado educadíssima. Disse-me que eu não precisaria preencher o cheque para pagar a compra. Ela mesma o faria. Quanta gentileza! Tratava-se de uma pequena máquina que imprimia o cheque inteiro, bastando o consumidor assiná-lo. Logo, as cidades de médio porte passaram a ter essas máquinas. Hoje, elas quase não existem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as balanças digitais! Creio que foi por causa delas que o mundo da alimentação teve significativa alteração. Os restaurantes, até então, só funcionavam no esquema &lt;span style="font-style:italic;"&gt;a la carte&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style:italic;"&gt;buffet&lt;/span&gt;. A refeição a quilo certamente aumentou a possibilidade de consumo em muitos restaurantes. Não creio ser exagero a afirmação de que muita gente deixou de cozinhar em casa para frequentar aquele restaurante que oferecia um ótimo custo-benefício. Eu mesmo fui, por dez anos, escravo dos restaurantes a quilo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos aos computadores. Em 1991, ainda na faculdade, atrevi-me a mexer em um editor de texto. Era um Word cuja tela era preta e as letras, verdes. Acho que era o DOS. Os disquetes eram finos, flexíveis e tinham um diâmetro considerável. A vista de quem ficava em frente ao computador logo se cansava. Afinal, era tudo monocromático, tal como as antigas televisões.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1994, decidi abandonar minha Olivetti. Os microcomputadores – à época chamados de PCs – começaram a baratear e a invadir os lares. Em pleno momento de implantação do Plano Real, comprei meu primeiro computador. Era um 386 com monitor preto e branco. Já estávamos na plataforma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Windows &lt;/span&gt;e tudo em matéria de computação era mais lúdico. Até mesmo a paciência digital – &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Freecell&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Solitarie &lt;/span&gt;– poderia ser jogada vendo as cartas todas na mesma cor. Pouco importava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Word foi a grande revolução para quem desenvolve qualquer atividade ligada à escrita. Mexer no texto, arrastar frases, movimentar parágrafos, incluir rodapés.... tudo isso era facílimo. E, sinal de relevo, não exigia papéis. Poderíamos editar de fato o texto até sua forma final. Somente depois é que teríamos de imprimi-lo. E imprimíamos, ao menos num primeiro momento, rodeados de barulho pelas impressoras matriciais. Aquilo era um horror que só foi atenuado com as impressoras jato de tinta. Todavia, já não se pensava mais em escrever à máquina, amassar várias folhas com redação equivocada, retomar o texto do ponto de partida....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive o primeiro contato com e-mail quando minha irmã me mostrou, numa sala da USP, que iria mandar uma mensagem instantânea a um colega que estava no computador do outro lado do departamento. Naquele dia foi difícil imaginar a dimensão do que seria, hoje, uma mensagem de correio eletrônico – o já velho e bom e-mail. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também foi necessário algum tempo para a consagração dos e-mails. No início, eles eram usados numa tela preta, exatamente como o antigo DOS. Meu primeiro endereço eletrônico foi criado em 1995. Eram poucas as pessoas que tinham e-mail e, geralmente, eram e-mails corporativos, ligados a universidades públicas ou empresas grandes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A internet funcionou em casa apenas em 1999. Diverti-me bastante procurando informações na rede. Pouco tempo foi necessário para perceber que tais informações eram, em sua maioria, de duvidosa qualidade. A pesquisa acadêmica ainda era restrita por meio da internet. Bibliografias, artigos, textos e materiais de ciências humanas foram paulatinamente ganhando espaço na rede. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia me disseram que eu poderia esquecer o fichário da biblioteca. Poderia consultar o acervo pela internet, anotar o número do livro e ir diretamente até a estante para retirá-lo. Que maravilha! Os ácaros daquelas fichinhas puídas devem ter se refestelado, trancados nos armários de metal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria ocioso falar sobre as infinitas vantagens da internet. Uma criança, na década de oitenta, pouquíssima informação tinha a sua disposição. Foi uma geração formada pela pesquisa em bibliotecas, nos verbetes da Barsa ou de qualquer congênere. E muita coisa – muita coisa mesmo – ficou alijada das informações pretendidas. Lembro-me, por exemplo, do dia em queria conhecer a letra de Luiza, do Tom Jobim. A música foi gravada para novela Brilhante, da Globo, e a versão que eu possuía era o registro de um gravador mono colocado ao lado do auto-falante da televisão. Em um determinado trecho, ouvia-se, de modo precário, "embaixo dessa neve mora um coração". Fiquei na dúvida se aquilo era "neve" ou "nave". Devia ser neve, é claro, mas a dúvida me perturbou. Houvesse o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Google&lt;/span&gt;, pronto: ela não resistiria a nem uma hora. Diga-se o mesmo para as músicas estrangeiras ouvidas em rádios. Sem inglês fluente, quem se arriscaria a cantar a música sem cometer deslizes quanto à letra? Ninguém.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quanto às questões de sexualidade, tudo era também mais difícil. Tínhamos as &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Playboys &lt;/span&gt;impressas que, diga-se de passagem, eram caras. O acesso a elas era feito quando íamos ao barbeiro e as folheávamos com um misto de excitação e constrangimento. Hoje é desnecessário falar de como as fotos de mulheres desnudas são facilmente vistas pela molecada (e também por adultos, é óbvio). São trocadas por e-mail, sem custo, sem constrangimento, sem impedimentos de qualquer natureza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, creio mesmo que era chato ser criança sem essa tecnologia toda. Hoje o mundo é mais lúdico, a informática é mais atraente e possibilita uma infindável rede de comunicação e informação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me perguntei, por várias vezes, se não nasci na hora errada. A despeito da chatice da infância faltosa de tecnologia, minha resposta foi negativa. É gratificante acompanhar essa permanente transição que o mundo vive atualmente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-5972627914324058060?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/5972627914324058060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=5972627914324058060' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5972627914324058060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5972627914324058060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/02/tecnologia-nasci-na-hora-errada.html' title='Tecnologia: nasci na hora errada?'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-8528784882135978799</id><published>2010-02-16T12:42:00.003-02:00</published><updated>2010-02-16T12:56:18.825-02:00</updated><title type='text'>Novelas</title><content type='html'>Quando eu ainda não gostava de ler (como faz tempo!), a música popular brasileira – sobretudo a obra do Chico – e as novelas eram uma espécie de horizonte literário do qual eu desfrutava. Pode parecer estranho, já que novelas não se confundem com literatura. Todavia, é da literatura que elas surgem, é a atividade literária que enforma a trama da teledramaturgia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, a despeito da repulsa que uma parcela da intelectualidade brasileira tem em relação ao folhetim televisivo, ele é um instrumento de reflexão acerca de temas da atualidade e pode se prestar, evidentemente, a algum objetivo dirigido, interessado; enfim, político. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas novelas nacionais poderiam ser comparadas a obras literárias de alto quilate, seja por seu conteúdo subjacente, seja por sua capacidade de entretenimento. Assinalo alguns autores e novelas adiante, sem nenhum compromisso analítico. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Na década de oitenta, a exibição de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Roque Santeiro&lt;/span&gt; foi paradigmática. A novela de Dias Gomes já havia sido proibida na época da ditadura. Em 1986, foi ao ar com toda a liberdade possível. Por que colocá-la entre aquelas novelas capazes de questionar a vida nacional, mostrar suas mazelas? Porque sugeria uma série de características da brasilidade. Mostrava o coronelismo, o patrimonialismo, criticava um Brasil com resquícios de país rural. Evidenciava a necessidade de se preservar os mitos para a manutenção da ordem social capitalista. Já falei dela aqui no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;blog &lt;/span&gt;("Os mitos sobrevivem – 24/11/2008"). Creio que a maior parte dos telespectadores jamais tenha atentado para esses detalhes. A novela foi famosa pelos tipos que encarnavam seus personagens: o coronel Sinhozinho Malta, a viúva Porcina, o irônico Roque Santeiro, o usurário Zé das Medalhas, o professor Astromar – exemplo típico de intelectual ornamental com sua insossa verborragia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1988, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Vale Tudo&lt;/span&gt;, novela de Gilberto Braga, partindo de outra perspectiva, também teria uma acidez crítica fantástica. O contexto retratado era o de um país da sacanagem, do jeitinho brasileiro, da astúcia usada para ludibriar os incautos. Era a nação de Odete Roitman que via nela todo tipo de vício canhestro, mas que, também hipócrita, se beneficiava de toda sorte de ardis para garantir seu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;status quo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilberto Braga construiu ali aquilo que muitas obras sociológicas tentam explicar: o Brasil real &lt;span style="font-style:italic;"&gt;versus &lt;/span&gt;o Brasil ideal. Ou, talvez até de modo maniqueísta, o Brasil honesto contra o Brasil da corrupção, das artimanhas, da velhacaria. Ivan (Antônio Fagundes) e Rachel (Regina Duarte) expressavam a esperança de um país sério, que não se renderia aos oportunismos de ocasião e à impunidade. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Brasil&lt;/span&gt;, a música de abertura, de autoria de Cazuza, reforçava ainda mais o conteúdo da obra. Nunca houve tamanha sintonia entre um tema de novela e a letra de uma música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilberto Braga, depois disso, fez algo bastante relevante no campo das minisséries (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Anos Rebeldes&lt;/span&gt;, 1992). Voltaria, em 2003, com &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Celebridade&lt;/span&gt;, novela que mostrava a ânsia dos mortais comuns pela fama. O genial Renato Mendes (Fábio Assunção) era editor da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Revista Fama&lt;/span&gt;, cujo grupo editorial era presidido por seu tio Lineu Vasconcelos (Hugo Carvana). Foi Mendes quem, num episódio dramático, redigiu um apelativo artigo sobre o fato de Zeca – filho do depressivo jornalista Cristiano (Alexandre Borges) – ter caído em um poço no bairro do Andaraí. A situação era idêntica à de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A montanha dos sete abutres&lt;/span&gt;, de Billy Wilder. O editor da revista explorou a tragédia humana para poder estourar nas vendas de jornais e revistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emblemática também foi a cena em que ele andava com seu conversível pela orla carioca após ter sido empossado momentaneamente vice-presidente do grupo Vasconcelos. Sozinho, aos berros, gritava que a partir daquele momento definiria o que a população iria ler, do que iria gostar, como leria, como gostaria. Mostrava, afinal,  que o poder midiático seria capaz de influenciar diretamente a vida das pessoas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sílvio de Abreu, o mais paulista de todos os autores de novelas, não pode ser esquecido. Ocorre, todavia, que jamais me simpatizei com os pastelões anteriores à &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Rainha da Sucata&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Guerra dos Sexos&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Cambalacho&lt;/span&gt;, por exemplo, a despeito de todo sucesso conquistado, jamais me prenderam a atenção. Já em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A próxima vítima&lt;/span&gt;, de 1995, Sílvio passou a ser outro autor, ao menos para mim. A trama policial misturada com uma comédia serena rendeu alto ibope televisivo. O mistério final – quem seria o "assassino em série" do Opala preto – fez com que houvesse tanto suspense quanto a revelação da assassina de Odete Roitman, em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Vale Tudo&lt;/span&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sílvio foi capaz de construir, ainda em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A próxima vítima&lt;/span&gt;, um dos personagens mais contraditórios da novela brasileira: Juca, o quitandeiro do Mercado Municipal de São Paulo. Embora rude, ignorante e preconceituoso, amava óperas e se identificava com a sensibilidade das obras eruditas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Torre de Babel&lt;/span&gt; (1998), seguiu na mesma trilha. Depois, veio &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Belíssima &lt;/span&gt;(2005) cujos capítulos iniciais mostravam o confronto entre a postura sórdida e ardilosa de Bia Falcão (Fernanda Montenegro) e a ingenuidade de sua neta Júlia, interpretada por Glória Pires. Em tom sóbrio e com ironia fina, Bia diria à neta para que ela não levasse tão a sério as aulas de catecismo, incongruentes com as finalidades do mundo empresarial. A racionalidade da grande matriarca deveria preponderar sobre a imaginação anódina da neta. Apenas esse diálogo seria suficiente para alçar Sílvio de Abreu à categoria dos grandes autores brasileiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sílvio também sempre utilizou-se de referências cinematográficas para suas tramas. Tirou de À meia luz, obra prima do cinema &lt;span style="font-style:italic;"&gt;noir &lt;/span&gt;com Ingrid Bergman (1944), a idéia do marido que muda os objetos em sua casa sem avisar a mulher, justamente para enlouquecê-la. Renata Sorrah não é uma Ingrid Bergman, mas o personagem lhe caiu muito bem em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Rainha da Sucata&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou fã de Manoel Carlos, mas suas novelas têm dois trunfos que, pessoalmente, me prendem: o clima Bossa Nova (respira-se a música do Maestro Soberano Tom Jobim), e as imagens idílicas, paradisíacas do Rio de Janeiro, sobretudo do Leblon. Afora isso, é claro que o autor tem seus méritos....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Glória Perez? Não assisto suas novelas. É uma questão de falta de afinidade. Quando há algo dela no ar, tiro férias da teledramaturgia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, gosto de novelas. As boas, somente as boas. Não partilho da opinião intelectualóide de que não assisti-las seja um procedimento de higiene mental. Tanto quanto outro instrumento de ficção, elas são capazes de nos fazer penetrar em sua trama e preterir algumas agruras da rotina. Também se prestam a espelhar a realidade em que vivemos. Não é, afinal, para isso que serve a ficção? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, então, o problema não é o gênero novela e sim o conteúdo de suas espécies. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: na USP há, se não me engano, um grupo de estudos sobre novela brasileira. Ouvi dizer que ali existem ricas análises da realidade brasileira, não encontrada em outras produções científicas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-8528784882135978799?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/8528784882135978799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=8528784882135978799' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/8528784882135978799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/8528784882135978799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/02/novelas.html' title='Novelas'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-524928553698684887</id><published>2010-02-07T22:31:00.003-02:00</published><updated>2010-02-07T23:02:15.044-02:00</updated><title type='text'>História do passado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_tijvAhgG_mE/S29cRV2xH5I/AAAAAAAAAAM/L49C2uakQlI/s1600-h/PO%C3%87OS+205.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_tijvAhgG_mE/S29cRV2xH5I/AAAAAAAAAAM/L49C2uakQlI/s320/PO%C3%87OS+205.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435664728253865874" border="0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou ligado a turismo; sobretudo a turismo ecológico. Todavia, não há como fugir de alguns programas que, vez por outra, quase nos são impostos pelo destino. Em janeiro passado, fui para Poços de Caldas e lá encontrei um desses programas. O esquema é aquele básico: uma van com curiosos forasteiros e um guia turístico extremamente simpático, sabedor das histórias locais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos visitar a "Fonte dos Amores", uma belíssima fonte de água mineral. Clóvis Bueno, o nosso guia, narrou a história de amor do século XIX que teria inspirado a escultura ali exposta, de autoria do artista italiano Giulio Starace (vejam a foto acima). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narração dele - autorizada, é claro! - está no vídeo abaixo. Quem tiver interesse....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-5561716e73e78d50" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v18.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D5561716e73e78d50%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331399628%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D5A479752873F0ACDAB19E758FC6A6D0788BDBBDA.1BFFD73C9B3B29451DDC99DFE6ECDB1A1798B9ED%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D5561716e73e78d50%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DBkGHG_4dRRF1RXqOl69_TF3Bpt4&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v18.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D5561716e73e78d50%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331399628%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D5A479752873F0ACDAB19E758FC6A6D0788BDBBDA.1BFFD73C9B3B29451DDC99DFE6ECDB1A1798B9ED%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D5561716e73e78d50%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DBkGHG_4dRRF1RXqOl69_TF3Bpt4&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-524928553698684887?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/524928553698684887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=524928553698684887' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/524928553698684887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/524928553698684887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/02/historia-do-passado.html' title='História do passado'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_tijvAhgG_mE/S29cRV2xH5I/AAAAAAAAAAM/L49C2uakQlI/s72-c/PO%C3%87OS+205.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-6347108546170292172</id><published>2010-01-25T01:23:00.003-02:00</published><updated>2010-01-25T01:32:14.345-02:00</updated><title type='text'>Blackout</title><content type='html'>O curta Blackout, com Wagner Moura e Augusto Madeira, é fantástico. Para quem perdeu a exibição no Canal Brasil, segue o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;link&lt;/span&gt; do vídeo no Youtube. São menos de 10 minutos de diálogos interessantes e inteligentes. Vale a pena!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=jPWFLYGyMZs"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=jPWFLYGyMZs&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-6347108546170292172?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/6347108546170292172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=6347108546170292172' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6347108546170292172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6347108546170292172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/01/blackout.html' title='Blackout'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-4251354743478854405</id><published>2010-01-18T00:57:00.013-02:00</published><updated>2010-10-16T22:58:43.648-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Inverossimius: um conto juvenil</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Inverossimius: um conto juvenil - Roberto Barbato Jr&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Conto publicado no Portal Cronópios em 17/01/2010.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;a href="http://www.cronopios.com.br"&gt;www.cronopios.com.br&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que cheguei à adolescência resolvi banir definitivamente determinadas lendas que rondaram minha infância. Aquelas mentiras deslavadas que toda criança ouve, sem mesmo questionar sua veracidade, foram eliminadas da minha imaginação. Se mentir, o nariz cresce, e tantas outras lengalengas não passaram do terreno da fantasia pueril. Mesmo a história da masturbação, punida com o nascimento de pêlos nas mãos, deixou de constituir ameaça de qualquer espécie. Tudo não passava de superstição. Eu estaria disposto a acreditar nisso se não tivesse embarcado numa aventura curiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tarde daquela sexta-feira, recebi um telefonema de Netinho. Gargalhei quando ele começou a narrar uma espécie de roteiro de ficção científica. A história toda era tão bem bolada que a ouvi por inteiro. Desconfiado de que por trás daquela narrativa insólita poderia haver algum sentido real, aceitei ir ao encontro que havia reivindicado. O lugar marcado era demasiado longe e, a julgar por sua personalidade preguiçosa, só mesmo um motivo muito sério o faria caminhar até lá. Apenas por essa razão, tive a convicção de que precisava cumprir o acordo feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eles já vão chegar – disse ansioso, logo que me viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Netinho não parava de olhar para o céu, como a insinuar que de lá viriam amigos íntimos. Como nada acontecia, fui bastante enfático ao dizer que toleraria aquelas sandices pelo prazo máximo de quinze minutos. Nada mais que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo se passou para que, perplexos, víssemos algo que só existe nas telas de cinema. Ou, pelo menos, eu acreditava que assim fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele veículo com formas retangulares e pontas afiadas irrompeu no céu ensolarado e foi se aproximando de onde estávamos. As luzes que compunham sua fachada piscavam com tamanha intensidade que nem mesmo os reluzentes raios solares foram capazes de ofuscá-las. Suas cores, bastante variadas, eram dispostas de modo regular, obedecendo a um rigoroso padrão de medida. Também os locais dos frisos colados na aeronave eram milimetricamente planejados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando enfim pousara na Terra, abrira suas portas e alguns homens puseram-se a descer as escadas brilhantes que repentinamente desabaram com volumoso estrondo. Sim, eram homens! Ao contrário do que dominava nossa imaginação, não eram seres deformados, com traços rudimentares, cabeças grandes e a pele verde. Tampouco tinham estatura baixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com sorriso sereno, Dadá, o chefe da tripulação, estranhara minha presença ali. Por certo, imaginara que somente Netinho, anteriormente contatado por meio de sinais radiofônicos, estaria pronto para o embarque. Mesmo assim não se furtou a me convidar, pedindo discrição em relação a tudo que veria no trajeto e em nossa estada em Inverossimius, seu planeta de origem. O convite era irrecusável: ficaríamos por lá durante uma semana. Entretanto, por alguma mágica que jamais conseguiria explicar, seríamos devolvidos à Terra no exato minuto em que partimos.&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;Durante a viagem não paramos de prestar a atenção no caminho. Tudo era novidade! A cada minuto, percorríamos uma infinidade de galáxias, tamanha a quantidade de planetas que víamos através da janela. Um tanto já cansados, chegamos ao nosso destino. Fomos devidamente hospedados em um luxuoso hotel. Estávamos sem mala, sem roupas para trocar, sem escovas de dentes e sem nenhum outro utensílio necessário para o dia-a-dia. Garantiram-nos que tudo isso seria supérfluo por lá. Bastaria entrar nas câmeras de esterilização para que lográssemos a perfeita higiene. Já era noite e resolvemos dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao raiar o dia, na companhia de Dadá, fomos para o salão no qual seria servido o café da manhã. Avistamos uma moça com a pele ruborizada e supusemos que devia estar com alguma alergia. Parecia também envergonhada e manifestava um incômodo sorriso no rosto. Logo Dadá percebeu nossa inquietação e não tardou a explicar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ela acabou de fazer amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conseguimos entender, até que ele ponderou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Aqui, quando as pessoas fazem amor, ficam com o rosto vermelho após o prazer. Depois, tudo volta ao normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia um inequívoco desconforto naquilo, sobretudo para nós, que éramos adolescentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa primeira noite em Inverossimius também prometia novidades. Fomos a uma boate. Netinho ficou impressionado ao notar que as mãos de alguns rapazes eram repletas de pêlos. Mais uma vez Dadá explicou que dificilmente eles ficavam vermelhos, ruborizados como a menina que havíamos visto. O que significaria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eles raramente fazem amor? – perguntei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Exatamente – respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tivemos a certeza de que a superstição da Terra tinha algum fundamento. A famosa quiromania fazia com que os rapazes assumissem um indesejável aspecto físico. Também era um fenômeno desvantajoso: desprovidos da oportunidade de ter uma parceira, os rapazes fatalmente acabariam por se expor se quisessem lograr o solitário prazer sexual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após alguns dias, conhecemos Emília. À exceção do grande nariz, tinha o rosto e o corpo dotado de uma proporcionalidade invejável. Era muito simpática e não raro contava histórias muito interessantes, mas pouco factíveis. Havia tido um caso amoroso com Dadá. Ele nos garantiu que, à época desse relacionamento, seu nariz era belo e pouco proeminente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Há quanto tempo vocês estão separados? – perguntou Netinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dadá foi discreto. Daquela vez não explicou nada, só respondeu à pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Um nariz não cresce tanto em três meses... – falei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreendemos, enfim, que a menina era uma mentirosa contumaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num noticiário televisivo, vimos um rapaz sendo devorado por seus próprios órgãos. A Defesa Civil havia se encarregado de levá-lo a um lugar isolado, onde deveria ficar até que o processo de autofagia se completasse e a morte lhe sobreviesse. No segundo dia de isolamento, o moleque havia se esvaído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Estupro – disse Dadá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebendo nossa perplexidade diante daquele cenário, nosso anfitrião asseverou que os delitos e infrações morais cometidos naquele planeta tinham uma solução natural. Por esse motivo, não havia necessidade de instituições que garantissem a ordem social. Não existia polícia, nem Estado; não existiam leis formuladas pelos homens. Tudo quanto fosse transgressão a normas e costumes locais era punido pela própria natureza. Até mesmo os simples pecados, cometidos entre quatro paredes, eram dignos de repressão natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conseguimos entender aquele estranho sistema de sanções, nossa capacidade de abstração e nosso universo cultural eram ainda limitados. Tínhamos de prestar vestibular ao final do ano e não nos sobrava tempo para especulações fictícias. Fictícias no nosso planeta, é claro. Onde estávamos, era pura realidade. Lá, nossas lendas eram realidade e a natureza, impiedosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi difícil assimilar tanta informação e costumes tão díspares. Antes de terminarmos a conversa, Netinho fez uma última pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O que acontece com quem não passa no vestibular?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ora, essa é uma simples circunstância de insucesso. Aqui vigora o princípio da proporcionalidade: para infrações cruéis, penas pesadas; para delitos ou insucessos leves, sanções sutis. No caso da reprovação do vestibular, a aura do candidato fica parecida com a de um burro até que ele seja aprovado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me contive, gargalhei e fiz também uma pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E quem é corneado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ah, isso vocês sabem... Chifres na cabeça! – respondeu sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, chegara o momento da despedida. Voltamos à Terra. Descemos no mesmo lugar e no mesmo momento em que partíramos, exatamente conforme o combinado. Sem a companhia de Netinho, corri para a casa de minha namorada. Estava morto de saudades. Ela abriu a porta com a cara vermelha, ruborizada e com um leve sorriso. Passei as mãos pela minha cabeça...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-4251354743478854405?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/4251354743478854405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=4251354743478854405' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4251354743478854405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4251354743478854405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/01/inverossimius-um-conto-juvenil.html' title='Inverossimius: um conto juvenil'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-709708542219925737</id><published>2010-01-13T01:00:00.002-02:00</published><updated>2010-01-13T01:07:15.703-02:00</updated><title type='text'>Bárbara, Boris e a insensatez</title><content type='html'>Na última sexta-feira (08/01/2010), em sua coluna da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Folha de S. Paulo&lt;/span&gt;, Bárbara Gância, publicou texto intitulado "Sirvam a cabeça do Boris com batatas!". Parecia  evidente seu propósito de tentar minimizar os efeitos da infeliz frase proferida por seu colega Boris Casoy. Para quem não sabe do que se trata, sugiro a leitura do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;post&lt;/span&gt; anterior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto da articulista é eivado de insensatez. Seus argumentos não têm pé, nem cabeça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de mostrar que tem uma certa familiaridade com os garis e conhece um estudo psicológico sobre eles, Bárbara considera ter legitimidade para fazer ponderações sobre aquilo que Boris chamou de "o mais baixo na escala do trabalho". De pronto, diz aos leitores que essa legitimidade não existe para aqueles que jamais conversaram com garis ou a eles deram alguma atenção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo depois, indaga: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas, vem cá: tem alguma relevância? Muda em um iota todos os anos de excelentes serviços prestados por Boris Casoy ao jornalismo tapuia? É evidente que não".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é a relação entre os (supostos) excelentes serviços prestados por Boris com o comentário que ele fez? O fato de ter prestado tais serviços - supostamente excelentes, repita-se! - não constitui condição suficiente para lhe permitir agredir a classe de garis e nenhuma outra qualquer. Do contrário, bastaria que um homem tivesse uma trajetória profissional com "serviços prestados" para, em certa altura de sua vida, proferir agressões a quem quer que fosse. Isso não tem o menor cabimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua a articulista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que eu saiba, o lixeiro é mesmo 'o mais baixo na escala do trabalho', como afirmou Boris com desavergonhada crueza. Ou será que algum dalai lama vai ousar me dizer que o posto é ocupado pelos médicos? Um gari e um lixeiro desejando "muito dinheiro" em 2010 é mesmo motivo de riso; não vejo onde esteja o enorme preconceito de que o jornalista foi acusado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que o lixeiro é o "mais baixo na escala do trabalho"? Qual é o critério que o sr. Boris utilizou para aferir aos garis o nível mais raso naquilo que chama de "escala do trabalho"? O que vem a ser essa escala do trabalho? Em que nível estão, por exemplo, o jornalista, o professor e o torneiro mecânico? E o presidente? Por vias tortuosas, a resposta foi dada pela sra Bárbara: os médicos seriam o ápice da tal escala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal sabem Boris e Bárbara que no Rio de Janeiro, em tempos recentes, havia candidatos com curso superior a garis municipais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A exemplo de Casoy, Bárbara considera motivo de riso os votos de "muito dinheiro" dados pelos garis. Quer dizer que somente gente rica pode desejar muito dinheiro para anos vindouros? Pobre agora nem mesmo poderá desejar? Qual é a lógica disso? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de inteligência da autora também é evidente no trecho que segue: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas, claro, Boris Casoy teve uma rusga pública com Lula e é identificado pela esquerda festiva, emburrada e histérica como sendo um homem de direita. E, portanto, Boris Casoy deve ser atacado a cada oportunidade que se apresente".&lt;br /&gt;Será que somente os adeptos da "esquerda festiva" reputaram nojento o comentário de Boris. De onde Bárbara colheu os dados que, em princípio, afiançariam essa tese absurda?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém poderia explicar qual é a relação do estúpido comentário de Boris Casoy com o fato de ele ser "identificado" como um "homem de direita"? Fosse identificado com a esquerda, poderia proferir despautérios a torto e a direito? Isso lhe facultaria pronunciar-se de maneira leviana, tal como fizera? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só faltou a articulista recorrer a tendências futebolísticas, religiosas e culturais para tentar justificar a nauseabunda postura de seu colega. Poderia, então, evocar o time para o qual torce para justificar a natureza de suas posturas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na absoluta ausência de argumentos sólidos, Bárbara falou o que quis, sem nexo, sem fundamentação. Poderia ter ficado quieta. Optou, todavia, por sair em defesa do colega. Deve ter suas razões para isso. Mas.... bem que poderia caprichar na pena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: aqueles que porventura assistiram ao vídeo dos dois garis desejando um feliz 2010 devem ter percebido o tom de simplicidade, de humildade sincera deles. De minha parte, achei comovente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o sr. Boris Casoy, achou uma merda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-709708542219925737?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/709708542219925737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=709708542219925737' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/709708542219925737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/709708542219925737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/01/barbara-boris-e-insensatez.html' title='Bárbara, Boris e a insensatez'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-1841536713660124429</id><published>2010-01-02T22:53:00.002-02:00</published><updated>2010-01-02T22:56:54.580-02:00</updated><title type='text'>Que vergonha, hein, Boris!</title><content type='html'>Antes de qualquer coisa, desejo a todos um feliz 2010, com muita saúde, paz, sucesso e felicidades! São votos sinceros, naturalmente....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia como estrear o blog nesse ano. Começarei da pior forma possível: mostrando a expressão da boçalidade do Sr. Boris Casoy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último dia do ano passado, após o Jornal da Band, o âncora histérico fez um comentário abjeto que foi captado pelos microfones da emissora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de veiculada a exibição da imagem de garis desejando a todos "muita paz, muita saúde, muito trabalho.... Feliz 2010", deixou escapar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que merda... Dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. Dois lixeiros! O mais baixo da escala do trabalho". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ato contínuo, alguém gritou "deu pau". Era o aviso de que os pensamentos nojentos do Sr. Casoy foram ouvidos pelos telespectadores do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que vergonha, hein, Boris!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem quiser assistir ao vídeo, visite o link abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Gcaom0cGE6w&amp;NR=1"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=Gcaom0cGE6w&amp;NR=1&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-1841536713660124429?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/1841536713660124429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=1841536713660124429' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1841536713660124429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1841536713660124429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2010/01/que-vergonha-hein-boris.html' title='Que vergonha, hein, Boris!'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-5416955486659210821</id><published>2009-12-29T22:24:00.002-02:00</published><updated>2011-01-07T17:42:40.522-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Em tempos sombrios....</title><content type='html'>Em tempos sombrios qualquer atitude, por mais boba que seja, pode significar algo suspeito. É com base nessa suspeição quase paranóica que a ditadura militar brasileira, nos idos dos anos 1960-1970, incorreu numa série de lamentáveis equívocos. É sabido que  muitos funcionários do aparato repressivo do Estado não eram bem preparados para executar as incumbências dadas por seus chefes. Eram meros autômatos, destituídos de inteligência própria. Lembro-me de uma reportagem da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Folha de S. Paulo&lt;/span&gt; que versava sobre a incapacidade técnica (leia-se: burrice) desses funcionários. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um dos capítulos da série &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Anos Rebeldes&lt;/span&gt;, veiculada pela Rede Globo em 1992, "revelou" (não se sabe se o fato aconteceu) que um estúpido meganha do governo foi capaz de apreender um exemplar do livro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A capital&lt;/span&gt;, de Eça de Queiroz. Por certo, o imbecil acreditava tratar-se de leitura subversiva. É óbvio que confundira o livro do escritor lusitano com &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O capital&lt;/span&gt;, de Karl Marx. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um equívoco curioso também aconteceu numa faculdade pública de engenharia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1970, quando chegara para aplicar a prova de sua disciplina, o professor se deparou com uma discussão. Seus alunos estavam divididos entre fazer ou não fazer a avaliação. Alguns queriam prazo maior para estudar. Outros, se pudessem, fariam a prova naquele mesmo dia. O debate foi longe e os ânimos se acirraram. Enfim, decidiu-se que a avaliação seria adiada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem imaginar que, em poucos minutos, aquele fato seria noticiado por todo o campus, o professor voltou para seu departamento. Lá chegando foi informado de que o diretor da faculdade, à época um militar, queria lhe falar. Surpreso, compareceu à sala do sujeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iniciou-se, então, um discurso sobre os benefícios do regime de exceção militar. O insano diretor elencou ao professor os "avanços" da ditadura, tentou mostrar-lhe que a criminalidade diminuíra, que a taxa de desemprego caíra substancialmente. Vociferou contra os estudantes, por ele considerados vagabundos que só faziam política universitária. Deixou claro que ocupara o posto no qual estava para fazer ruir qualquer tentativa de subversão estudantil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor não conseguiu compreender a motivação daquela estúpida campanha ideológica encetada de forma tão particular e tão limitada. Teria questionado o poder vigente em alguma reunião da universidade? Fizera alguma observação afrontosa ao governo? Colocara em xeque alguma diretriz do autoritarismo brasileiro? Não, nada disso. Embora avesso ao Estado ditatorial, o professor preferia acompanhar a política de longe, com o cuidado necessário para não conspurcar sua atividade profissional, que lhe era tão cara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim do discurso, o diretor revelou que ficara sabendo da "insurreição" dos estudantes da turma do professor. Imaginou que ali estivesse o início de uma contra-revolução, algo capaz de abalar a estrutura da política nacional. Chegara a seus ouvidos que aquela turma estava disposta a lutar pelo fim da ditadura e que iria depor o ilustre diretor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor, com a lucidez que lhe sempre fora peculiar, tentou mostrar ao seu interlocutor que o debate de seus alunos era tão-somente para resolver a data de uma prova e não tinha nenhuma intenção política. Depois de sua explanação, ainda ouviu o brado da inteligência militar brasileira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nós temos maneiras eficazes de acabar com aqueles que lutam contra a ordem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanta burrice!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-5416955486659210821?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/5416955486659210821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=5416955486659210821' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5416955486659210821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5416955486659210821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/12/em-tempos-sombrios.html' title='Em tempos sombrios....'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-6485104356906838044</id><published>2009-12-23T01:09:00.002-02:00</published><updated>2009-12-23T01:15:58.920-02:00</updated><title type='text'>Por trás de um grande homem....</title><content type='html'>Sempre achei curiosa a idéia de que por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher. Conheci uma dessas mulheres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de vinte, ainda moça, foi vizinha de Heitor Villa-Lobos. Conversava com ele amiúde. Acompanhou, não sei em que medida, o conturbado relacionamento do primeiro casamento do maestro. Afirmou-me, por várias vezes, que ele não transpunha para a partitura suas composições, cabendo à sua esposa essa árdua tarefa. Disse-me, também, que conheceu a velha guarda do samba e do choro cariocas. Benedito Lacerda e outros compositores ficavam nas ruas da pacata capital brasileira a executar músicas que entrariam para a história. Talvez tenha sido nessa época que se lhe despertou alguma aptidão para a música. Estudou piano e, ainda sem precisar trabalhar, se prestava, juntamente com amigas, a virar as partituras dos pianistas que faziam o som dos cinemas naquele período. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca falou-me sobre seu pai. Soube depois que o sujeito era um alfaiate de mão cheia, servidor de gente graúda, mas que, por ter se envolvido com negócios escusos, teve de aportar à socapa em terras argentinas. Sua mãe e ela, por necessidade, passaram a fazer doces para a famosa Confeitaria Colombo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta da ditadura varguista, mais precisamente nos anos do Estado Novo, conheceu um jovem egresso do interior paulista. Ele fora estudar Medicina na capital e certamente se encantou com seus enormes olhos azuis. Casaram-se quando o regime de exceção de Vargas havia recrudescido. Depois que ele terminou a faculdade, mudaram-se para São José do Rio Preto, interior paulista, já com um filho a ser criado. Depois, viria outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre a ouvi dizer que estava longe de sua terra. Havia nesse comentário algo que se assemelhava aos sentimentos dos escravos quando se queixavam da distância da mãe pátria. Acompanhava pelos jornais e pela TV o que acontecia no Rio de Janeiro. Não conseguiu, durante extenso tempo, acreditar que o paraíso no qual fora criada se transformara em uma cidade hostil, sujeita a disputas de territórios pelos narcotraficantes. Queixava-se disso, embora não demonstrasse muita tristeza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O marido, já médico estabelecido e bastante conhecido, resolveu atirar-se na política. Obteve êxito, elegendo-se vereador por quatro vezes consecutivas. Ele casou-se também com a cidade, transitando por vários segmentos, costurando tramas políticas, estratégias sociais e tudo aquilo que era capaz de fazer pelo bem dos riopretenses. Cobiçou a prefeitura que, diziam, seria conquistada sem muitos esforços. Dela desistiu quando algo mais importante lhe aconteceu: foi nomeado diretor do Instituto Adolfo Lutz. Conduziu-o com severidade e rigor extremos. Entre tantas conquistas, em 1958, logrou a erradicação da Poliomielite dos arrabaldes da região.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ele se mostrava um sujeito de educação rígida e muito austero – o que o afastava de muita gente, admita-se! – ela a todos encantava. Era uma gozadora. Não havia quase nada que escapasse à sua ironia despretensiosa, muito sutil. Gargalhava, debochava de coisa séria e não se deixava abater quando o marido lhe impingia alguma espécie de reprimenda injusta. Tinha a serenidade necessária para suportar a personalidade frenética dele. Mais que isso, tinha a fibra incansável para apoiá-lo em suas missões. Sem ela, ele não teria empreendido tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa grande mulher morreu na semana passada, aos noventa anos, talvez com a mesma placidez com que sempre viveu. Era minha avó.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-6485104356906838044?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/6485104356906838044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=6485104356906838044' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6485104356906838044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6485104356906838044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/12/por-tras-de-um-grande-homem.html' title='Por trás de um grande homem....'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-229825778385443318</id><published>2009-12-21T00:00:00.004-02:00</published><updated>2009-12-21T23:57:59.269-02:00</updated><title type='text'>Leite derramado</title><content type='html'>Depois que li &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Leite Derramado&lt;/span&gt; (São Paulo: Companhia das Letras, 2009), quarto romance do Chico, senti-me tentado a escrever alguma coisa sobre ele aqui no blog. Furtei-me a realizar a tarefa porque tinha a convicção de que não conseguiria fazê-lo sem isenção. Além do mais, faltava tempo para refletir e produzir algo que fosse minimamente decente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, já no final do ano, quando muitos dos detalhes do livro se perderam na minha cabeça, apareceu o William Lial (vejam o blog dele aí do lado), para me fazer um convite: escrever sobre o melhor livro lido ao longo do ano para participar de uma "blogagem coletiva". Trata-se do "Meu melhor livro do ano".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceitar o convite, seria, necessariamente, o mesmo que ceder à antiga tentação de escrever sobre &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Leite Derramado&lt;/span&gt;. Depois de muito hesitar, resolvi não escrever nada. Mas, como isso soaria covarde, aceitei parcialmente o convite. Digo parcialmente porque o máximo que conseguirei fazer é amontoar alguns comentários sumários sobre um dos múltiplos aspectos do livro: a questão do preconceito racial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lá. Meu tempo é curto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do romance versa sobre o decadente aristocrata Eulálio Montenegro d’Assumpção, nascido em 16/06/1907. Eulálio passa seus últimos dias num leito hospitalar a recordar seu passado e mostrar a genealogia de sua família. Assume um tom nitidamente cômico, sem abrir mão de manifestar o aristocratismo que alimentou sua vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estirpe de Assumpção lhe facultaria, ainda moço, subjugar sexualmente o escravo Balbino, residente em sua fazenda. Quando adolescente, Eulálio pôs na cabeça que deveria enrabar Balbino. Este, certamente, cederia às suas ordens, mas nem mesmo elas seriam necessárias. O trecho de Chico é lapidar: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Durante um período, para você ter uma ideia, escasquetei que precisava enrabar o Balbino. Eu estava com dezessete anos, talvez dezoito, o certo é que já conhecia mulher, inclusive as francesas. Não tinha, portanto, necessidade daquilo, mas do nada decidi que ia enrabar o Balbino. Então lhe pedia que fosse catar uma manga, mas tinha de ser aquela manga específica, lá no alto, que nem madura estava. Balbino pronto me obedecia, e suas passadas largas de galho em galho começaram de fato a me atiçar. Acontecia de ele alcançar a tal manga e eu lhe gritar uma contra-ordem, não é essa, é aquela mais na ponta. Fui tomando gosto por aquilo, não havia dia em que não mandava o Balbino trepar nas mangueiras uma porção de vezes. E eu já desconfiava que ele se movia ali no alto com malícias, depois tinha um jeito meio feminil de se abaixar com os joelhos juntos para recolher as mangas que eu largava no chão. Estava claro para mim que o Balbino queria me dar a bunda. Só me faltava ousadia para a abordagem decisiva, e cheguei a ensaiar umas conversas de tradição senhorial, direito de primícias , ponderações tão acima de seu entendimento, que ele já cederia sem delongas" (p. 19-20)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eulálio só desistira de seu intento porque conheceu aquela que seria sua companheira misteriosa, Matilde. A convivência com o escravo Balbino lhe forneceria um traço de personalidade diferente de seus ancestrais. Diz o narrador: "garanto que a convivência com Balbino fez de mim um adulto sem preconceitos de cor" (p. 20).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era justamente aí que Assumpção se diferenciava de seus ancestrais: o pai "que só apreciava as loiras e as ruivas" e a mãe que chegara a perguntar se Matilde, "de pele quase castanha", "não tinha cheiro de corpo". Diferentemente do perfil desenhado pelo pensamento social nacional, Eulálio não seria o herdeiro de uma das piores mazelas brasileiras: o preconceito racial. Seu avô também comportava-se de maneira semelhante. Era, conforme o narrador, um "bem feitor da raça negra". Veja-se: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Do meu último passeio, só me lembro por causa de uma desavença com um chofer de praça. Ele não queria me esperar meia horinha em frente ao Cemitério São João Batista, e como se dirigisse a mim de forma rude, perdi a cabeça e alcei a voz, escute aqui, senhor, eu sou bisneto do barão dos Arcos. Aí ele me mandou tomar no cu mais o barão, desaforo que nem lhe posso censurar. Fazia muito calor no carro, ele era um mulato suarento, e eu a dar ares de fidalgo. Agi como um esnobe, que como vocês devem saber significa indivíduo sem nobreza. Muitos de vocês, se não todos aqui, têm ascendentes escravos, por isso afirmo com orguho que meu avô foi um grande benfeitor da raça negra. Creiam que ele visitou a África em mil oitocentos e lá vai fumaça, sonhando fundar uma nova nação para os ancestrais de vocês” (p. 50-51).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A temática racial perpassa todo o romance, mas tem seu cume, segundo entendo, na exposição do seguinte trecho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Balbino nem era mais escravo, mas dizem que todo dia tirava a roupa e se abraçava num tronco de figueira, por necessidade de apanhar no lombo. E vovô batia de chapa, sem malícia na mão, batia mais pelo estalo que pelo suplício” (p. 102) &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Com exímia destreza, Chico evidencia que, embora já terminado o estatuto legal da escravidão, a herança escravocrata haveria de perdurar na raça negra mesmo depois de conquistada a liberdade almejada. A necessidade de se abraçar ao tronco de figueira não seria, naturalmente, nenhum sadismo, mas apenas o termômetro da extensão da escravidão na alma negra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do preconceito racial, o patrimonialismo – tema tão caro à obra do pai de Chico – também é exposto com o brilhantismo de quem conhece os meandros da história brasileira e bem sabe – para dialogar novamente com Sérgio Buarque – quais são as "raízes" do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que para além das temáticas políticas (dirigidas, a bem dizer), o livro é recheado de trechos cômicos, sempre evocativo de alguma figura familiar de Eulálio. Seu tataraneto, por exemplo, é um garotão que paga suas despesas hospitalares e cujos rendimentos não tem a menor idéia de onde provêm. Diz o narrador: “Sou muito grato ao garotão, mas para ganhar milhões sem instrução alguma, deve ser artista de cinema ou coisa pior” (p. 78). E a origem espúria de seus proventos é sugerida quando Kim, sua namorada que vive com um "brinco no umbigo", oferece a Eulálio cocaína de rara qualidade. Não é aquele “pó de gesso” que otário cheira por aí” (p. 173).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, a exemplo dos demais livros do Chico, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Leite derramado&lt;/span&gt; contém sugestões sutis de talhe político e ideológico. É uma obra-prima que revisita o passado brasileiro tal como fizeram os autores da década de 1930. A despeito de toda sua pujança, suscitou um sem-número de comentários descabidos dos críticos de plantão que jamais tiveram a sensibilidade necessária para entendê-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que Chico sabe que não temos boa crítica. Ainda bem que existe Roberto Schwarz para colocar os pontos nos is e mostrar a fecundidade de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Leite Derramado&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-229825778385443318?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/229825778385443318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=229825778385443318' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/229825778385443318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/229825778385443318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/12/leite-derramado.html' title='Leite derramado'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-6076208784195508155</id><published>2009-12-05T17:39:00.003-02:00</published><updated>2011-01-07T17:43:24.198-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Certa vez, num certo país</title><content type='html'>Certa vez, num certo país, o líder de uma banda compôs uma música muito interessante. Ela dizia que um político daquela época havia dito que no Congresso daquele mesmo país existiam 300 picaretas com anel de doutor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, talvez o compositor mudasse a letra da música. Diria que, além dos 300 picaretas com anel de doutor, temos também um grande picareta sem anel de doutor....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-6076208784195508155?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/6076208784195508155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=6076208784195508155' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6076208784195508155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6076208784195508155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/12/certa-vez-num-certo-pais.html' title='Certa vez, num certo país'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-1267601899495908264</id><published>2009-12-02T22:15:00.000-02:00</published><updated>2009-12-02T22:16:15.846-02:00</updated><title type='text'>Ufa!</title><content type='html'>Amanhã a Globo vai passar um especial sobre Raul Seixas (Por toda minha vida). Trata-se daquela série de reportagens sobre algum músico brasileiro que já não habita o mundo dos vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na chamada do programa, a belíssima Fernanda Lima refere-se à relação entre Raul Seixas e Paulo Coelho, seu parceiro em algumas canções. Tão logo termina de falar, aparece uma rápida cena do Mago dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nós tentamos mudar o mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ufa! Ainda bem que eles não conseguiram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-1267601899495908264?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/1267601899495908264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=1267601899495908264' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1267601899495908264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/1267601899495908264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/12/ufa.html' title='Ufa!'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-5764662810244118372</id><published>2009-11-28T22:19:00.001-02:00</published><updated>2011-01-07T17:44:12.662-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Luiz Inácio</title><content type='html'>Já não sei quantas vezes disse que não falaria de política aqui. Também não sei quantas vezes descumpri minha promessa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem causado algum desconforto aos raros leitores desse &lt;span style="font-style:italic;"&gt;blog &lt;/span&gt;minhas indignações com o Sr. Luiz Inácio. Há pouco cheguei a compará-lo com Collor. Ocorre, todavia, que a comparação não se referia a eventuais méritos do governo de cada um. Apenas quis assinalar que tanto quanto Collor, Luiz Inácio se revelou um engodo político. Mostrou-se entretanto mais hábil, já que, movido por seu populismo nada ordinário, arrebanhou votos suficientes para se eleger em dois pleitos eleitorais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Inácio é o carisma em pessoa. Analisando suas condutas, seu proceder político e a relação com seus eleitores, se vivo fosse, Weber talvez se visse tentado a reformular sua teoria sobre a dominação carismática. Meu amigo Mazeu tem razão: se Luiz Inácio "espirrar, eis o terceiro mandato". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou com birra do nosso barbudo. Estou mesmo é decepcionado! Conforme já assinalei, sempre votei nele. Ainda moleque, em 1989, comprei a ilusão de que o voto no PT representava o rompimento com as mazelas do nosso passado, com o latifúndio brasileiro, com as práticas patrimonialistas e etc. Acreditava que haveria, ao menos, a moralização da máquina pública. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhado de minha mãe, fui de estrela vermelha no peito votar. Em tom irônico, antes de entrar na sala de votação, ela fez uma pilhéria antipetista. Se o barbudo ganhasse, teria de dividir minha guitarra com mais três meninos. Era brincadeira, naturalmente. E nós sabíamos que o teor daquela brincadeira era sério para muita gente. O medo de um governo comunista existia, acreditem. Hoje, a mesma brincadeira não passaria de piada de mau gosto. Lula, comunista? Socialista? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou. Confesso que fiquei emocionado quando de sua primeira eleição, em 2002. Naquela data, liguei para um amigo antipetista. Ele não estava em casa. Deixei a seguinte mensagem na secretária eletrônica dele: "Vem ver de perto uma cidade a cantar a evolução da liberdade". O problema é que não me dei conta de que o título do verso citado (Vai passar) traduziria a história dos próximos anos no Brasil. Toda aquela euforia passaria. E passou! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje me pergunto onde está a evolução da liberdade. Pergunto-me, sem cessar, onde estão as três refeições que o Sr Luiz Inácio disse que propiciaria ao povo brasileiro antes do término de seu primeiro mandato. Ainda embriagado de sonhos ingênuos, cheguei a acreditar nessa promessa impossível. A que ponto eu havia chegado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto-me, também, por que Luiz Inácio nunca soube da participação de seu partido no maior esquema de corrupção já verificado nos meandros do poder brasileiro. Mais: pergunto-me se seria possível não sabê-lo. Mas isso não é tudo. O pior foi ter ouvido que "ninguém neste país tem mais autoridade moral e ética" do que o PT. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estaria, então, a diferença entre o PT e os demais partidos brasileiros? Talvez minha miopia não me deixe perceber se ainda há alguma diferença. Se houver, sei que é pequena, mínima, muito restrita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pensar que já briguei tanto, com tanta gente, para defender tanto o PT como o Sr. Luiz Inácio....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-5764662810244118372?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/5764662810244118372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=5764662810244118372' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5764662810244118372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/5764662810244118372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/11/luiz-inacio.html' title='Luiz Inácio'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-4882895690513026974</id><published>2009-11-20T11:42:00.000-02:00</published><updated>2009-11-20T11:43:21.246-02:00</updated><title type='text'>Ainda sou brasileiro?</title><content type='html'>Terminei meu último &lt;span style="font-style:italic;"&gt;post &lt;/span&gt;com a frase "eu também já fui ingênuo". Logo depois de redigi-la, lembrei-me do poema do Drummond "Também já fui brasileiro". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para aqueles que o conhecem, espero que entendam a razão desse &lt;span style="font-style:italic;"&gt;post&lt;/span&gt;. Para os que não o conhecem, ei-lo abaixo. Garanto que vale a pena ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Tambem já fui brasileiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu também já fui brasileiro &lt;br /&gt;Moreno como vocês. &lt;br /&gt;Ponteei viola, guiei forde &lt;br /&gt;e aprendi na mesa dos bares &lt;br /&gt;que o nacionalismo é uma virtude &lt;br /&gt;Mas há uma hora em que os bares se fecham &lt;br /&gt;e todas as virtudes se negam. &lt;br /&gt;Eu também já fui poeta. &lt;br /&gt;Bastava olhar para mulher, &lt;br /&gt;pensava logo nas estrelas &lt;br /&gt;e outros substantivos celestes. &lt;br /&gt;Mas eram tantas, o céu tamanho, &lt;br /&gt;minha poesia perturbou-se. &lt;br /&gt;Eu também já tive meu ritmo. &lt;br /&gt;Fazia isto, dizia aquilo. &lt;br /&gt;E meus amigos me queriam, &lt;br /&gt;meus inimigos me odiavam. &lt;br /&gt;Eu irônico deslizava &lt;br /&gt;satisfeito de ter meu ritmo. &lt;br /&gt;Mas acabei confundindo tudo. &lt;br /&gt;Hoje não deslizo mais não, &lt;br /&gt;não sou irónico mais não, &lt;br /&gt;não tenho ritmo mais não. &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Carlos Drummond de Andrade - Alguma poesia (1930)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-4882895690513026974?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/4882895690513026974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=4882895690513026974' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4882895690513026974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/4882895690513026974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/11/ainda-sou-brasileiro.html' title='Ainda sou brasileiro?'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-8283146778414174141</id><published>2009-11-16T01:19:00.005-02:00</published><updated>2011-01-07T17:44:46.960-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Ingenuidade</title><content type='html'>Acabei de ver no Canal Livre (TV Bandeirantes) uma imagem datada de 1989. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No famoso debate do segundo turno das eleições presidenciais, Collor vociferava, agitava os punhos, franzia a testa e falava convictamente sobre as idéias que tinha para mudar o Brasil. Só os ingênuos não conseguiram perceber a ilusão e a fragilidade de seu discurso. Eram tão evidentes! E, no entanto, Collor foi eleito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, depois de vinte anos, me pergunto como seu antigo adversário conseguiu a mesma proeza duas vezes. E o pior: com a minha ajuda! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é.... Eu também já fui ingênuo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-8283146778414174141?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/8283146778414174141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=8283146778414174141' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/8283146778414174141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/8283146778414174141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/11/ingenuidade.html' title='Ingenuidade'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-425091813252250889</id><published>2009-10-31T22:24:00.002-02:00</published><updated>2009-10-31T22:27:48.061-02:00</updated><title type='text'>Uma pergunta para o Jabor</title><content type='html'>Assisti "Eu sei que vou te amar", em 1986. Tinha 14 anos e fui até a locadora procurar pelo filme que diziam ter sido premiado em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Cannes&lt;/span&gt;. Fernanda Torres havia levado o prêmio de melhor atriz. O filme se passava num apartamento, tendo raríssimas cenas externas. Fernanda contracenava com o hilário Thales Pan Chacon. Eram diálogos que "discutiam a relação" ou explicitavam a neurose do casal. Nem lembro o que pensei do filme, mas olhando para o passado, tenho a certeza que, dada minha imaturidade, aproveitei muito pouco dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na década de 90, quando entrei na faculdade, Jabor era colunista da Folha de S. Paulo. Se não me engano, estreou na Ilustrada, escrevendo semanalmente. Eu me perguntava sempre se aquele era o Jabor "cineasta" e o que o teria feito desistir do cinema. A pergunta ficou na minha cabeça por muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, assisti a uma entrevista em que ele dizia que só voltaria a filmar se houvesse um motivo realmente importante, que justificasse sua volta ao cinema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, já no final da década de 90, Jabor virou comentarista do Jornal da Globo. Seu estilo misturava histeria com radicalismo. Fazia comentários fervorosos, incisivos, capazes de suscitar no telespectador algum inconformismo. Quando "Central do Brasil" concorreu ao Oscar e perdeu para "A vida é bela" ele não deixou de fazer críticas duras ao filme do Benigni: disse que nada mais era do que uma recauchutagem barata do surrealismo italiano. Não pude deixar de concordar com ele: Central do Brasil, ao menos do ponto de vista estético, é muito mais interessante do que "A vida é bela". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jabor escreveu livros, artigos, participou de debates políticos ao longo de todo esse tempo, foi comentarista do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Manhattan Connection&lt;/span&gt;. Recentemente, voltou para atrás das lentes. Em ritmo frenético, e totalmente dedicado, está dirigindo "A suprema felicidade". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que terá justificado sua volta para o cinema?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-425091813252250889?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/425091813252250889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=425091813252250889' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/425091813252250889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/425091813252250889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/10/uma-pergunta-para-o-jabor.html' title='Uma pergunta para o Jabor'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-6749972180348695852</id><published>2009-10-21T00:45:00.002-02:00</published><updated>2009-10-21T01:01:30.716-02:00</updated><title type='text'>Falta de respeito 02</title><content type='html'>Pois é.... eis aqui a segunda versão do vídeo "Falta de Respeito". Como diria o Maestro Soberano, "espero que definitiva"! É ela que irá para o tal festival. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não foi necessário que me convencessem da minha lamentável atuação como ator. Eu mesmo já tinha feito um juízo extremamente negativo sobre meus movimentos diante da câmera (é uma pena que nem todos atores tenham essa serenidade.... quá, quá, quá!). Apenas mudei a versão porque entendo que a imagem do celular está em maior sintonia com o tema do clipe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah sim, o tempo continua o mesmo: menos de um minuto e quarenta segundos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-dddb499c61db403b" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v13.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3Ddddb499c61db403b%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331399628%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D79C5D5A48F0D1D775092258740315E0E3F5C3E.66A8FA80327AA9AD43259B552D699015829F8020%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Ddddb499c61db403b%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D4WpRaVsnnBl5T7F1dF2oxjO2aAQ&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v13.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3Ddddb499c61db403b%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331399628%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D79C5D5A48F0D1D775092258740315E0E3F5C3E.66A8FA80327AA9AD43259B552D699015829F8020%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Ddddb499c61db403b%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D4WpRaVsnnBl5T7F1dF2oxjO2aAQ&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-6749972180348695852?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/6749972180348695852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=6749972180348695852' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6749972180348695852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6749972180348695852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/10/falta-de-respeito-02.html' title='Falta de respeito 02'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-3893811491291019247</id><published>2009-10-19T23:25:00.003-02:00</published><updated>2009-10-19T23:39:10.013-02:00</updated><title type='text'>Falta de respeito</title><content type='html'>"Falta de respeito" é o nome desse vídeo aí embaixo. Ele deve participar de um festival de curtas-metragens. Pretendia explicar a idéia original e fazer uns comentários sobre o resultado. Contudo, as imagens falam por si. Quem tiver paciência para ver, fique à vontade. Tem menos de um minuto e quarenta segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-567fa9959d8ee55c" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v16.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D567fa9959d8ee55c%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331399628%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D1012C7F19DA9F9F3C80447939C5EABED834E7ECE.3005134D8172F3873AE6D82C6CFCC3AD99873948%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D567fa9959d8ee55c%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DWf9Sg_hVWWO9NqjU6MLPthguUWM&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v16.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D567fa9959d8ee55c%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331399628%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D1012C7F19DA9F9F3C80447939C5EABED834E7ECE.3005134D8172F3873AE6D82C6CFCC3AD99873948%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D567fa9959d8ee55c%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DWf9Sg_hVWWO9NqjU6MLPthguUWM&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-3893811491291019247?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/3893811491291019247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=3893811491291019247' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3893811491291019247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/3893811491291019247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/10/falta-de-respeito.html' title='Falta de respeito'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-6972218501269164250</id><published>2009-10-03T23:03:00.007-03:00</published><updated>2010-10-16T22:57:16.109-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Gadelha e a cidade grande</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Gadelha e a cidade grande - Roberto Barbato Jr&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Conto publicado originalmente no Portal Cronópios (&lt;a href="http://www.cronopios.com.br"&gt;http://www.cronopios.com.br&lt;/a&gt;) em 03/10/2009&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua existência estivera circunscrita ao restrito mundo da venda de seu pai. Completara duas décadas praticamente trancado ali, entre notas e carregamentos, vendas e pedidos. Seus conhecimentos nas matemáticas eram exíguos, sabia executar de modo claudicante as quatro operações elementares – o suficiente para levar a termo a tarefa que sr. Afrânio desde cedo lhe confiara. Tinha relações as mais cordiais com os fregueses e não raro os recebia em casa, quando a necessidade os surpreendia no meio da madrugada. Gadelha era um menino dado às generosidades da alma humana. Um bom rapaz, dizia a voz do vilarejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos, fizera poucos. Lograra o infortúnio de uma paixão quase platônica. Jamais nutriria tamanha afeição por qualquer outra mulher. Amelinha representava a descoberta de sua sexualidade e de seus sentimentos mais nobres. Um dia entrara na venda para anunciar que mudaria para a cidade grande. Tinha devaneios incompatíveis com a vida de Gadelha. Seria atriz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofria calado, sonhava com o momento de conhecer aquilo que só havia no relato de companheiros e na televisão. Pensava em edifícios grandes, os chamados arranha-céus – disseram-lhe que eles existiam! Mesmo diante de evidências, hesitava acreditar que aquilo tudo seria possível. De quando em vez, suplicava ao pai para conhecer a cidade grande. Reticente, o velho assentia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um dia, quem sabe... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divertimentos, só na Casa de Lulú, a cortesã do vilarejo. Lá passava as noites com o consentimento do pai. Tinha já sua rapariga cativa, a quem transferia as fantasias outrora sonhadas com Amelinha. Ao final do prazer, tal qual uma epifania, imperava a imagem da musa eterna. Depois, acometia-lhe a preocupação com os afazeres comerciais, restava-lhe o dissabor da labuta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iniciara-se nas primeiras locuções da língua inglesa. Pronunciava-as com sotaque carregado, tentando alcançar a perfeição. Como fosse incapaz de articular um período com lógica, repetia expressões sem lograr seu completo entendimento. Com isso, imaginava prescindir da legenda do telão quando de sua primeira visita ao cinema. Também sonhava com ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se alguns anos. Sr. Afrânio agonizava na cama. Já não era sem tempo!, exclamara o filho. Presenciara sua morte, suspirara e atirara-se em cima do velho. Um choro indefinido: não sabia se de alegria ou desespero. Vencera o primeiro, imprimindo-lhe uma sensação de liberdade jamais experimentada. Iria atrás de Amelinha, decidira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como?, refletia na solidão da venda, por trás do balcão. Elvira, a vizinha, concordara em levá-lo desde que prometesse discrição. Não queria repentes e vexames, já lhe custara muito a imagem de caipira na cidade grande. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que, com um misto de receio e alumbramento, Gadelha pusera-se a sonhar novamente. Ensaiara posturas, gestos e frases de efeito. Buscava a naturalidade de uma situação que, sabia, lhe seria hostil. Preparara com dificuldade sua mala; arrumara roupas e pertences de forma desordenada; vestira sua melhor camisa. Partiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao aproximar-se da cidade, estacara perplexo. Calara-se. Quisera voltar, desistir de tudo. Elvira encrencara:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Assenta, homem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gadelha a tudo olhava. As pontes, os edifícios, as ruas, largas construções, carros a mancheias: tudo lhe causava assombro! Flagrara-se diante de um universo temeroso. Preferira ficar calado, não abrir a boca. Elvira, vez por outra, explicava-lhe as coisas, dizia o nome, a utilidade. Mostrava-lhe o sentido daquele cenário inédito, fazendo-o crer que para além da venda de seu pai havia um mundo repleto de significados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira noite fora de casa... Foram ao cinema assistir a um filme de procedência norte-americana. Gadelha fazia questão: queria testar seu inglês. Poucas foram as palavras que conseguira captar. Depois de poucos minutos rendera-se à lépida legenda. Ao final da fita, após tantos diálogos perdidos, não pôde entender o intrincado jogo de artimanhas entre a mocinha e o bandido. Passara a repudiar o cinema. Melhor seria confinar-se à venda, lá teria compreensão de tudo quanto lhe parecesse dificultoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal dormira durante a noite pensando em Amelinha. Como encontrá-la? Disseram-lhe que a cidade grande é realmente grande. Teria pouquíssimas possibilidades de rever o antigo amor. A menos que o encontrasse casualmente, sem a mínima intenção. Mas, qual o quê? Gadelha não tinha boas relações com as coincidências. Sempre que elas se lhe apresentavam era porque estava a caminho alguma desdita. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Impingira-o um desalento implacável, já não tinha mais ânimo para nada. A vizinha tentara consolá-lo, convencendo-o de que Amelinha já não se importava com ele. E mesmo que estivesse enganada, um novo encontro de nada adiantaria: após longos anos, ela não se renderia às mesuras do rapaz. Sugeriu-lhe que aproveitasse a última noite na cidade grande assistindo a um musical em uma dessas casas de duvidosa reputação. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Espetáculo começado, a boca de Gadelha não se continha em pequenos risos. Deleitava-se com cenas de intensa vulgaridade. Gargalhava com a precária coreografia das danças. Sentira-se absolutamente feliz até o momento em que, perplexo, notara a presença de Amelinha no palco. Palpitara-lhe o coração, ficara pálido, trêmulo, inerte.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Poderia voltar para casa. Já era indiferente ao sonho da cidade grande, do cinema e do amor de Amelinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-6972218501269164250?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/6972218501269164250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=6972218501269164250' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6972218501269164250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/6972218501269164250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/10/gadelha-e-cidade-grande.html' title='Gadelha e a cidade grande'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-907765908137197880</id><published>2009-09-13T11:29:00.001-03:00</published><updated>2009-09-13T11:34:00.867-03:00</updated><title type='text'>Molecagem</title><content type='html'>Eu não tinha mais que doze anos. Naquela época não havia Bina. A segurança em passar trotes era grande. Embora os pulsos telefônicos fossem caros, a molecada abusava. Existiam os trotes bem bolados, daqueles capazes de fazer um motorista de guincho sair de madrugada no inverno para gastar gasolina e não encontrar nenhuma batida. Também existiam aqueles aptos a tirar o sujeito de casa para se encontrar com uma fulana que só o conhecia de vista, mas que, garantia, tinha enorme atração por ele. Era sacanagem, é claro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os trotes mais rápidos, aqueles que não tinham nenhuma estratégia, geralmente não surtiam efeitos. Eram os trotes de imbecis que, por conseguinte, atingiam somente os bobos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei num número qualquer e arrisquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De onde fala?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Da oficina do Carlinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem tá falando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É o Carlinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Carlinhos, você é um filho da puta! Vá tomar no seu cu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem está falando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não interessa quem está falando. O que interessa é que você é um filho da puta! Vá se foder!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Carlinhos, do outro lado da linha, não tinha a menor noção do que estava acontecendo. Mesmo assim, reagiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vá se foder, você, seu viado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou nada, quem tem que se foder é você e essa sua oficina de merda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava levando a sério a provocação. Foi ousado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que você não vem aqui me dizer isso pessoalmente? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vou. Onde fica a porra da sua oficina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acreditei! Não é que o Carlinhos me passou o endereço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fica aí me esperando. Vou arrebentar sua cara, seu bunda mole! – afirmei com convicção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desligamos o telefone. É claro que não passou pela minha cabeça ir até a oficina do Carlinhos. Mas eu não podia recuar depois de ter feito tudo aquilo. Seria como provocar alguém e sair correndo. Ao menos na aparência eu deveria parecer corajoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em poucos segundos, contudo, veio-me à cabeça um daqueles sentimentos de culpa, de arrependimento mesmo. Fiquei meio chateado. Ainda que fosse mal-educado, o Carlinhos estava trabalhando. Devia ter serviço para entregar, compromissos para honrar. Justamente na hora de seu trabalho, um vagabundo como eu resolveu importuná-lo. E era uma agressão gratuita, sem nenhuma razão. Fiquei com pena do coitado do Carlinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele sentimento começou a me corroer. Eu não conseguiria ficar em paz se não me desculpasse. Liguei de novo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem fala? É o Carlinhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É. Quem tá falando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô Carlinhos, fui eu que te liguei agora há pouco. Tô ligando para te pedir desculpas. Você estava trabalhando e eu liguei para te encher o saco.... Desculpe. Eu achei que....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal terminei minhas desculpas, ouvi o Carlinhos vociferar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É isso aí! Eu acho bom mesmo você pedir desculpas. Senão eu quebro sua cara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quebrar a minha cara? Como? Onde? Quando? O Carlinhos nem sabia quem eu era. Como poderia me ameaçar daquela forma? Não teria aceitado minhas desculpas? Não lhe passara pela cabeça que eu estava arrependido? Não deixei por menos. Mandei o arrependimento às favas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Carlinhos! Ô Carlinhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio. O Carlinhos não falou nada. Repeti:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Carlinhos! Ô Carlinhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fala, pode falar, seu filho da puta! – ele estava aguardando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você acreditou? Carlinhos, você acreditou? Você é um bosta, um filho da puta! Vá se foder, enfie essa sua oficina no cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o Carlinhos gritava do outro lado da linha, eu gargalhava. E ele se enfurecia....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como eu disse: havia um imbecil e um bobo....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-907765908137197880?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/907765908137197880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=907765908137197880' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/907765908137197880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/907765908137197880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/09/molecagem.html' title='Molecagem'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-8996741214017295777</id><published>2009-09-10T20:55:00.003-03:00</published><updated>2009-09-10T21:01:59.660-03:00</updated><title type='text'>Cine Odeon</title><content type='html'>Terminei hoje a leitura de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Cine Odeon&lt;/span&gt;, da Lívia Garcia-Roza. O livro, publicado em 2001 pela Record, foi finalista do Jabuti. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conheço nada da autora e confesso que esse livro caiu em minhas mãos casualmente, numa das vezes que visitei a Saraiva e procurei por "algo novo". Bastou ler a primeira página para ficar encantado. Prometi que o leria. Só não sabia que ficaria extasiado com a leitura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sublime!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo.... Conheci a obra do Garcia-Roza, marido da Lívia, da mesma forma: procurando por "algo novo" na Saraiva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-8996741214017295777?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/8996741214017295777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=8996741214017295777' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/8996741214017295777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/8996741214017295777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/09/cine-odeon.html' title='Cine Odeon'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-560642534648296565</id><published>2009-09-09T20:54:00.002-03:00</published><updated>2009-09-09T21:07:54.341-03:00</updated><title type='text'>CPC ARACY DE ALMEIDA</title><content type='html'>Depois que concluí o doutorado e publiquei a tese, ainda falei, em alguns encontros e seminários, sobre a política cultural brasileira na época de seus "primórdios", ou seja, quando houve a primeira experiência institucionalizada de organização da cultura. Tratava-se do Departamento de Cultura de São Paulo, liderado por Mário de Andrade e por alguns intelectuais paulistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em agosto de 2006, fui convidado para fazer uma exposição sobre o tema no Museu da República, no Rio de Janeiro. O seminário, organizado pelo Flávio Aniceto, do Centro Popular de Cultura Aracy de Almeida, reuniu vários professores e pesquisadores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia parecer estranho que cariocas quisessem ouvir alguém falar sobre uma experiência de cultura paulistana. Todavia, como o seminário versava sobre política cultural em sua generalidade, entenderam por bem me convidar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois foi no simpático casarão do Catete, antiga morada de Getúlio Vargas, que passei uma tarde agradabilíssima. Conheci a turma do CPC e logo percebi que ali havia um desejo pulsante de discutir, produzir e organizar cultura. Falando nesses termos, pode soar ao leitor que a moçada era idealista e que todo aquele desejo intenso não resistiria ao tempo. Felizmente resistiu! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com frequência e organização invejável, recebo os boletins informativos das atividades do CPC. Neles, encontro uma rica programação cultural, além dos textos que suscitam debates sobre a produção cultural carioca e a atuação dos conselhos municipal e estadual de cultura. Até mesmo a transferência do MIS para Copacabana, que tem ensejado muita discussão, já constituiu matéria de interessantíssimo artigo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um dos grandes problemas das políticas culturais é a falta de aporte financeiro e de iniciativas, o CPC Aracy de Almeida é uma rara exceção. Se inexistem condições financeiras para a realização das atividades, a turma do Flavinho dá um jeito. Não se duvide. A vontade de empreender, a disposição para debater e o espírito aberto para as questões culturais superam as adversidades materiais e seriam capazes de causar inveja aos "dirigentes" da cultura brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pena que toda essa efervescência cultural fique, muitas vezes, restrita ao círculo de amigos e apreciadores do CPC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, sugiro aos eventuais leitores desse blog que, estando no Rio, procurem pela programação da turma do "CPC Araca". Valerá a pena!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-560642534648296565?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/560642534648296565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=560642534648296565' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/560642534648296565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/560642534648296565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/09/cpc-aracy-de-almeida.html' title='CPC ARACY DE ALMEIDA'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6339948483969806853.post-7336466105729164835</id><published>2009-08-23T21:50:00.002-03:00</published><updated>2012-01-08T03:32:15.421-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Homem não chora</title><content type='html'>Lembro-me de ter lido, no início da década de 1990, a entrevista de um jornalista que estava prestes a assumir um cargo público em São Paulo. Seu pai, àquela época já falecido, foi um comunista bastante ativo. Costumava dizer aos filhos (um dos quais, filósofo marxista) que quando alguma coisa estivesse errada, seria preciso olhar em direção ao Kremlin. Um dia, o jornalista resolveu romper com o comunismo. Abandonara as convicções que sempre deram sentido à vida do pai. Ideologicamente, distanciou-se dele e do irmão.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na entrevista, o tal jornalista contou que tivera um sonho bastante significativo a respeito de seu rompimento com as tendências de esquerda: num quarto branco, sóbrio, sem cores, ele levantava o pai pelo colarinho e gritava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você me enganou! Você me enganou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai, provavelmente ciente de que escolhemos ideologias por afinidades e devemos recusá-las quando desejamos, apenas respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Homem não chora! Homem não chora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, quando olho para trás, relembro minhas opções políticas sem arrependimento. Mas, quando vejo que os representantes que ajudei a eleger servem para perpetuar o que há de mais atrasado na política brasileira e ainda reivindicam o monopólio da moralidade pública, confesso que tenho vontade de chorar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nessas horas que lembro da lição do velho comunista: homem não chora!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6339948483969806853-7336466105729164835?l=lapisimpreciso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/feeds/7336466105729164835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6339948483969806853&amp;postID=7336466105729164835' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/7336466105729164835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6339948483969806853/posts/default/7336466105729164835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/08/homem-nao-chora.html' title='Homem não chora'/><author><name>Autor impreciso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08424397690840226412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
